SISTEMAS AGROFLORESTAIS ORGÂNICOS PARA RECUPERAÇÃO ECONÔMICA E SOCIOAMBIENTAL

 

O fundo capital semente é uma alternativa para a conservação da mata atlântica. É uma iniciativa do Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia em parceria com a Conservação Internacional do Brasil, Fundação Citigroup, Fundação Ford e USAID.


O projeto surgiu do desafio de criar um modelo de exploração que conseguisse reunir aspectos positivos das vertentes ambientais , sociais e econômicas. A experiência teve inicio em agosto de 2003 e está sendo executada com um grupo de oito produtores no entorno da Reserva Biológica de Una e um produtor na bacia do Rio Santana. Foi implantado em áreas degradadas com intuito de recuperação ambiental e geração de renda para o agricultor. Os trabalhos são realizados em mutirões utilizando práticas agroecológicas.


O fundo tem como características um modelo de saf, assistência técnica e apoio a comercialização. Juros de 1% ao mês sobre os valores de insumos disponibilizados no período. O produtor não recebe o recurso em espécie e sim em insumos, (mudas, adubos e equipamentos). No prazo de pagamento os produtores também não pagam em espécies, e sim em produtos, que são comercializados através da Cooperuna, Cooperativa dos Produtores de Una. Quando é feito a comercialização, é deduzido 10% para a Cooperuna, 40% para amortização do investimento e 50% retorna para o agricultor. A dedução dos 40% só acontecerá enquanto o produtor estiver pagando o investimento, após liquidar o empréstimo o agricultor receberá 90% do que vender.


O saf é composto com banana da terra (Musa sp), cupuaçu (Theobroma grandiflorum ) e pupunha (Bactrys Gasipaes), pau-brasil (Caesalpinia echinata), copaíba (Copaifera longsdorffii), cajá (Spondias lútea) e mais oito espécies diferentes da FLORESTA ATLÃNTICA.

 

No primeiro ano de implantação o agricultor pode plantar culturas de subsistência nos espaços livres entre as culturas, esses espaços são aproveitados enquanto a área não fica sombreada.


Após um ano de implantado o projeto, temos como resultados concretos: a venda de 696 cachos de bananas da terra, 20 toneladas de melancia, 4 toneladas de abacaxi, além de produtos de subsistência tipo: abóbora, maxixe, quiabo, milho e outros, todos produtos orgânicos. Os produtos foram comercializados através da Cooperuna, nos municípios de Ilhéus, Itabuna, Una, Uruçuca e Canavieiras, gerando uma renda bruta para os produtores de R$ 9.939,25. Além dos resultados de ordem econômicos, os produtores fizeram na prática um exercício de comercialização, pois, eles próprios conseguiram abrir mercados para a comercialização. A parte burocrática ficando sob responsabilidade da cooperativa. Outro resultado alcançado foi a conservação ambiental das áreas, pois existia o risco dessas áreas serem transformadas em plantios de mandioca, reiniciando aquele ciclo vicioso de corte e queima.

 

 

Joaquim Blanes J. Júnior - Instituto de Estudos Sócio Ambientais do Sul da Bahia
Walter Lima - Instituto de Estudos Sócio Ambientais do Sul da Bahia
Luis de Lima - Instituto de Estudos Sócio Ambientais do Sul da Bahia
João Carlos Pádua - Instituto de Estudos Sócio Ambientais do Sul da Bahia
Myriam Gomes - Conservação Internacional do Brasil