FRUTIFERAS POTENCIAIS PARA A REGIÃO SUL DA
BAHIA
INTRODUÇÃO
A região sul da Bahia apresenta condições de clima e de solo favoráveis ao
cultivo de diversas frutíferas entretanto, o investimento em fruticultura
depende do conhecimento técnico para manejo racional da cultura e conhecimento
do mercado, por isso, torna-se necessário um planejamento cuidadoso antes da
implantação.
Para decidir o que plantar, o produtor deve se informar previamente sobre o
comportamento da espécie frutífera na região, o tamanho do mercado comprador, a
localização do mercado. É importante saber também qual a produtividade, qual a
época de produção, quem está produzindo e os preços obtidos, a oscilação de
preços no mercado qual o nível de tecnologia, principais pragas e doenças,
infraestrutura necessária. No caso do investimento em fruticultura, considerando
a perecibilidade das frutas, quanto maior a possibilidade de uso da fruta, menor
será o risco. Desse modo, uma fruta que possa ser consumida ao natural mas
também possa ser utilizada para fazer doces, licores, vinho e outros produtos
torna-se mais vendável que uma fruta com pouca utilidade.
Atualmente as agroindústrias locais estão expandindo seus mercados e colocando
seus produtos em outros estados e até no exterior, portanto haverá necessidade
de regularidade na produção de frutas para atender a demanda.
Para reduzir os riscos de comercialização o produtor deve sempre que possível
associar-se a outros produtores para a formação de volume de comercialização. O
associativismo, quando bem conduzido reduz os custos de produção e
comercialização.
Outro fator a ser considerado é a diversificação de plantios utilizando, sempre
que possível, cultivos em sistemas agroflorestais, os quais favorecem a
conservação do solo e reduzem os ricos da monocultura.
É importante lembrar que existe disponibilidade de tecnologia produção com
qualidade da maioria das frutas conhecidas, portanto o produtor deve sempre
consultar um profissional ou se informar através de cursos antes de iniciar o
investimento.
É importante lembrar, que tomada a decisão de cultivar uma determinada frutífera
deve-se trabalhar sempre com mudas de qualidade genética e fitossanitária. Na
atividade agrícola a qualidade da muda é o principal aspecto a ser observado.
Considerando-se que as frutas são perecíveis recomenda-se que o produtor
verifique sempre a possibilidade de fornecimento para agroindústrias próximas à
propriedade.
Feita essas considerações apresentamos abaixo informações sobre algumas
frutíferas potenciais cultivo na região sul da Bahia, tecendo comentários a
respeito do manejo e do mercado:
Abacaxi - A propagação é feita com rebentos, rebentões e coroa os quais
podem ser obtidos em plantios comerciais em bom estado fitossanitário.Atualmente
mudas produzidas em tubetes são as mais seguras tanto em qualidade genética
quanto fitossanitaria. Novas variedades de abacaxi, tolerantes a doenças, estão
sendo lançadas pelas empresas de pesquisa. São necessárias de 30.000 a 50.000
mudas para cada hectare, dependendo do espaçamento utilizado. O uso da indução
floral com a aplicação de regulador de crescimento uniformiza a frutificação e
permite direcionar a colheita para épocas de preços mais favoráveis.
Em termos de mercado a região sul da Bahia sofre grande concorrência com outros
estados do nordeste, principalmente a Paraíba, onde as condições são mais
favoráveis ao cultivo dessa frutífera. O abacaxi, além do consumo ao natural é
bastante utilizado pelas agroindústrias de polpa e doces.
Açaí - O açaizeiro é uma palmeira introduzida da região amazônica cujos
frutos estão tendo bastante aceitação no mercado nacional e internacional. O
açaizeiro serve também como fonte de palmito, embora seja inferior ao palmito da
pupunha. O açaizeiro pode ser cultivado em mata rala e em terrenos com problemas
de drenagem. A planta é propagada por sementes e o espaçamento de plantio é de 4
m, com a condução de 3 a 4 plantas por touceira e começa a produzir a partir do
quarto ano. A comercialização dos frutos ainda é pequena ou seja, há poucos
compradores, entretanto existe um mercado potencial nos grandes centros do sul e
sudeste do Brasil.
Banana - Apesar do ótimo clima , a região sul da Bahia não produz banana
de qualidade, devido principalmente a falta de tecnologia, qualidade e volume de
produção. Além disso, os grandes centros consumidores como Rio de Janeiro, São
Paulo e Minas Gerais e os estados do sul preferem as bananas nanicas, sendo
abastecidos por plantios dos próprios estados. Desse modo, a comercialização
fica restrita às feiras livres, com um preço extremamente baixo devido ao
excesso de ofertas. A bananeira pode ser utilizada na implantação de frutíferas
que necessitem inicialmente de sombra (cacaueiro, cupuaçuzeiro, mangostanzeiro).
A banana pode ser usada na fabricação de doces, licores, cristalizados e purê.
Cajá - Não há plantios comerciais de cajá no Brasil, somente exploração
extrativista, entretanto trata-se de uma espécie ideal para utilização em
sistemas agroflorestais juntamente com plantas que toleram sombreamento como
cacaueiro, cupuaçuzeiro e outras frutíferas. O espaçamento deve ser acima de 15
m. A cajazeira pode ser multiplicada por sementes mas leva de 8 a 10 anos para
iniciar a frutificação. Desse modo recomenda-se o plantio com estacas de 1,0 m
de comprimento e 5 cm de diâmetro.
Cupuaçu - O cupuaçuzeiro comporta-se muito bem na região sul da Bahia, é
bastante rustico e produz durante 10 meses do ano. As mudas podem ser feitas por
sementes, as quais devem ser coletadas em plantas produtivas e com diferentes
épocas de produção. O espaçamento mínimo recomendado para o cupuaçuzeiro é de 6
x 6 m e pode ser consorciado com outras plantas mais altas. Cada planta produz
em média 40 frutos. O fruto é colhido quando cai no chão e pode ser vendido,
despolpado manualmente ou em despolpadeiras. A polpa serve para suco, sorvetes,
geleia, doces, cristalizado e compota. As sementes são utilizadas para fazer o
cupulate e também usadas para fabricação de cremes.
Goiaba - A goiabeira frutifica bem na região sul da Bahia, entretanto a
qualidade dos frutos e a produtividade são inferiores quando comparadas com o
cultivo de outras regiões de clima mais favorável. A goiaba pode ser propagada
por sementes, estaquia e enxertia. Atualmente o melhor método de propagação é a
estaquia herbacea. O espaçamento médio é de 5 m. A produção inicia-se a partir
do 2º ano e pode alcançar até 40 toneladas por hectare. A região sul da Bahia
sofre grande concorrência com as áreas produtores do Vale do São Francisco e
alguns estados nortinos. A fruta é utilizada para fazer goiaba, suco, sorvete,
doces e cristalizado.
Graviola - A gravioleira comporta-se bem na região sul da Bahia e é
bastante rentável entretanto necessita de atenção especial ao seu cultivo,
devido principalmente à quantidade de pragas e doenças. As mudas podem ser
propagadas por enxertia ou por sementes e o espaçamento mínimo é de 5 x 5 m.
Para cada hectare cultivado há necessidade diária de 1,5 a 2,0 homens e mais uma
pessoa para trabalhar no despolpamento. Caso não haja alguma agroindústria por
perto, a propriedade precisa dispor de eletricidade, água limpa, galpão de
beneficiamento com todos equipamentos necessários ao despolpamento, embalagem e
conservação da polpa. A polpa tem ampla utilização na fabricação de sorvetes,
geleia, doces, cristalizado e compotas.
Laranja - Nas condições tropicais úmidas as laranjeira não produzem
frutos de boa qualidade, geralmente os teores de açúcar e de acidez são baixos
para atender as exigências da industrialização e não apresentam visual de casca
amarela típico das frutas cítricas. Além disso, no estado da Bahia, há regiões
estritamente citríciolas como Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, as quais
abastecem todo o estado da Bahia. Desse modo não há como competir em qualidade e
produtividade com as frutas cítricas produzidas em outros estados do sudeste.
Para a implantação de um pomar de laranja as plantas cítricas são progadas via
enxertia estas devem ser provenientes de viveiristas credenciados. O espaçamento
entre plantas varia de 4 a 6 m e a produção comercial começa a partir do 4º ano.
Mamão - Essa frutífera demanda bastante tecnologia e grande investimento
para se obter alta produtividade e qualidade dos frutos. Para pequenos
produtores o mercado está restrito às feiras uma vez que, as grandes redes de
supermercados são abastecidos por grande produtores do extremo sul. Desse modo,
o mamão pode ser cultivado no nas entre linhas, no início da implantação de
pomares de outras fruteiras. O espaçamento mínimo para o mamoeiro é 2 x 2 m.
Vale lembrar que o mamoeiro não tolera sombra, portanto, no caso de consorciação
deve-se plantar primeiro o mamoeiro e depois as outras culturas.. A
produtividade pode alcançar 40 toneladas por hectare, quando se usa alta
tecnologia. As sementes podem ser adquiridas em casas comerciais ou em pomares
da região, lembrando que ocorre redução da produção e da qualidade quando se
utiliza sementes de procedência duvidosa. Além do consumo ao natural o mamão
serve para fabricação de suco, purê, doces e cristalizados.
Mangostão ou mangostin - O mangostanzeiro é uma opção interessante para a
região tropical pois apresenta grande rentabilidade devido ao alto preço dos
seus frutos. Entretanto a planta começa a produzir somente a partir de 8 ano e a
muda precisa de 2 anos para o plantio. A muda é formada por sementes em sacos de
polietileno de 40 cm de altura e 25 cm de diâmetro com espessura 12 micras. O
espaçamento mínimo a ser utilizado é 10 x 10 m. Durante os primeiro quatro anos
o mangostanzeiro deve ser cultivado à sombra a qual deve ser raleada
gradativamente. A produção de plantas adultas está em torno de 600 frutos
selecionados. Considerando o seleto mercado dessa fruta recomenda-se que os
plantios sejam estabelecidos próximos de outros pomares comerciais para formação
de volume de produção. Atualmente a comercialização do mangostão é feito através
de 1 ou 2 cooperativas. Os frutos são utilizados somente para consumo ao
natural.
Maracujá - O maracujazeiro é uma planta bastante precoce e bastante
produtiva, entretanto o preço dos frutos é historicamente baixo nos períodos de
safra (novembro a julho). No período de agosto a novembro (época de preços
melhores) quase não ocorre produção na região sul da Bahia. O investimento
inicial de implantação de um pomar de maracujá é bastante alto e o plantio
precisa ser renovado a cada 2,5 anos. Os espaçamentos não mecanizados podem ser
de 2,5 m entre plantas e 2,5 a 3,0 metros entre fileiras. A melhor época de
plantio é no mês de maio pois a produção começa a partir de novembro. A colheita
é feita duas a três vezes por semana e desse modo há necessidade de um mercado
comprador próximo do plantio, devido a perecibilidade dos frutos. Os frutos tem
ampla utilização nas agroindústrias de suco.
Pitanga - A pitanga tem ampla utilização na confecção de sucos, sorvetes,
geleias, licores. Não existem variedades bem definidas de pitangueira mas o
produtor deve estar atento para a qualidade dos frutos os quais devem apresentar
mais de 6 ºBrix (açucar). Essa qualidade só tem sido verificada nas pitangas
roxas. O espaçamento mínimo para a pitangueira deve ser 4 m. Nas condições do
sul da Bahia a safra principal ocorre entre outubro e novembro e uma entre safra
em maio e abril. Devido a perecibilidade dos frutos recomenda-se que os plantios
sejam próximos a agroindustrias.
Rambutão - É uma frutífera originaria da Ásia que está sendo cultivada em
pequenas áreas de alguns municípios baianos e encontra-se ainda em expansão na
região. Produz uma fruta bastante vistosa e gostosa, com grande potencial de
exportação, entretanto ainda não há variedades selecionadas e as plantas são
propagadas por sementes podendo ser masculinas ou hermafroditas (flores com dois
sexos). O espaçamento mínimo recomendado é 8 x 8 para plantas propagadas por
sementes. A produção vai de abril a agosto na região sul da Bahia. Os frutos são
comercializados principalmente nos grandes centros urbanos.
Noções gerais sobre fruticultura
Plantio
O plantio é normalmente efetuado na época das chuvas ou em qualquer época onde
existe a possibilidade de irrigação. No caso de plantas que produzem antes de 1
ano de campo, como o maracujá e mamão, há épocas mais favoráveis de plantio
visando a produção em períodos de preços mais compensadores. Na maioria das
frutíferas utilizam-se covas de 40x40x40 centímetros as quais devem ser
preenchidas com terra da superfície, 10 litros de esterco curtido de gado e
adubo conforme a recomendação da análise de solo.
Os espaçamentos variam de acordo com cada espécie e com os tratos culturais a
serem utilizados: manual ou mecânico.
No plantio de frutíferas perenes recomenda-se intercalar outros cultivos ou
fruteiras para exploração comercial durante o período de crescimento vegetativo
da frutífera principal. O mamão, abacaxi, maracujá e a melancia são exemplos de
frutas que podem ser cultivadas entre as linhas do cultivo principal.
Poda
Algumas frutíferas precisam de poda de condução, poda de formação, poda de
limpeza e poda de frutificação. Cada planta apresenta um tipo e uma época
apropriada de poda.
As podas de condução e de formação são feitas visando manter a planta numa forma
e altura favoráveis aos tratos culturais. A maioria das fruteiras enxertadas é
mantida com alturas entre 2 e 3 metros.
Adubação
A adubação das frutíferas deve ser feita baseada na análise de solo e análise
foliar. A analise do solo deve ser efetuada antes do plantio para verificar a
fertilidade do solo e a necessidade da aplicação de adubo e calcário.
Recomenda-se nova análise de solo a cada dois anos, sendo as amostras retiradas
na projeção da copa e entre as linhas de plantio. Em algumas espécies de
frutíferas a análise do solo deve ser complementada com a análise foliar.
Tratos culturais
Controle de plantas daninhas: Após o plantio as plantas devem ser
mantidas sem ervas daninhas (mato). O mato pode ser controlado com capinas,
roçagem ou aplicação de herbicidas, entretanto o solo não deve ser mantido
totalmente descoberto pois isso aumenta a temperatura do solo. Recomenda-se o
plantio de leguminosas ou cobertura morta.
Irrigação: Em locais onde a chuva não bem distribuída há necessidade de
se manter a umidade do solo através da irrigação pois longos períodos sem chuvas
causam atraso no crescimento das plantas, queda de flores e queda de frutos
Controle de doenças e pragas
O clima úmido favorece o aparecimento de doenças, desse modo, devem ser
efetuadas aplicações de fungicidas preventivamente. As pragas devem ser
monitoradas e em caso de danos econômicos devem ser controladas com aplicações
de inseticidas específicos ou com armadilhas.
Desbaste ou raleamento
Quando uma planta produz muitos frutos durante uma safra pode haver produção de
frutas pequenas as quais recebem menores preços no mercado. Quando isso acontece
o produtor deve fazer um desbaste no início de crescimento deixando na planta o
número de frutos necessários para produzir frutos com tamanho preferido pelo
mercado.
Indução de floração
Algumas plantas podem ser estimuladas a florescer permitindo a produção de
frutos na época de melhores preços. O produtor deve procurar orientação de um
técnico para o conhecimento e aplicação dessas tecnologias.
Colheita, transporte e beneficiamento
Os frutos devem ser colhidos no grau certo de maturação visando o mercado
consumidor. A colheita, transporte e beneficiamento dos frutos devem ser feitos
com o máximo de cuidado para evitar ferimentos que vão causar entradas de
doenças e apodrecimento dos frutos. Após a colheita as frutas devem ser sempre
mantidas em locais frescos e arejados, se possível refrigerados para manter a
qualidade por maior tempo.
Célio Kersul do Sacramento
José Basilio Vieira Leite
Engº Agrônomo, DSc. Engº Agrônomo, MSc.
Professor Titular do DCAA Pesquisador do CEPEC
Universidade Estadual de Santa Cruz