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CEPLAC/MAPA transfere tecnologia do cacau para técnicos e produtores paulistas

No período de 19 a 23 de março, uma missão técnica de extensionistas e produtores da região de São José do Rio Preto, São Paulo, receberam treinamento sobre a tecnologia do cacau no Centro de Pesquisas da CEPLAC/MAPA-Bahia, objetivando a implantação e validação da tecnologia de plantio do cacau em consórcio com a seringueira no Planalto de São Paulo, a fim de dar suporte a um programa futuro de desenvolvimento da cacauicultura.

A missão é uma iniciativa da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, através da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), com o apoio do MAPA/CEPLAC, Cargill e produtores do Planalto Paulista visando aumentar a renda dos seringalistas com a adição de receitas oriundas da exploração do cacau.

Em reunião com a comitiva o Superintendente da CEPLAC/MAPA para a Bahia e Espírito Santo, Carlos Alexandre Brandão, agradeceu a presença dos visitantes, a parceria com a CATI, Cargill e o brilhantismo dos profissionais da CEPLAC. Ele declarou que a missão da CEPLAC é contribuir para o desenvolvimento da cacauicultura brasileira. “O incentivo a expansão de novas fronteiras fortalece a Cadeia Produtiva do Cacau; o Brasil se notabiliza pela força do agronegócio nas várias regiões e com o apoio da CEPLAC haverá de se destacar com o cacau”.

O estado de São Paulo possui uma área plantada com 110.000 hectares de seringueira, onde foram produzidas 98 mil toneladas de borracha seca em 2017, o que corresponde a 56 % da produção nacional, assegurando ao mesmo a hegemonia nacional na heveicultura.

A região de São José do Rio Preto possui 16 milhões de seringueiras implantadas em uma área de 34.000 hectares, onde são produzidas 28.100 toneladas de borracha seca. A receita local oriunda do setor da borracha corresponde a R$ 138 milhões/ano, sendo a maior parte destes recursos distribuídos entre os pequenos e médios produtores. Contudo, este valor tem oscilado em função da queda do preço da borracha no mercado internacional. Nesta região a importância sócio econômica da heveicultura é caracterizada pela geração direta e indireta de empregos no meio rural e pela renda que movimenta a economia dos pequenos municípios.

Nos últimos quatro anos, os produtores rurais vêm perdendo a motivação para o plantio e exploração da seringueira, devido à redução da renda por unidade de área, o que vem levando os profissionais da CATI a buscarem alternativas que aumentem o retorno financeiro por hectare. Entre as opções encontradas, mencionam-se o emprego do SAF - Sistema Agro Florestal cacaueiro e seringueira, cujos produtos possuem mercado, têm fácil comercialização e quando implantados em associação promovem um retorno atrativo.

Nesse sentido foi promovida a presente missão para conhecer as tecnologias desenvolvidas pela CEPLAC para a produção de mudas, indicação de clones, plantio, nutrição, fertirrigação, tratos culturais, manejo integrado de pragas e doenças, mecanização, pós-colheita e produção de cacau fino e chocolate. As tecnologias dão ênfase para o manejo do cacau em associação com a seringueira.

O treinamento foi ministrado pelos pesquisadores José Basílio Vieira Leite, George Andrade Sodré, Edna Dora Martins Newman Luz, Dilze Argolo, Kazuyuki Nakayama, Neyde Alice Bello Marques, Adonias de Castro Virgens Filho e dos extensionistas Ivan Costa e Sousa e Marcos Cesar Leal Sousa.

Nas visitas a campo foram apresentados os trabalhos desenvolvidos pelas empresas M. Libânio Agrícola e Alto da Prata em Gandu, Vale do Tiriri em Piraí do Norte, São José em Uruçuca, além do viveiro de cacau da Barry Callebaut, onde os empresários Eimar Rosa, Marcos Sousa, Zito Abreu Jorge Gabrielli e Corrado Meotti mostraram modelos inovadores de SAF cacau e seringueira dando ênfase para alta produtividade, rentabilidade, e demais vantagens do sistema.

O extensionista da CATI,  Andrey Vetorelli Borges, ao agradecer pela acolhida, mencionou  que as tecnologias apresentadas serão de grande importância para o estabelecimento de um protocolo de boas práticas de manejo do cacaueiro em SAF com a seringueira e completou: “eu sabia da importância da Ceplac para o desenvolvimento da cacauicultura brasileira, mas não imaginava que encontraria aqui um acervo de profissionais tão competentes e motivados em gerar e transferir informações sobre a tecnologia do cacau; a cada exposição nós éramos surpreendidos com um volume acentuado de informações; isso será muito útil para o nosso trabalho e certamente nos colocará em um patamar que permitirá a alavancagem da cacauicultura no momento certo”.

Francisco Carvalho, engenheiro agrônomo da Fazenda São Luís, que possui uma área de 30 hectares com SAF cacau e seringueira em Tabapuã avaliou positivamente a missão: “estive aqui há quatro anos com o objetivo de obter informações para plantar cacau com seringueira, mas confesso que estou realmente surpreso com a quantidade de tecnologias repassadas neste treinamento; se estivesse vindo aqui na CEPLAC antes, já estaria em um estágio mais adiantado com o meu trabalho”.

O agrônomo Fioravante Stucchi Neto enfatizou que “o apoio da CEPLAC e da Cargill está sendo relevante para a transferência e validação das tecnologias de plantio e exploração do cacau em SAF com seringueira no Planalto de São Paulo; esta iniciativa certamente abrirá novas perspectivas para ambas as culturas devido à sinergia na associação; em nome da Cati e dos produtores de São Paulo externamos os agradecimentos e parabenizamos os profissionais da Ceplac e os produtores baianos pelas informações que tornam a cacauicultura brasileira em condições de figurar entre as mais competitivas do mundo”.

 

Superintendência da CEPLAC/MAPA – BA e ES

Jornalista: José Carlos Peixoto  

Fotos: Águido Ferreira

 

Assessoria de Comunicação da Ceplac
Friday, 3/23/2018