PIMENTA-DA-JAMAICA
INTRODUÇÃO
Especiaria da família das Myrtaceae
originária do Oeste da Índia e América Latina. O seu sabor é bastante
apreciado e lembra a combinação de canela, noz-moscada e cravo-da-índia.
No interior dos frutos contém duas sementes que depois de beneficiadas
dão um sabor especial às conservas, e servem para condimentação de
carnes e mariscos. A pimenta-da-jamaica branca é ideal para carnes
brancas, maioneses e molhos brancos, por ser mais suave. A preta é
indicada para carnes vermelhas. A pimenta moída serve para aromatizar
bolos, biscoitos, pudins, carnes, sopas e molhos. A Jamaica é o maior
produtor com cerca de 70% da produção mundial. Ë cultivada também em
outros países, como o México, Costa Rica, Guatemala, Cuba e Brasil. No
estado da Bahia é explorada comercialmente na região do Baixo Sul nos
municípios de Ituberá, Camamu, Nilo Peçanha e Valença.
CLIMA E SOLO
O clima mais propício par o seu cultivo é o quente e úmido, com
precipitação pluviométrica acima de 1300 mm chuvas bem distribuídas
durante a maioria dos meses do ano, temperatura média de 25°C e umidade
relativa em torno de 80%. O solo deve ser de textura média e bem drenado
com relevo plano ou levemente inclinado com pH entre 5,0 e 6,0.
FORMAÇÃO DE MUDAS
No plantio comercial da pimenta-da-jamaica, podem ser utilizadas mudas
propagadas por sementes ou por via vegetativa, através da enxertia. A
propagação por sementes é o método mais utilizado, sendo as mesmas
colhidas de plantas matrizes de alta produção, frutos grandes com
maturação uniforme. As sementes para o plantio não devem ser expostas ao
sol, a fim de evitar prejuízos na germinação.
A germinação das sementes ocorre em média com 10 dias após a semeadura.
A repicagem para os saquinhos de polietileno ocorre quando as mudinhas
apresentarem o primeiro par de folhas. Utilizar sacos de polietileno com
20 cm de altura, 10 cm de largura com orifícios no fundo para facilitar
a drenagem.
CONSTRUÇÃO DO RIPADO
Na construção do ripado, recomenda-se escolher a área com topografia
plana, disponibilidade de água para irrigação das mudas e proximidade do
plantio. O tamanho do ripado varia de acordo com o número de mudas
necessárias para a área a ser plantada. Para cada m2 de viveiro comporta
cerca de 40 a 50 mudas. É conveniente adotar espaçamento de 1,0 m entre
os lotes de mudas a fim de facilitar a movimentação dos operários na
prática dos tratos culturais. Utilizar material de baixo custo
encontrado nas proximidades do plantio. Utilizar mourões com 2,5 m de
altura, devendo ser enterrado 0,5m proporcionando uma altura de 2,0m. A
distância entre os mourões é de aproximadamente 3,0m. A cobertura poderá
ser feita com folhas de palmeira permitindo uma luminosidade em torno de
50% é conveniente também, colocar palhas de palmeira nas laterais do
viveiro a fim proteger as mudas contra os ventos dominantes, evitando
prejuízos ao desenvolvimento das mudas.
PLANTIO
As mudas estarão prontas para o plantio entre 10 e 11 meses após a
semeadura. Deve-se fazer uma seleção das mudas para o plantio, dando
preferência àquelas mais vigorosas e sadias. Os espaçamentos mais
indicados são: 5 x 5m, 6 x 6m e 7 x 7m. As covas devem ter as dimensões
de 0,40 cm em relação a largura, comprimento e profundidade, sendo as
mesmas adubadas com 10 litros de esterco curtido com 19 gramas de
superfosfato triplo, usando-se cobertura morta em volta da muda, a fim
de manter a umidade e controlar o mato. Por se tratar de uma cultura que
inicia a produção econômica no quarto ano de plantio, recomenda-se o
consórcio com outras culturas, a exemplo da mandioca, banana, maracujá,
mamão, inhame e pimenta-do-reino.
TRATOS CULTURAIS
É importante manter a planta livre do mato, através de coroamento ou
roçagens da área de plantio. A poda de formação deverá ser feita após o
primeiro ano de plantio, eliminando a gema do ápice da planta com a
finalidade de reduzir o porte da planta e permitir a formação de uma
copa mais robusta.
TRATOS FITOSSANITÁRIOS
Atualmente, não tem sido registrado nenhum caso de ocorrência de
pragas e ou doenças nos plantios comerciais do estado da Bahia, este
fato pode está relacionado com a grande rusticidade apresentada pela
planta.
ADUBAÇÃO
Antes de iniciar a prática de adubação é conveniente fazer análise
química do solo. Para as condições de clima e de solo da região Sudeste
da Bahia resultados experimentais com a cultura revelaram que, a
pimenta-da-jamaica é exigente em potássio em virtude deste elemento
assumir importante função na formação dos frutos. A formulação de
adubação recomendada é a 11 – 30 – 17, conhecida regionalmente como
Fórmula A, usando 150g por planta no primeiro ano de plantio, quando o
solo estiver com umidade satisfatória para prática de adubação. Para o
segundo e terceiro ano, 200 gramas da mesma fórmula por planta. No
quarto e quinto ano de plantio, usar 300 a 400 gramas por planta no
período da floração e 120g de uréia e 100g de cloreto de potássio no
início da formação dos frutos.
COLHEITA
Na região Sudeste da Bahia a colheita ocorre entre os meses de
dezembro a fevereiro com cerca de três a quatro meses após a floração. O
início da produção ocorre com quatro anos após o plantio. Os frutos
devem ser colhidos quando se apresentarem plenamente desenvolvidos com a
coloração ainda verde e deve tomar o cuidado de evitar o amadurecimento
dos mesmos a fim de não perder o aroma. Existem dois métodos de
colheita, o manual e o químico.
Colheita manual - é feita por mulheres utilizando escadas tripé.
Faz-se o amarrilho dos galhos, em seguida colhem-se os cachos de frutos,
colocando-se os mesmos em sacos, logo depois procede a separação dos
frutos do pedúnculo. O rendimento médio diário da prática da colheita é
de 4 kg de pimenta beneficiada.
Colheita química - consiste na utilização de fito-regulador que
atua na planta liberando o etileno provocando a queda dos frutos. A
planta é pulverizada com uma solução de Ethrel 24% na concentração de 50
ppm (20ml do produto para 100 litros de água) Após a aplicação e a
partir do 2° dia, os botões florais começam a cair, tendo o seu pico de
queda no 4° e 5° dias. O equipamento de pulverização denominado de
“CRAVERINHA” foto abaixo, foi desenvolvido pelos pesquisadores da Ceplac
em parceria com a EBDA.
Os frutos caídos devem ser coletados durante todo o dia a fim de se
obter boa qualidade do produto.

PRODUTIVIDADE
A produtividade varia com as tecnologias empregadas, com a idade das
plantas, densidade da copa, condições climáticas. O cultivo da
pimenta-da-jamaica aos quatro anos de plantio produz em média 400 a 500
kg por hectare, alcançando uma produtividade de ate 3.000kg por hectare
no sétimo ano de plantio.
BENEFICIAMENTO
O beneficiamento primário consiste na secagem dos frutos, que pode
ser natural ou artificial. Na secagem natural ao sol utilizam-se
terrenos cimentados, coberto de plásticos ou lonas. A secagem artificial
é feita em estufa com temperatura média de 60° C, evitar temperatura
superior, a fim de se evitar a volatilização de óleos essenciais dos
frutos e conseqüentemente, a depreciação do valor comercial do produto.
Após a secagem o produto passa por um processo de ventilação para
eliminar as impurezas, e em seguida, procede-se o acondicionamento em
sacos de polipropileno com capacidade para 50kg do produto beneficiado.

COMERCIALIZAÇÃO
Na região produtora o produto beneficiado é normalmente comercializado
entre produtores e intermediários, ao preço de R$ 6,00 por kg resultando
em pouca lucratividade para o setor produtivo. Entretanto, se recomenda
a comercialização entre cooperativas e indústria do Sul do país a fim
viabilizar a cadeia produtiva dessa importante especiaria.
Barachisio Lisbôa Casali
Gilberto de Andrade Fraife Filho
Engenheiro Agrônomo MSc Fitotecnia
CEPLAC
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