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Seringueira
é o nome vulgar de uma planta do gênero Hevea, família Euphorbiaceae,
que foi introduzida na Bahia por volta de 1906. A sua dispersão natural
está circunscrita aos limites da região Amazônica Brasileira, porém
mostrando grande adaptabilidade aos mais variados ambientes. A espécie Hevea
Brasileira (Wild. Ex. A. Juss.) Muell. Arg é a mais explorada
economicamente, por produzir látex de melhor qualidade e com elevado
teor de borracha. Do
seu tronco extrai-se o látex que, por coagulação espontânea ou por
processos químico-industriais, se transforma no produto comercial
denominado de borracha. A matéria-prima borracha é largamente
utilizada na produção de bens industrializados, sendo a industria de
pneumáticos a sua maior consumidora. As
grandes áreas de produção comercial concentram-se no sudeste asiático,
destacando-se a Malásia, Indonésia e Tailândia como maiores
produtores. A produção brasileira, ainda que tenha apresentado acréscimos
nos últimos anos, só responde por 18% das suas necessidades, sendo o
restante importado de outros centros produtores, com reflexos negativos
na nossa balança comercial. As
áreas tradicionais da Bahia, embora com condições climáticas favoráveis
ao ataque de doenças, os índices de produtividade alcançados oferecem
perspectivas para a ampliação do cultivo, que já responde, no
momento, por parcela bastante significativa na produção nacional de
borracha vegetal. Além disso, nas novas áreas zoneadas, tidas como de
escape, a possibilidade de se estabelecer uma heveicultura em condições
mais climáticas propícias, sob o ponto de vista fitossanitário, abre
perspectivas de expansão com todas as vantagens sociais e econômicas. São
inúmeras as áreas potencialmente aptas ao cultivo da seringueira na
extensa faixa costeira do estado da Bahia, especialmente nas regiões
sudeste e extremo sul (mais de dois milhões de hectares de terras
nuas), onde a Mata Atlântica se encontra em processo progressivo de
extinção. Vários plantios estabelecidos nessas regiões vêm
demonstrando componentes produtivos fitossanitário bastante
promissores. Uma
das grandes vantagens do cultivo é sua exploração econômica durante
o longo ciclo de vida da planta, sem a necessidade de desnudamentos periódicos
do solo. Além do mais, a seringueira tem-se comportado muito bem em
consorciação com cultivos econômicos de ciclo curto, semiperenes, a
exemplo do cacau. O consórcio com o cacaueiro, inclusive, tem
demonstrado ser uma prática muito vantajosa, por aumentar
significativamente a receita das empresas, com a exploração econômica
de ambos os produtos. Entretanto,
o sucesso de um empreendimento heveícola está na rigorosa observância
do uso de tecnologias preconizadas para as diferentes fases de
desenvolvimento, pois, desse modo, seringais poderão ser formados
dentro de padrões modernos de exploração, tornando-os competitivos e
rentáveis. Clima e solo
Temperatura
e umidade relativa do ar são os elementos do clima que mais exercem
influência nos diversos estágios de desenvolvimento da planta. Assim,
locais com temperatura média anual abaixo de 20 graus centígrados e
umidade excessiva são os menos indicados, por proporcionarem condições
ideais à incidência de doenças que limitam a cultura.
Ainda, dado o desenvolvimento sistema radicular, recomenda-se que
o plantio da seringueira seja em solos de textura média e com boa
profundidade, evitando-se sempre terrenos sujeitos a inundações periódicas,
argilosos e mal drenados. Escolha
e Localização da Área As áreas planas são mais fáceis e econômicas para a implantação e exploração de seringais de cultivo. Em áreas de relevo ondulado, promover o plantio da média encosta para cima, e em curvas de nível. Sempre que possível, locar as linhas de plantio no sentido norte/sul, a fim de receberem intensa insolação e evitar o auto-sombreamento. Em áreas sujeitas a ventos fortes, dispor o plantio no sentido dos ventos dominantes e usar tutores, assim que as plantas começarem a dar sinal de inclinação de seu caule Propagação
A
propagação vegetativa, através da enxertia, é o processo
convencional para a produção de mudas de seringueira, tanto na Bahia
quanto em qualquer outra região produtora. Para a produção de mudas
de seringueira, necessário se faz a instalação de infra-estruturas básicas,
ou seja: jardins clonais e viveiros. OS viveiros a pleno sol são os
mais comuns. As mudas podem também ser preparadas em sacolas plásticas,
tubetes ou até mesmo enxertadas no local definitivo de plantio. Recomendações
técnicas sobre o preparo de mudas enxertadas estão disponíveis
e divulgadas em inúmeras publicações. Estas deverão ser
consultadas para melhor orientação sobre a obtenção, qualidade e
utilização adequadas às diversas situações determinadas pelo
relevo, características do solo, infra-estrutura do imóvel,
disponibilidade de mão-de-obra etc, objetivando sempre a formação de
seringais uniformes e estandes completos, a custos mais baixos e com
maior retorno econômico. Material
Clonal Atualmente, encontra-se disponível para plantio uma série de clones que variam em suas características. Entretanto, a opção de escolha deve ser feita com certos cuidados. Sugere-se uma orientação técnica para cada caso e região, especialmente quando se pretende realizar plantios consorciados. As características peculiares de cada clone podem ser limitantes ao processo de consorciação. Assim, os clones que, por exemplo, apresentam copas menos densas com período regular de troca de folhas são os mais indicados. Uma série destes clones vem demonstrando desempenhos produtivos e fitossanitário bastante promissores em testes regionais e, brevemente, estarão disponíveis para plantio. Implantação e
Manutenção
Preparo
da área – Preferencialmente a área deve ser completamente destocada,
se possível, arada e gradeada. Na impossibilidade de utilização de máquinas,
fazer um bom coivaramento na área, seguido de um destocamento parcial
com a remoção das troqueiras menores, a fim de facilitar os tratos
culturais e a consorciação com outros cultivos. Coveamento
- A abertura das covas deve obedecer às dimensões mínimas de 0,40 x
0,40 x 0,60 metros, tendo-se o cuidado de separar a camada superficial
do solo, retornando-a de imediato ao fundo da cova, como também o
restante do solo, logo após a incorporação da adubação fosfatada
recomendada. Espaçamento
– Os seringais tradicionais têm sido estabelecidos no espaçamento 7
x 3 metros, resultando numa densidade de 476 plantas por hectare.
Entretanto, entro de uma concepção moderna de exploração agrícola
mais rentável, preconiza-se a utilização de plantios em linhas
duplas, com aproximadamente 500 plantas/ha, em que os espaços entre as
plantas e as linhas duplas não sejam inferiores a 2,5 metros e 10
metros, respectivamente. Tal disposição, além de proporcionar melhor
arejamento no seringal, em geral concorre para redução da incidência
de enfermidades e possibilita intercalação com outros cultivos. Plantio
– O plantio em dias nublados ou após boas chuvas favorece o
crescimento das raízes e o desenvolvimento das mudas enxertadas.
Maiores cuidados devem ser dispensados com as mudas produzidas em
sacolas plásticas, com dois ou até oito lançados foliares,
especialmente por ocasião do plantio e da operação de transplantio.
Independentemente do tipo de muda utilizada, recomenda-se sempre fazer a
cobertura morta, com restos de vegetação para conservar melhor a
umidade do solo e reduzir as perdas. Calagem
e adubação – As áreas potencialmente indicadas para novos plantios
são geralmente de solos ácidos e pobres em nutrientes. Assim,
recomenda-se a análise prévia do solo para orientar de forma adequada
a calagem e a adubação. Em seringais jovens, a mistura NPK deve ser
aplicada em círculos crescentes, em função do desenvolvimento da
planta, até o terceiro ano. Após este período, a adubação será
feita em faixas laterais às plantas. O cronograma de adubação
estende-se de outubro a março. Em seringais adultos, a adubação dever
ser em função de uma nova análise de solo e, em casos especiais, também
de folhas. Nessa fase, a mistura NPK dever ser aplicada, de uma só vez
e por planta, no período de hibernação, por ocasião da queda de
folhas que geralmente ocorre ente junho
e julho. Após três ou quatro meses, sugere-se uma adubação
complementar nitrogenada. Outras
práticas culturais – Existe um pacote de informações sobre várias
práticas culturais que devem ser adotadas para proporcionar um melhor
desenvolvimento vegetativo e fitossanitários das plantas. Dentre essas,
destacam-se a desbrota, o tutoramento de plantas quando necessário, a
limpeza da área manual ou quimicamente, o replantio com mudas em estágio
avançado de desenvolvimento e o controle ed pragas e doenças. Consorciação com
outras Culturas
Exploração do
Seringal
Há
sangria é a etapa mais importante da vida útil do seringal, uma vez
que trata da extração do produto final. Abertura de painel deve ser
feita quando cerca de 50% das plantas apresentarem circunferência igual
ou superior a 45 cm a altura de 1,5 acima do solo. Atualmente há vários
sistemas de exploração em uso, sendo que, na escolha, deve-se levar em
consideração o clone, a fase de exploração e as condições
ambientais. A fim de se obter um maior rendimento da mão-de-obra e
aproveitar o potencial máximo de produção das plantas, deve-se
empregar sistemas com freqüência reduzida
de sangria e estimulação. Beneficiamento e Comercialização
O
látex pode ser comercializado de forma “in natura”, quando seu
beneficiamento se processa fora da propriedade, ou poder utilizado na
produção de folhas defumadas, desde que o imóvel disponha de pequenas
usinas de beneficiamento. Ainda a borracha pode ser comercializada como
coágulos e cernambis. Na região sudeste da Bahia, há uma
infra-estrutura moderna de beneficiamento, que, além de absorver toda a
produção regional, produz diferentes linhas básicas, desde o látex
concentrado até os mais diversos tipos de borracha sólida com demanda
no mercado. José
Raimundo Marques
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