MANEJO DE DOENÇAS DO CACAUEIRO
O manejo das fitomoléstias, compreende a utilização de princípios e práticas que
visam aumentar o vigor do hospedeiro, reduzir o inóculo do patógeno e tornar o
ambiente desfavorável à multiplicação e disseminação do patógeno e à infecção do
hospedeiro.
No caso do cacaueiro, a ênfase dada a cada princípio varia com a natureza de
cada doença, assim:
Exclusão – Compreende o uso de medidas imperativas para evitar que
doenças inexistentes sejam introduzidas em uma dada região. Este é o caso da
monilíase na Bahia, no momento, como foram os casos da vassoura-de-bruxa e do
mal-do-facão, no passado. Pressupõe a adoção de medidas restritivas quanto à
movimentação de materiais botânicos (mudas, sementes, etc.) e a necessidade de
observação da legislação quarentenária.
Erradicação - Abrange desde a eliminação apenas das plantas infectadas ou
mortas até a erradicação da cultura na região afetada. Tal medida é fundamental,
por exemplo, no controle do mal-do-facão causado pelo fungo Ceratocystis
fimbriata e das doenças de raiz ocasionadas por Rosellinia spp. e
Ganoderma philippii.
Proteção – Compreende a interposição de barreiras, química ou biológica,
por exemplo, entre o patógeno e a planta hospedeira. Este, por exemplo, é o
princípio mais utilizado no controle da podridão-parda do cacaueiro. A adoção de
defensivos químicos hoje em dia, em função das preocupações com o meio ambiente,
envolve a escolha criteriosa de produtos eficazes e com baixa persistência no
ambiente, bem como, a utilização de métodos de aplicação adequados, além de
cuidados quanto à proteção do aplicador. A legislação fitossanitária obriga o
uso de receituário agronômico, vedando a utilização de produtos não registrados
para a cultura alvo. Os conhecimentos epidemiológicos sobre cada doença são
indispensáveis na definição do período de aplicação, otimizando as épocas de
início e conclusão das aplicações.
Resistência - Seria a medida ideal de controle das doenças de plantas,
por ser mais durável, eficiente e de baixo custo para o produtor. É a base do
atual manejo integrado da vassoura-de-bruxa. Por outro lado, o desenvolvimento
de variedades resistentes requer grandes investimentos em pesquisa, tanto em
instalações e equipamentos quanto em recursos humanos, demandando bastante tempo
na condução das pesquisas. Na cacauicultura existe grande necessidade de
realização de pesquisas visando a seleção e desenvolvimento de variedades com
resistências à monilíase, ao mal-do-facão e à podridão parda. Algumas pesquisas
já em curso precisam ser mais estimuladas.
Terapia - consiste na remoção cirúrgica das partes afetadas da planta. É
eficiente no controle dos cancros causados por Phytophthora spp. e
Lasiodiplodia theobromae. O uso de fungicidas sistêmicos com a finalidade de
interromper o processo infeccioso se enquadra neste princípio. O fungicida
sistêmico Folicur recomendado no controle da vassoura-de-bruxa, por exemplo,
atua como protetor e como sistêmico (erradicante).
A sanificação é uma prática muito importante no manejo integrado consistindo na
eliminação dos restos vegetais e partes mortas ou doentes das plantas que vão
servir como fontes de inóculo para o surgimento das epidemias de doenças, como
são os casos dos casqueiros para a podridão parda e das vassouras secas para a
vassoura-de-bruxa. O enterrio deste material é desejável no caso da
vassoura-de-bruxa, evitando a esporulação do fungo e facilitando sua degradação,
porém, nem sempre recomendado para a podridão-parda, uma vez que as espécies de
Phytophthora crescem e se multiplicam no solo. Teoricamente, a cobertura
dos restos vegetais teria o mesmo papel, impedindo a esporulação de
Crinipellis perniciosa desde que fosse permanente. A aplicação de uréia nos
casqueiros impede a esporulação de C. perniciosa e Phytophthora spp. ,
mas também atrasa a decomposição da matéria orgânica. O manejo deste material
através da compostagem seria o mais indicado, não tendo contra - indicações.
O controle biológico, consistindo na utilização de microrganismos antagonistas
atuando sobre o patógeno, reduz as fontes de inóculo e pode proteger o
hospedeiro contra as infecções. É um método que pode ser incluído no manejo
integrado, exigindo porém, conhecimento suficiente do modo de ação,
sobrevivência e persistência do antagonista no ambiente. É o caso do TRICOVAB,
fungicida biológico desenvolvido pela CEPLAC, contendo o fungo Trichoderma
stromaticum, que vem sendo usado com sucesso para reduzir o potencial de
inóculo de C. perniciosa nas plantações de cacau.
O controle cultural corresponde àquelas práticas
que visam a sanificação das plantações. Deve fazer parte da rotina das
propriedades agrícolas.
Assim o modelo geral do manejo integrado das principais doenças do cacaueiro
abrangeria:
1- Plantio do melhor material botânico disponível, respeitando-se as medidas
exclusionárias;
2- Solo, sombreamento e adubação adequados;
3- Controle das plantas invasoras;
4- Condução apropriada das plantas: formação da copa e eliminação de chupões;
5- Sanificação da plantação;
6- Utilização dos princípios fitopatológicos adequados a cada situação,
inclusive os controles biológico e cultural;
7- Inspeção fitossanitária sistemática e permanente na plantação;
8- Treinamento da mão-de-obra.
José Luiz Bezerra
Marival Lopes de Oliveira