O DENDEZEIRO COMO CULTURA ENERGÉTICA PARA OS TRÓPICOS ÚMIDOS


As reservas mundiais de petróleo conhecidas, diminuem à medida que o tempo passa, a produção em larga escala de energia a partir da biomassa torna-se cada vez mais importante, especialmente nos países tropicais com abundante disponibilidade de área, água e energia solar. O dendezeiro representa hoje a melhor chance de sucesso em função do seu alto potencial de produção por unidade de área, chegando a mais de 5 toneladas de óleo por hectare/ano.


O Brasil é o pais que apresenta as melhores condições em função da alta disponibilidade de terras aptas para o seu cultivo, localizadas na região amazônica e na região da mata atlântica no estado da Bahia e do completo conhecimento da tecnologia de produção de óleo a partir desta palmeira e possui mais de 70 milhões de hectares com condições de solo e clima adequados ao seu cultivo. Por outro lado, esta é a uma espécie perene que, como a floresta, garante conservação ambiental e produção sustentada.


Somente na Região Sudeste da Bahia, que depende quase que exclusivamente da monocultura do cacau, há cerca de 1 milhão de hectares, remanescentes da mata atlântica, próprios à cultura do dendezeiro, com potencial de produção de 4 a 6 milhões de toneladas de óleo, equivalentes a aproximadamente 25 milhões de barris de petróleo por ano, ou mais de 65 mil barris diários. Cem mil empregos diretos poderiam ser criados somente no setor agrícola.


Como em todo cultivo arbóreo perene, a implantação de dendezais não é um projeto de maturação econômica imediata, pois a palmeira começa a produzir a partir do 3º ano e atinge o seu pleno potencial a partir de sétimo ano de campo. A consorciação de espécies vegetais de ciclo curto, oferece amplas possibilidades de antecipação de renda e rápida remuneração do capital, além de incentivar a criação de novos pólos de produção de alimentos.


Experimento conduzido na Estação Experimental Lemos Maia, em Una, demonstrou a ampla possibilidade de produção de combustíveis de biomassa e alimentos a partir da combinação de culturas no processo de estabelecimento de dendezais. Os intercultivos abacaxi, mandioca e pimenta do reino foram plantados nas estrelinhas do dendezeiro (7,8m). Estes cultivos promoveram renda a curto prazo, com recuperação e remuneração antecipadas do capital investido. O abacaxi foi o mais eficiente intercultivo proporcionando um ponto de nivelamento econômico (receita bruta igual à despesa bruta) em um período inferior a dois anos. A mandioca reduziu, no mesmo período 50% do investimento total de capital no plantio misto, além de reduzir os custos com o controle de ervas daninhas.


As culturas intercalares aceleraram ainda o crescimento do dendezeiro, em seus estágios iniciais de estabelecimento e, posteriormente promoveram maiores produções de cachos por ha em relação ao cultivo tradicional.


O dendezeiro como cultura alimentícia e ou energética, pode se constituir em um empreendimento estratégico e de alta viabilidade econômica. No caso especifico da produção de biocombustíveis, cultivar dendê em sistemas agroflorestais é um projeto de resultados duradouros – provavelmente mais baratos – do que perfurar poços de petróleo no Brasil.


Uma rápida análise destes números conduz à evidente conclusão de que a alternativa dos óleos vegetais não pode ser desprezada como real contribuição ao equilíbrio das contas do país, a geração de empregos e a produção de alimentos. É importante ressaltar que a substituição do óleo diesel por óleos vegetais transesterificados não requer qualquer modificação nos motores de ciclo diesel e que a produção destes óleos pode ser realizada em pequena escala e próxima aos locais de consumo.


A CEPLAC, através do CEPEC testou três intercultivos bem sucedidos, mas são muitas as oportunidades de plantio combinado de dendezeiros e espécies vegetais produtoras de alimentos, fibras e até outras fontes de matéria prima para combustíveis. Em sua fase produtiva o dendezeiro poderá ainda se consorciar a animais para produção de carne, como bovinos e ovinos deslanados, sendo, para isto, necessárias algumas pesquisas visando a produção combinada de forrageiras tolerantes à sombra.