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Ceplac testa técnica de poda e tutoramento que aumenta número de plantas por hectare

Pesquisadores do Centro de Pesquisas do Cacau-CEPEC, unidade científica e tecnológica da CEPLAC/MAPA, divulgaram nota na revista científica Agrotrópica, da própria Instituição, com resultados experimentais de uso de técnica de poda e tutoramento de plantas de cacaueiro que, juntas, priorizam ramos de produção para elevada produtividade por planta e arquitetura que permite maior densidade de plantas por hectare, objetivando produções satisfatórias e constantes ao longo dos anos.

Como surgiu a técnica

Inicialmente, este sistema de condução da planta foi discutido emtre os técnicos da Ceplac Raul Renée Valle, fisiólogo e atualmente chefe do Cepec, George Andrade Sodré e José Basílio Vieira Leite Leite, que colocaram a idéia original na prática e conduzem o projeto.

No ano de 2004 foi instalado no semiárido da Bahia um experimento para avaliação do comportamento de clones de cacaueiro plantados com mudas enraizadas. Na ocasião, devido a elevadas taxas de crescimento e vigor das plantas, pelo cultivo a pleno sol e fertirrigação em condições secas, foi possível observar os efeitos marcantes da dominância de ramos em certos clones e, por conseguinte, a necessidade de modificar o manejo do cacaueiro para elevadas produtividades aproveitando a arquitetura da planta.

O sistema fundamenta-se no gerenciamento do crescimento da planta de cacaueiro buscando o equilíbrio entre a parte vegetativa e a parte frutífera da planta e foi denominado “Cacau Candelabro”, pela aparência em forma de candelabro que a planta apresenta.

 

Características de porte (A e B) e detalhe dos ramos e produção (C e D) do clone BN 34.

Segundo George Sodré “as primeiras observações indicaram especificidades para instalar e manejar o sistema, especialmente no que se refere ao tipo de muda, clones, poda, tutoramento e espaçamentos.”

O sistema candelabro tem se mostrado adequado para plantas de pequeno porte visando plantios com densidade acima de 1600 plantas/ha. Foi inicialmente testado o clone BN 34, que no quarto ano de cultivo produziu 30 frutos/planta, o que significa produtividade em amêndoas secas de 2.130 kg/ha/ano.

O pesquisador José Basílio observa “... que o sistema de cultivo apresenta potencial para a produção intensiva comercial de cacaueiros e, para a continuação das pesquisas, necessita ser validado em áreas maiores e também que sejam realizados estudos de viabilidade econômica, definição de clones, mecanização da poda e outras práticas associadas ao uso do sistema.”

Segundo Raúl Valle, diretor de pesquisa e extensão da Ceplac "este sistema de condução aproveita a arquitetura de certos clones que devem ter um sistema de produção de ramos de forma mais aberta com ângulos maiores, além de abrir campo para desenvolvimento de tecnologias modernas de colheita de frutos."

 

Jornalista: Raimundo Nogueira

Assessoria de Comunicação da Ceplac
Wednesday, 12/12/2018