PRODUÇÃO DE MUDAS: frutíferas e flores tropicais


“ Produzir mudas como agronegócio é mais uma receita agregada ao produtor”.

Existem duas maneiras de propagação de mudas:
1. REPRODUÇÃO - propagação sexuada, via seminal, por semente.
2. MULTIPLICAÇÃO - propagação vegetativa ou assexuada, utiliza-se partes da planta.
Para formação e desenvolvimento das plantas reproduzidas por sementes é necessário que o pólen (gameta masculino) fecunde o óvulo (gameta feminino) contido no ovário da flor. Como resultado dessa polinização, o ovário se transformará em um fruto com suas respectivas sementes. Estas sementes plantadas darão plantas cujas flores, no momento da formação dos gametas: masculino (pólen) e feminino (óvulo) os caracteres hereditários dos pais normalmente se separam. Daí, se propagarmos por sementes uma planta frutífera de reconhecido valor pelas finas qualidades de seus frutos, dificilmente conseguiremos descendentes que produzam frutos idênticos. Ao contrário, se multiplicarmos a mesma planta frutífera através de enxertos ou outro método de propagação vegetativa, conseguiremos produzir descendentes cujos frutos irão ter as mesmas qualidades finas da planta mãe.


Fenômeno da incompatibilidade sexual – há plantas frutíferas, como o cacaueiro, que apresentam o fenômeno da incompatibilidade sexual, isto é, plantas da mesma espécie se cruzam mas não dão frutos. São plantas incompatíveis, que podem ser:

a) Auto-incompatíveis – quando não há fecundação no cruzamento entre as flores da mesma planta. b) Inter-incompatíveis – quando não há fecundação no cruzamento entre flores de uma planta com outra. Do mesmo modo, se propagarmos por sementes uma dessas plantas, de reconhecido valor pelas excelentes qualidades de seus frutos, boa produtividade e elevado grau de tolerância à vasoura-de-bruxa, dificilmente iremos conseguir descendentes com essas mesmas qualidades.


Todavia, através da propagação vegetativa, conseguiremos transferir integralmente para os descententes (plantas filhas), os mesmos caracteres genéticos da planta mãe. Existem entre os cacaueiros plantas compatíveis: a) Auto-compatíveis – há fecundação no cruzamento entre flores da mesma planta. b) Inter-compatíveis – há fecundação no cruzamento entre flores de uma e outra planta. Neste caso, se propagarmos uma dsessas plantas, pelos dois métodos, reprodução ou multiplicação, os descendentes serão idênticos à planta que lhes deu origem. No caso específico do cacaueiro, a propagação vegetativa com a utilização dos ramos plagiotrópiccos (palmas) é vantajosa pela redução do porte da planta favorecendo a colheita e o fácil manejo.


De modo geral, a maioria das plantas frutíferas, de importância comercial, é propagada vegetativamente, para assegurar a carga genética da planta mãe ou planta matriz aos seus descendentes.

 

ALGUNS CONCEITOS:

• Muda – material de propagação vegetal de qualquer gênero, espécie ou cultivar, proveniente de reprodução sexuada ou assexuada, que tenha finalidade específica de plantio.
• Muda-de torrão – muda com as raízes envolvidas por porção de terra devidamente acondicionada.
• Muda-de-raíz-nua – muda com raízes expostas, devidamente acondicionadas.
• Viveiro – área convenientemente demarcada para a produção de mudas.
• Viveiro a céu aberto - área livre demarcada para o plantio de mudas.
• Viveiro rústico – com cobertura e laterais protegidas com material rústico (folhas de palmeiras etc.)
• Planta matriz – planta original com bons atributos genéticos de onde se extrai as hastes (garfos e borbulhas) para a propagação vegetativa.
• Propagação vegetativa – processo de reprodução assexuada.
• Produtor de mudas – pessoa física ou jurídica que produza sementes ou mudas por meio de semeadura ou plantio, assistido por um responsável técnico.
• Enxertia – método de propagação vegetativa para substituição da copa de uma planta visando a melhoria genética.
• Porta-enxerto ou cavalo – parte da enxertia que fornece as raízes,
• Enxerto ou cavaleiro – parte superir da enxertia que force a copa.
• Clone – planta ou conjunto de plantas genéticamente iguais à planta matriz.
• Estaquia – método de propagação vegetativa pelo enraizamento de estacas.
• Estaca – parte caulinar(pedaços do caule) usada para enraizamento.
• Alporquia – processo de multiplicação de plantas por enraizamento dos ramos antes de serem destacados da planta matriz ou planta-mãe.
• Pé-franco – muda obtida de semente, estaca ou raiz, sem o uso de enxertia.
• Muda-de-raíz-nua – muda com raízes expostas devidamente acondicionadas.
• Muda-de-torrão – muda envolvida por porção do solo devidamente acondicionada.
• Muda seminal – originária de semente.
• Muda clonal – originária de um clone.

 

ENASEM – Registro Nacional de Sementes e Mudas:
- Instituído no MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento pelo Art. Nº 7 da Lei Nº 10.711 de 5 de agosto de 2003, dispõe sobre os critérios legais para a produção de mudas a nível nacional.
• Validade do Registro - 3 anos
• Comunicação para alterações - 30 dias
• Cancelamento automático - 60 dias após o vencimento.

ISENÇÃO DO REGISTRO - Art. Nº 8: ficam isentos da inscrição no RENASEM os agricultores familiares, os assentados da reforma agrária e os indígenas que multipliquem sementes ou mudas para a distribuição, troca ou comercialização entre si.

ALGUNS CRITÉRIOS DA LEI: o material de propagação (vegetativa ou seminal) de qualquer gênero, espécie ou cultivar, para a produção de mudas, deverá ser proveniente de planta matriz, jardim clonal ou borbulheira, previamente inscrita no órgão fiscalizador.
O Art. 5º, atribui competência aos Estados para elaborar normas e procedimentos relativos à produção de sementes e mudas, exercer fiscalização do comércio estadual.
O processo de produção de mudas compreende as seguintes etapas:
• Obtenção da planta básica
• Obtenção da planta matriz
• Instalação do jardim clonal
• Instalação de borbulheira
• Produção da muda

PROPAGAÇÃO SEMINAL DE FRUTÍFERAS EM VIVEIRO
a) Preparo do germinador:
escolher um canteiro ou parte do canteiro, tendo como substrato, areia lavada grossa misturada com pó de serra úmidos. Sementes sadias, a depender do tamanho, distribuir em sulcos rasos ou espalhadas cobrindo-as levemente com o substrato. Logo após proceder a rega com o auxílio do regador. Regar de 2 em 2 dias, não regar em periodo chuvoso.
b) Transplantio - Após a germinação, em torno de 25 a 30 dias, transferir as mudinhas (plântulas) para as sacolas plásticas.

 

SUBSTRATO PARA AS MUDAS
Terriço - a qualidade do terriço é essencial para o bom desenvolvimento das mudas. Merece atenção especial porque é desse material que as novas plantas vão retirar os nutrientes para os seus primeiros 90 a 120 dias de vida. A depender da origem, deve ser tratado e fertilizado técnicamente. O lixo urbano de 5 anos pode ser utilizado como terriço, todavia merece cuidados fitossanitários, uma vez que, constitui fonte de inóculo de nematóides do gênero Meloidogyne spp, são vermes microscópicos, parasitas de raízes das plantas cultivadas. Há uma recomendação agroecológica com cinzas de madeira para o tratamento: misturar bem as cinzas ao terriço em proporções adequadas. Solos pobres de barranco devem ser fertilizados técnicamente.

COMO FERTILIZAR UM TERRIÇO TECNICAMENTE
Em experiências com os nossos alunos do curso de Agropecuária da Emarc-UR alcançamos bons resultados com o seguinte preparo:
• 1000 litros de terriço (50 latas)
• 01 kg da fórmula 4-14-8 (ou similar que guarde a mesma relação 1-3-2)
• Composto orgânico na proporção de 5:2 ( se enriquecido c/ fósforo:5:1)
Obs,: Para facilitar o manejo, trabalhamos com porções de 250

PROPAGAÇÃO VEGETATIVA EM VIVEIROS:
1. ESTAQUIA - multiplicação por enraizamento de estacas. O Instituto Biofábrica de Cacau utiliza o fitormonio industrializado, Ácido Indolbutírico (pó branco) como indutor de raízes para a produção de mudas de cacau e outras espécies botânicas.

RECEITA AGROECOLÓGICA PARA INDUÇÃO DE RAÍZES
Naturalmente, as plantas possuem o fitormônio Indolbutírico para a formação específica de suas raízes. Porém, é sabido que as gramíneas dandá e tiririca, concentram quantidades mais elevadas dessa substância. O viveirista Arnor, do Viveiro II de Plantas Ornamentais, funcionário da Emarc-Ur nos apresenta a seguinte Receita:
MATERIAIS: 1kg Dandá ou Tiririca 250 mL Álcool cereal 1L Água
PROCEDIMENTO: Moer ou macerar bem os bulbos (batatinhas) com as folhas e colocar na água durante 48 horas, em seguida, coar e colocar no álcool.
DURAÇÃO: 30 dias
USO: imersão da estaca até a metade durante uns 2 minutos.

 

PROPAGAÇÃO DE MUDAS RESISTENTES DE FRUTÍFERAS
• Abacaxizeiro. Propgação em campo.
O abacaxizeiro é propagado assexuadamente através de seus órgãos vegetativos.
No cultivo da abacaxi, a sanidade do material de plantio assume grande importância, uma vez que, a fusariose e a cochonilha constituem os principais problemas fitossanitários dessa cultura.
Tipos de mudas:
a) Rebentos - ramos foliáceos que se desenvolve de gemas encontradas na parte subterrânea do caule.
b) Rebentões –ramos foliáceos que surgem de gemas encontradas na zona entre o caule e o pedúnculo.
c) Ramos foliáceos que crescem de gemas do pedúnculo, logo abaixo do fruto.

A EMBRAPA/Cruz das Almas-BA. – lançou em 2003, o Abacaxi Imperial resistente à doença fusariose (apodrecimento do fruto) causda pelo fungo Fusarium subglutinans, responsável pelas perdas de produção do país, superiores a 80%.
BIOFABRICA DA EMBRAPA:
Endereço para contato: Rua Embrapa S/N. Cx Postal 007.
CEP.: 44380-000 Cruz das Almas/BA.
Telefax.: (75)3621-2584
E-mail: maurílio@cnpmf.embrapa.br

Bananeira - propagação em campo
Tipos de mudas:
a) Chifrinho - com 50cm
b) Chifre – com 80cm
c) Chifre-de-veado - de 80cm a 1,0m
d) Pedaços de 1 kg de rizoma
e) Pedacinhos triangulares extraídos do rizoma

MUDAS DE CULTIVARES DE BANANEIRAS RESISTENTES `A SIGATOKA NEGRA,SIGATOKA AMARELA e ao MAL-DO-PANAMÁ:
1. Caipira 3. Thap maeo 5. Fhia 01
2. Pakovan Ken 4. Fhia 18 6. Tropical

PRODUÇÃO DE FLORES TROPICAIS

A floricultura mundial movimenta, em sua cadeia produtiva, mais de 50 bilhões de dólares. Nesse mercado, as flores tropicais representam apenas 5%, o que evidencia um grande espaço para ser ocupado. Pela beleza de suas cores,exoticidade de suas formas e maior durabilidade nos vasos, fizeram com que saíssem de apenas uma atividade prazerosa dos jardins, para se tornarem um agronegócio com grandes perspectivas.Os países importadores têm mostrado grande receptividade e interesse.
Exemplos das mais preferidas:
Heliconias – multiplicação por bulbos, dispensa o replantio. Floração: o ano todo. Folhagem de porte alto, dependendo da variedade, pode atingir até 2,5m de altura. Produz flores exóticas com cores que variam de amarela, vermelha ou combinadas entre si.. Forma touceiras. Adapta-se a qualquer clima, mas prefere calor e umidade. Originária da América do Sul. Nome vulgar: banana-do-mato.


Algumas variedades: Heliconia wagneriana; Heliconia rostrata; Heliconia bihai; Heliconia rauliniana etc.


Bastão do Imperador (Etlingera elatior) - multiplicação por bulbos e rebentos foliares. Folhagem alta, produz lindos cachos de flores vermelhos. Características de clima similar às heliconias.


Bastão-de-príncipe – similar ao bastão-do-imperador, porém, de porte baixo e flores cor de rosa.


Musas – multiplicação por rizomas. Destacam-se as espécies Ensete ventricosum pela exuberância de suas folhas e Musa veluntina com as flores rosa encarnado.


Costus - multiplicação por rizomas. Vulgarmente conhecida como cana-de-macaco, tem destaque nos jardins de todo o Brasil as espécies Costus spicatus SW, hastes de 0,80m, flores amarelas e a Costus cobra, de hastes compridas com nós e entre-nós coloridos de verde, branco e vermelho.


Sorvete (Zingíber spectalis) – família das Zingiberáceas, a mesma do Costus, destaca-se pela exuberância de suas flores globosas no ápice das hastes, tomando a forma de um sorvete. Dá um toque especial nos arranjos ornamentais junto às helicônias. Multiplicação por bulbos.

 

Antúrio (Anthurium spp) – destaca-se pelas folhas verde-brilhantes, de limbo geralmente cordiforme e variadas matizes das flores de inflorescência tipo espádice ereto (sub-tipo da espiga). Entre as epécies nativas e cultivadas no Brasil encontram-se: A.belleum Schott; A. harrisii Don; A. radicans Koch; A. regale Linden; A. scandens Engl e A.scherzerianum Schott, sendo a espécie A. andreanum Linder, a mais comum no Brasil. Multiplicação por estacas. Se desenvolvem abrigadas do sol e dos ventos.

FOLHAGENS: destacam-se as Cordylines, Dracenas, Pandanos e Filodendros
Dracenas – multiplicação por enraizamento. Corta-se a haste 30 ou 40cm do broto terminal, elimina-se as 3 folhas inferiores e coloca-se num vaso com água para enraizar. Após o enraizamento, transporta-se para o vaso definitivo com composto orgânico umedecido.

Cordiline ou dracena-rosada (Cordyline sp) – multiplicação igual às dracenas.

Filodendro (Philodendron selloum) – outros nomes vulgares imbé ou cipó-de-imbé. Multiplicam-se por estacas.
As folhafens normalmente preferem lugares claros, mas protegidas da incidência direta da luz solar.

RECEITAS DE PREPARO DE SOLOS PARA PLANTAS ORNAMENTAIS

1. Mistura Universal – uma receita que segundo os paisagistas, satisfaz as necessidades do maior número de plantas:
7 partes de terra argilosa preta
3 partes de esterco curtido ou composto orgânico
2 partes de areia grossa
Podendo aperfeiçoa-la adicionando em cada 5 kg da mistura acima os seguintes ingredientes:
. ½ colherinha de giz moído ou calcário (exceto para as azáleas que preferem solo ácido)
. 2 colherinhas de farinha de ossos ou 1 de cinzas de ossos
. 2 colherinhas de superfostato simples
. 1 colherinha de sulfato de potássio ou cloreto de potássio.

Obs.: dispensar o potássio se o composto orgânico teve em sua composição fragmentos do pseudo-caule inteiro com as folhas de bananeira).

2. Receita de preparo de solos para as plantas tropicais em geral:
. 2 partes de areia lavada grossa
. 1 parte de argila solta
. 1 parte de terra preta
. 1 parte de composto orgânico ou esterco curtido ou ½ parte de húmus de minhoca.
Para cada 5 kg da mistura, adicionar os seguintes ingredientes:
. 1 colher-de-sopa de carvão em pedacinhos
. 1 colherinha de giz moído ou calcário

3. Receita para roseiras – preparo de canteiros:
Os canteiros devem ser preparados 8 dias de antecedência do plantio.
Fofar a terra 30 a 40 cm de profundidade.
Misturar 10 a 15 kg de esterco curtido ou 5 a 7,5Kg de húmus de minhoca por metro quadrado (m2).
Completar a adubação, misturando bem 100 a 200 gramas de farinha de ossos ou 50 gramas de cinzas de ossos.
Obs.: Além de roseiras, este preparo de canteiros serve também para bulbos e plantas tropicais diversas.
Cuidados com as mudas: Conservar as mudas de roseiras na sombra até a hora do plantio e plantar o mais rápido possível.
Espaçamento das mudas: de acordo com as variedades.
. Roseiras de menor porte - 30 a 50cm
. Roseiras de maior porte - 70cm, 1,0 a 2,0m
Plantio das mudas de roseiras:
. Abrir as covas com 30cm de profundidade
. Colocar a muda na cova, enchendo-a com terra aos poucos apertando levemente junto as raízes e logo após, regar bem.. Se a muda for de torrão basta retirar a sacola plástica que a envolve e plantar. Se as mudas forem de raiz nua, ao retirar a embalagem que protege as raízes, mergulha-las em água por 2 a 3 minutos. Ao colocar a muda na cova, localizar o ponto do enxerto, deixando-o a 1cm acima do solo. Nos meses quentes, proteger as mudas recém plantadas, durante 15 a 20 dias, com folhas de palmeiras ou ramos de folhagens. Regar diariamente, de preferência à tarde com o sol mais frio, até o início da floração. Depois só nos dias quentes. Roseiras não gostam muito de água. Manter a terra do canteiro sempre fofa e livre de plantas invasoras. Importate: Assim que surgir as primeiras folhas, fazer uma aplicação do fungicida Dithane – 45 a 0,02%, pois nesse período o ataque de doenças é mais severo.

 

ESTAQUIA EM PLANTAS DE INTERIOR
- plantas de interior - São as plantas umbrófilas, do interior da casa, amigas da sombra.
Cortar o broto terminal a 8 ou 10cm abaixo de uma junta de folhas, deixando-se
3 a 4 folhas no topo. Colocar as estacas para enraizar numa parte do canteiro, usando-se como substrato, composto orgânico puro, sem terra. Fazer o enterrio até a metade do ramo, firmar ligeiramente e logo após, molhar o composto. Usar um pauzinho roliço para fazer as covas. Protege-las da luz direta e da ação dos ventos. Logo que começarem a crescer, podem ser retiradas e envasadas individualmente.
 
PRODUÇÃO DE MUDAS DE CACAU

1. Construção do viveiro (rústico ou de alvenaria)
a) Localização: próximo a água e fácil acesso
b) Piso: plano ou declive até 5%
c) Boa drenagem: utilizar areia lavada grossa – mínimo 2cm. Para Viveiros de alvenaria, usar, se possível, brita e areia grossa nos lastros dos canteiros, 5 a 10cm da primeira e 10 a 15cm da segunda.
d) Sentido: Norte-Sul

2. Preparo de terriço
- Para solos pobres de barranco até 60cm de profundidade.
Misturar em 1000 litros (recomendação da Ceplac):
1 kg de calcário dolomítico (o calcário deve ser bem misturado até desaparecer a coloração branca)
4 kg de Superfodfato simples
25gramas de FTE BR-12.

Outra mistura de terriço experimentada na Emarc-Ur com bons resultados:
Para 1000 litros de solo pobre, misturar:
1 kg da fórmula 5-15-10 ou 4-14-8, que guardam a mesma relação 1:3:2
Esterco de gado curtido ou composto orgânico simples na proporção de 5:2
Esterco de galinha ou composto orgânico enriquecido com fósforo na
proporção de 5:1.

 

ENXERTIA DE CACAU EM VIVEIROS

Dado o fácil domínio, os tipos de enxertia mais usados pelos produtores são:
a) Garfagem de topo em fenda cheia: neste caso, o diâmetro do enxerto deve ser compatível com o diâmetro do porta-enxerto.
b) Garfagem de topo em meia-fenda: o diâmetro do enxerto é mais fino que o do porta-enxerto.
Tamanho dos garfos: condicionado ao número de gemas, mínimo de 2 e máximo de 4. (Gemas – são as pequenas estruturas no canto da folha ou seja, na axila foliar)
Tempo de realização de cada enxerto: em torno de 30 segundos, para evitar oxidação da seiva.
Fitossanidade: descartar garfos praguejados e doentios. No corte do bisel é comum observar-se algumas estrias castanho-escuras que são sintomas da doença fúngica Lasiodiplodia. A cigarrinha-dos-ramos, por sua vez, deixa os ramos inchados com fendilhamentos ressecados. Garfos com esses danos devem ser eliminados


COLETA DE HASTES OU VERGÔNTEAS
a) As hastes devem ser colhidas de clones ou matrizes certificadas, oficialmente recomendadas de jardins clonais devidamente credenciados.
b) As hastes devem ser colhidas nas horas mais frescas do dia, pela manhã ou à tarde.
c) Conservação das hastes: Parafinar 1 a 2cm das extremidades para evitar a desidratação. Acondiciona-las em papel jornal umedecido e transportar em caixas de isopor.
PORTA-ENXERTOS - Com o advento da doença mal-do-facão, no Sul da Bahia, a Ceplac passou a recomendar sete clones descendentes do clone IMC, tolerantes ao fungo Ceratocystes fimbriata, causador da doença: TSH – 1188; CEPEC – 42; TSA – 654; TSA – 792; TSA – 656; TSH – 774 e TSH – 565

O clone LC TEEN 37 A, oficializado pela Ceplac o ano passado, na 26ª Semana do Fazendeiro, constitui uma nova base genética originária do Equador. Segundo informação de Didie Clement num Seminário no auditório do Cepec no dia 26/09/2005, esse clone é resistente à doença Monília
PADRÕES DE MUDA SEMINAL DE CACAU ESTABELECIDOS PELA DELEGACIA FERAL DE AGRICULTURA DA BAHIA – DFA
. Tamanho e desenvolvimento uniforme
. Aspecto fitossanitário saudável
. Apresentação de 5 a 8 folhas maduras
. Caule apresentando 0,7 a 1,0cm na altura do nó cotiledonar
. Idade de 4 a 6 meses
. Sistema radicular normal sem exposição das raízes

BIBLIOGRAFIA:

01. RENASEM- Registro Nacional de Sementes e Mudas/ Delegacia Federal de Agricultura
do Estado da Bahia– Legislação sobre Produção de Sementes e Mudas – Ago/2003
02. BIOFÁBRICA DA EMBRAPA/Cruz das Almas/BA
E-mail: maurílio@cnpmf.embrapa.br
03. INSTITUTO BIOFÁBRICA DE CACAU – Informativo – 2004.
04. TITCHMARSH, Alan – O Fascinante Livro das Plantas. Edições Siciliano-1983.
05. CHEPOTE, Rafael Edgardo e outros. Recomendações de Corretivos e Fertilizantes na Cultura do Cacaueiro no Sul da Bahia- 2ª aproximação – 2005.
06. FLORASSULBA – Flores e Folhagens Tropicais. E-mail: florassulba@hotmail.com
07. MURAYAMA, Shizuto – FRUTICULTURA – 1980
08. AGENDA – 26ª Semana do Fazendeiro/Ceplac/Emarc-Uruçuca – 2004
09. REVISTA Roselândia Nº 24 – 1996
10. COMPTON, Joan – Plantas Para Casa – 1978
11. PEREIRA, Aldo – Jardinagem Prática - 1978
 

 

Carlos Josafá de Oliveira
Engo. Agro.
CEPLAC/CENEX/EMARC-URUCUCA