ASPECTOS TÉCNICOS DA CLONAGEM DO CACAUEIRO


Assim como as vantagens proporcionadas na heveicultura, citricultura, bananicultura, e agora no reflorestamento, a clonagem comercial de cacaueiros vem trazendo para a cacauicultura sulbaiana, excelentes resultados positivos, pois além de amenizar os malefícios da Vassoura-de-bruxa, está proporcionando o aumento dos rendimentos da mão de obra e produtividade dos plantios. A possibilidade de se transferir os atributos agronômicos de uma planta para uma coleção (plantio) vem trazendo enormes mudanças nos paradigmas da cultura do cacau no Sul da Bahia.

A partir de 1997 a CEPLAC formou 40 Jardins Clonais em 20 municípios da região cacaueira, com o objetivo de fomentar a distribuição dos cinco primeiros clones por ela recomendados (TSH 1188, 565 e 516, CEPEC 42 e EET 397). Havia uma preocupação com a incompatibilidade sexual daqueles materiais, pois todos eram autoimcompatíveis, porém intercompatíveis. Para que essas plantas pudessem expressar todo o seu potencial de produção seria necessário estabelece-las em campo, obedecendo a um modelo de disposição de tal maneira, para que funcionasse de forma satisfatória a intercompatibilidade ou cruzamento. Foi adotado um sistema onde cada clone teria uma cor específica, com o objetivo de facilitar ao produtor a memorização do desenho que seria instalado em suas áreas comerciais.

Com os conhecimentos sobre a seleção de plantas resistentes à Vassoura-de-bruxa na própria fazenda, transferidos pela CEPLAC, muitos produtores por iniciativa e risco próprio, fizeram clonagem em áreas comerciais utilizando plantas de sua fazenda e de outras que simplesmente no momento estavam apresentando uma aparente resistência à Vassoura-de-bruxa. No afã de garantirem a viabilidade do sistema radicular de suas plantas doentes, não se preocuparam com os aspectos da produtividade/rendimento, compatibilidade sexual, porte e precocidade na produção, dos materiais que estavam sendo instalados em suas áreas comerciais.

Em virtude do exposto, muitas fazendas estão com áreas clonadas significativas, apresentando resultados insatisfatórios, que não atendem às expectativas esperadas, devido principalmente aos materiais botânicos selecionados e a disposição inadequada da sua instalação, falta no ajuste do sombreamento e manejo incorreto dispensado às plantas.


Engenheiro Agrônomo – CEPLAC/CENEX/SERAT Fone: (073) 3214-3326
E-mail: magno@ceplac.gov.br e miltoncon@cepalc.gov.br

 

ASPECTOS TÉCNICOS

Clones autocompatíveis - No processo de aperfeiçoamento da clonagem do cacaueiro, a introdução dos materiais botânicos autocompatíveis irá reduzir os problemas da incompatibilidade sexual, quando distribuídos de forma criteriosa com os materiais botânicos autoincompatíveis.

Sombreamento - O ajuste do sombreamento definitivo e provisório com a retirada de árvores auto-sombreadas e o plantio em áreas abertas de essências florestais que atendam aos aspectos agronômicos, ecológicos e econômicos, proporciona um ambiente com luminosidade adequada, que protege os cacaueiros e estabiliza as condições microambientais do cultivo, traduzindo numa maior possibilidade das plantas clonadas expressarem seu potencial de produção.

Remoção de vassouras - A remoção das vassouras vegetativas nas áreas clonadas é uma prática por demais necessária e deve obedecer ao calendário agrícola (Jan/Fev; Abr/Mai; Jul/Ago e Out/Nov), que a depender das variações climáticas, poderá ser alterado. O controle eficiente das ervas daninhas deve ser realizado pelo menos duas vezes por ano, com o uso de herbicidas, verificando previamente o teste de vazão e conseqüentemente a dosagem recomendada.

Poda – A poda deve ser realizada de dentro para fora das plantas, eliminando-se os ramos que se cruzam, porém sem deixar espaços que possam dar entrada de luz sobre o caule da planta e o terreno. Com isso, evita-se uma necrose do caule, pela incidência direta da luz solar e a maior infestação de ervas daninhas na área. Quando a poda é realizada de forma excessiva, leva a eliminação de ramos produtivos o que causa um aumento e freqüência de lançamentos foliares reduzindo consequentemente a produção de frutos. Porém quando a poda deixa de ser realizada, ocorre um excesso de folhas e surgimento de palmas d`água ou chupadeiras, que proporciona competição na planta e entre plantas deixando-as com altura acima do desejado, bem como fora do espaço delimitado. A atividade fotossintética é reduzida nas folhas do interior das copas, que por receberem pouca luz, começam a atuar como drenos e não como fonte de acúmulo de reservas necessárias para a produção de frutos.

Novos métodos e materiais para enxertia – A cada dia está ocorrendo uma evolução no aperfeiçoamento dos métodos de enxertia e na utilização de materiais que estão aumentando o rendimento da mão de obra, do índice de pegamento/brotação e da redução dos custos. A exemplo do saco usado para o sorvete “geladinho” como câmara úmida e no amarrio das enxertias feitas principalmente em mudas, através do método da garfagem de topo e lateral.

Decepa/Recepa - No processo de enxertia comercial deverá ser dado um manejo de podas na planta velha que proporcione uma entrada de luz adequada e necessária para o desenvolvimento do enxerto, desse modo haverá uma convivência das duas plantas (o conjunto) por um determinado período. Somente deve-se retirar/recepar a planta velha quando a produção do enxerto for igual ou superior ao conjunto quando da instalação do enxerto.

 

Antonio Eduardo de Souza Magno
Milton José da Conceição