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Potencialmente,
os pastos tropicais são capazes de promover produção de até 12 Kg de
leite/vaca/dia, sem suplementação.
Porém para produções mais elevadas e persistentes, e durante
os períodos secos ou de baixo crescimento das forrageiras torna-se
necessário o fornecimento de ferragem conservada de alto valor
nutritivo além de rações
concentradas. Entretanto, o
uso de rações comerciais na alimentação do rebanho leiteiro é a prática
que mais onera o custo de produção de leite.
Portanto, esse sistema de alimentação com o uso de concentrados
deve ser economicamente competitivo, como acontece na América do Norte,
em Israel e em alguns países europeus. Em
1984, foi implantado na Estação
de Zootecnia de Itajú do Colônia (EZICO), Itajú do Colônia-BA, em área
pertencente a CEPLAC/CEPEC, um Sistema de Produção de Leite, com o
objetivo específico de avaliar os efeitos interativos das tecnologias
disponíveis, sobre a produção, produtividade economicamente da
exploração leiteira e que fosse utilizável por pequenos e médios
produtores da região em estudo. DESCRIÇÃO DA ÁREA
A
estação experimental possui uma área total de 100 hectares, dos quais
66,5 ha são ocupados pelo sistema de produção.
O solo predominante é o tipo molisol, moderadamente drenado,
fertilidade e profundidade mediana.
A precipitação média anual observada no período de 1974-1990
foi de 1015,8 mm, apresentado um período seco ou pouco chuvoso de junho
a setembro. No período de 1993/95, a precipitação média anual foi de
782,9 mm. A temperatura média da localidade é de 23,5ºC.
Atualmente, a área total destinada ao Sistema de Produção está
assim distribuída:
RESUMO DA TECNOLOGIA
USADA
O
rebanho do Sistema de Produção de Leite é formado de animais mestiços
holandês-zebu (HZ), com grau de sangue variando de ¼ a 15/16 HZ com
predominância de ¾ HZ. As
pastagens são formadas predominantemente pelos capins sempre-verde e
colonião, utiliza-se o pastejo rotacionado sendo as áreas mais próximas
ao curral destinadas as vacas em lactação.
Todos os piquetes são dotados de cocho saleiro e bebedouro. Durante
o período de escassez de forragem, os animais, principalmente as vacas
em lactação, recebem uma alimentação suplementar tendo como base
silagem de capim-elefante, capim-elefante picado, cana-de-açúcar com
1% da mistura uréia/sulfato de amônia (9.1). As
vacas em lactação, durante o período seco, com produção acima de 8
kg de leite recebem 1,0 kg de farelo de trigo, fornecido por ocasião de
ordenha. Em
anos anteriores a 1993, os bezerros, após mamarem o colostro por uma
semana, eram separados das mães, colocados em piquetes próximos ao
curral e aleitados artificialmente em balde, até a idade de 56 dias, recebendo diariamente 3 kg de leite/ bezerro de uma só vez.
Nos próprios piquetes em cocho coberto, os bezerros recebiam 1
kg de farelo de trigo/cab/dia, além de terem à sua disposição
suplemento mineral. A
partir de 1993, parte dos bezerros foi retirada do aleitamento
artificial e passaram a ter mamadas em um teto em rodízio por ocasião
das ordenhas, mantendo-se o restante do manejo alimentar.
Ao atingirem120 dias
de idade, os animais passam a mamar apenas o leite residual, continuam
com acesso ao pastejo e a suplementação com farelo de trigo, até
desmama que ocorre, de acordo com o
período de lactação da vaca, geralmente aos sete e oito meses.
A adoção do aleitamento direto conforme descrito, melhorou
sensivelmente a taxa de crescimento dos bezerros passando a ser o único
manejo a ser adotado no sistema. Os
machos são descartados ao atingirem a idade de 10 a 12 meses e as
novilhas são recriadas em pastagem especifica e inseminadas ao
atingirem o peso de 330 kg. O método
de reprodução é a inseminação artificial, sem estação de monta
definida, utilizando sêmen de reprodutores provados.
As fêmeas até 3/4HZ são inseminadas com sêmen de reprodutor
holandês e as fêmeas com grau de sangue acima de ¾ HZ, inseminadas
com sêmen de reprodutor gir. Com
esse procedimento obtém-se sempre animais próximos a ½ sangue HZ. A
detectação de cios é feita com uso de rufião, associada a observações
no comportamento dos animais. Animais com 5/8 de sangue holandês
apresentaram melhor produção por lactação com 2872 kg e período de lactação de 284 dias. A
ordenha é manual, fazendo-se
a segunda ordenha somente para vacas com produção acima de 7 kg de
leite e quando a produção da segunda ordenha for acima de 30 % da
produção obtida na primeira. O
controle leiteiro é efetuado nos dias 10, 20 e 30 de cada mês. Para as vacas gestantes, em lactação realiza-se a secagem
60 dias antes do parto ou quando a produção de leite/dia for inferior
a metade da média geral do rebanho ou sempre que for inferior a 3 kg,
baseando-se em dois controle leiteiros consecutivos. A saúde
dos animais é mantida por meio de vacinações do rebanho contra as
principais doenças, de limpeza e desinfecção das instalações, corte
e desinfecção do umbigo dos bezerros logo após o nascimento, controle
de endo e ectoparasitos, teste de mastite diário por ocasião de
ordenha, lavagem e desinfecção do úbere.
Além do controle do Zootécnico, também é mantido um rigoroso
controle contábil para avaliação econômica das tecnologias
preconizadas, assim como servir de base para comparação com outros
sistemas.
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