Turismo e Meio Ambiente

Atualmente o Rio do Engenho é um dos principais pontos turísticos da cidade de Ilhéus. Além de possuir paisagem cênica, este povoado possui grande importância cultural devido à presença de monumentos construídos antes de 1550, tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Este patrimônio é constituído pelas ruínas do engenho de Sant’Ana, um dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar no Brasil, e pela capela de N. Sra. de Santana, a terceira capela rural mais antiga do país.

Existem vários passeios a barco que percorrem o Rio de Engenho. Estes passeios possibilitam uma bela visão dos ecossistemas estuários, em especial do manguezal, com sua rica fauna e flora. Os roteiros turísticos incluem as opções de trilhas, visitas a fazendas típicas da região, aos manguezais e restaurantes com comidas tradicionais.

Como um compromisso de cidadania, por parte dos moradores locais, os visitantes e outros grupos que convivem com o Rio do Engenho, como agentes de desenvolvimento, deve-se ter como princípio o turismo ambiental, com o devido aproveitamento do potencial de lazer do território, respeitando os valores naturais e culturais.

Tourism and the Environment

Rio do Engenho is one of the main tourist attractions of Ilhéus. In addition to its scenic landscape, this small town has great cultural importance due to the presence of pre-1550 structures that are protected by National Institute of Patrimonial History and Art. These include the ruins of the Sant’Ana mill, one of the first sugar cane mills in Brazil, and the rural chapel of Nossa Senhora de Santana, the third oldest in the country.

There are a number of boat trips that go to Rio do Engenho. These provide a lovely view of the estuary’s ecosystems, especially the mangrove swamps, with their rich plants and animals life. The tourist’s options include trails, visits to typical farms of the region and to mangrove swamps. Local restaurants offer traditional food.

Local inhabitants, visitors and other groups must subscribe to a basic principle of ecotourism. They should enjoy the pleasure and relaxation the area offers, while respecting nature and local cultural values.

História do Rio do Engenho

A ocupação do Rio do Engenho é anterior à colonização do Brasil, quando os índios das tribos Tupiniquins e Aimorés viviam na costa do sul da Bahia. Os Tupiniquins se alimentavam da agricultura de subsistência e da coleta de frutos, enquanto os Aimorés por serem nômades, alimentavam-se de caça e da pesca.

Quando os portugueses chegaram no Brasil, os índios Tupiniquins já realizavam o escambo do pau-brasil (Caesalpinia echinata) com os franceses. Este foi um dos motivos que levou a coroa portuguesa a iniciar o povoamento o Brasil, com a implantação do sistema de capitanias hereditárias. Estas capitanias foram doadas a nobres da corte, os quais tinham como dever financiar o povoamento. Assim, em 1534 a capitania de São Jorge dos Ilhéus foi doada a Jorge de Figueiredo Correa. Em 1535, Francisco Romero, representante enviado por Portugal, ancorou na Ilha de Tindaré, a atual ilha do Morro de São Paulo. Semanas mais tarde, Romero e seus homens ancoraram mais do sul, onde fundaram a Vila de São Jorge dos Ilhéus.

Em 1537 foi doada uma sesmaria a Mem de Sá que fundou o Engenho de Sant’Ana, onde hoje está situado o povoado do Rio do Engenho. A introdução da lavoura canavieira nesta capitania ocorreu com a doação de sesmarias.

Com o início da lavoura canavieira, os portugueses penetraram mais para o interior, alcançando a área de domínio dos índios Aimorés. Os índios começaram a atacar os invasores e acabaram afugentando os moradores da região de Ilhéus, o que contribuiu para a decadência da lavoura canavieira neste período. Anos depois, muitos Aimorés foram exterminados a mando do rei de Portugal.

Em 1548, é estabelecido o Governo-Geral da colônia acabando com o sistema de capitanias hereditárias. Neste mesmo ano é construída a capela de N. Sra. Santana. Nos dias presentes, sob a proteção da Senhora Santana, o Rio do Engenho segue aparentemente tranqüilo, apesar de seus trabalhadores enfrentarem problemas semelhantes aos encarados pelos escravos séculos atrás. Mas que ninguém confunda sua tranqüilidade com conformismo, afinal, em suas veias, ainda corre o mesmo sangue dos índios e negros corajosos que ousaram desafiar o poder e fazer da sua cultura um importante fato da nossa história.

Na atualidade, dentre os projetos em andamento, podem ser citados: “AMAREA – Associação de Moradores e Agricultores do Rio do Engenho e Adjacências” com enfoque na agricultura familiar e agroecologia. E “Rio do Engenho: Uma Viagem ao Brasil Colônia” que objetiva a implantação de infra-estrutura turística com ações em parceria com UESC, CEPLAC, IESB, SEBRAE, Cargill e Prefeitura de Ilhéus (SETUR).
 

 

Elaboração:
Quintino Araujo
Universidade Estadual de Santa Cruz e
CEPLAC – Centro de Pesquisas do Cacau
Nicholas Comerford
University of Florida
Danusa Campos
Instituto Floresta Viva

Contatos / Visitas:
Contato/Moradores- Edílson Araújo (Nicoly)
Tel. 0xx(73) 3231-9119

Secretaria de Turismo de Ilhéus
Tel. 0xx(73) 3634-1977

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