Buscar no site:
CEPLAC/MAPA investe em cogumelos comestíveis a partir da casca do cacau como opção de renda para produtores

A CEPLAC/MAPA, por intermédio do seu laboratório de Bio Controle, vem desenvolvendo há alguns meses um projeto de Cogumelos Comestíveis a partir do aproveitamento da casca do cacau e também de outros materiais que seriam descartados como o bagaço da cana, dendê e o capim.

   

 

O substrato utilizado para a produção é a casca do cacau, que aparentemente não tem utilidade nenhuma, no entanto, foi realizado o tratamento adequado com a casca e colocado para produzir o cogumelo. Para a surpresa dos pesquisadores, deu muito certo e a prática de produção se tornou algo viável para todos.

Recentemente o diretor do Centro de Pesquisas e Extensão da CEPLAC, Raul René Valle, promoveu uma reunião de avaliação com os envolvidos diretamente no projeto, para analisar o estágio das pesquisas e as dificuldades detectadas do desenvolvimento das ações.

Participaram do encontro o chefe de extensão da CEPLAC, João Henrique Almeida e demais pesquisadores e extensionistas que integram o projeto: Givaldo Niella, Antonio Zózimo, Sérgio Teixeira, Rita Cristina Gramacho, Lúcia Capizzi, José Luiz Bezerra e também os produtores da AMAREA (Associação de Moradores e Agricultores do Rio de Engenho e Adjacências), parceiros que reúnem por sua localização na faixa litorânea e entre duas bacias hidrográficas (do rio cachoeira e do rio Santana), as condições climáticas ideais para desenvolvimento do projeto: umidade alta e temperatura amena.

 

O projeto, ainda em fase experimental consiste na produção dos cogumelos feita no laboratório de Bio Controle da CEPLAC e em seguida eles são introduzidos nas áreas da AMAREA, com o acompanhamento dos técnicos ceplaqueanos, conforme explica um dos coordenadores do projeto, Givaldo Niella: “Estamos transferindo essas tecnologias do laboratório para o campo e para nossa surpresa estamos tendo um excelente resultado. Posteriormente formaremos um grupo de trabalho e promoveremos cursos sobre a produção de cogumelos, para junto com os produtores ir aperfeiçoando o manejo”.  

Os cogumelos são alimentos altamente nutritivos e acompanha preparações nutritivas também, como saladas, molhos leves e pode substituir frituras. A maior procura pelos cogumelos provém do seu sabor e da variedade de pratos, além de possuir um alto valor nutricional e medicinal: rico em vitaminas, proteínas, pouca gordura, diminui o colesterol e o nível de açúcar.

Produzir e consumir cogumelos traz benefícios, como explica o pesquisador José Luiz Bezerra, um dos incentivadores para criação do projeto. “O cogumelo comestível tem uma propriedade nutricional muito boa e até medicinal dependendo da espécie. Em relação ao campo, o produtor trabalha com a casca do cacau que é fonte de inoculo de doenças como podridão parda e vassoura de bruxa; ele elimina aquele resíduo que está no campo que é pernicioso e o transforma em algo benéfico e rentável comercialmente, que é o cogumelo”.

A produtora Darlene Martins, associada da AMAREA, confirma os resultados obtidos após três meses trabalhando com os cogumelos: “Já estamos bem avançados e até colhendo. Foi algo novo pra gente, pois a região é cacau. Tive um pouco de dificuldade e achava que não ia conseguir, mas depois que passamos a receber as orientações dos técnicos da CEPLAC e conhecer o projeto nos laboratórios, eu senti mais firmeza e mais segurança”.

Walter Borges, também associado da AMAREA, está confiante a respeito do avanço e comercialização do cogumelo e adianta que a associação já tem planos para criar um espaço estruturado dedicado a essa produção. “Deve demorar um tempo, vai depender da evolução de como cada um vai produzir, mas a ideia é fazer um espaço na associação que a gente possa produzir da maneira mais técnica, independente disso cada um em sua propriedade vai se adaptando e o plano é ter uma casa de cogumelo na associação”.

Sob a receptividade das pessoas ao cogumelo, Borges revela que quando iniciou o processo de produção, perguntava as pessoas se já haviam comido cogumelo e 95% respondiam nunca ter comido, mas ao experimentar diziam gostar. “Percebi então que deve ter um bom mercado por aí. Espero que seja uma nova fonte de renda”.

Sempre ressaltando que a CEPLAC continua viva e a cada dia mostrando novas pesquisas, Raul René Valle, Chefe de Pesquisa e Extensão, explica que esse é um projeto piloto desenvolvido com competência pelos pesquisadores e extensionistas da Instituição visando levar tecnologia aos produtores. “Esse projeto é um grande avanço e está sendo desenvolvida pela CEPLAC e aplicada para uma associação de pequenos produtores rurais que estão completamente interessados, pois estão vislumbrado uma grande oportunidade de fortalecer um mercado pouco explorado na região”.

 

Superintendência da CEPLAC/MAPA – Bahia

Jornalista: José Carlos Peixoto

Reportagem: José Hamilton

Fotos: Águido Ferreira

Assessoria de Comunicação da Ceplac
Wednesday, 3/21/2018