Embrapa Caprinos

Sistemas de Produção, 1
ISSN 1809-1822 Versão Eletrônica
Dez/2005

Sistema de Produção de Caprinos e Ovinos de Corte no Nordeste Brasileiro


Autores

 

Apresentação
Importância econômica
Aspectos agro e zooecológicos
Raças
Infra-estrutura
Alimentação e manejo alimentar
Manejo reprodutivo
Manejo produtivo
Manejo sanitário
Mercado e comercialização
Coeficientes técnicos
Referências
Glossário

 

Expediente

Aspectos Agroecológicos e Zooecológicos da Produção de Caprinos e Ovinos de Corte no Nordeste Brasileiro


A região Nordeste compreende dez estados da União ocupando uma área de aproximadamente 1.640.000 km2, o que corresponde a aproximadamente 20% do território nacional. Sua localização geográfica vai de 1º a 18º latitude sul e de 34º30' a 48º20' longitude oeste. Cerca de 60% da área total corresponde ao Semi-Árido Nordestino. A maior parte do rebanho caprino e ovino é criada nesta região.

 

Clima

Solo

Vegetação

Exigências Ecológicas

Espécie Caprina
Espécie Ovina

 

 

Clima


Predomina em toda a região um clima seco e quente ou megatérmico, com temperaturas médias mensais acima de 18ºC e curta estação chuvosa. De acordo com a classificação de Köppen, três tipos de clima podem ser identificados na região: o BShw com as chuvas ocorrendo no verão; o BShw' com as chuvas ocorrendo no verão-outono e o BShs' com chuvas no outono-inverno. A temperatura varia de um mínimo de 22ºC a um máximo de 28ºC. A precipitação pluvial varia de 250 a 1.000mm. A evapotranspiração potencial situa-se em torno de 2.700 mm/ano, caracterizando um elevado déficit hídrico, com um índice de aridez médio é de cerca de 0,30.

 

Solo


Os solos são quimicamente adequados, mas apresentam quase sempre restrições físicas. Cerca de quinze classes de solos recobrem a região. Destacam-se pela maior cobertura os solos: latossolos, neossolos litólicos, argissolos, luvissolos crômicos órticos, neossolos quartzorênicos e os planossolos háplicos.

 

Vegetação


A maior parte do território é ocupada por vegetação xerófila, denominada Caatinga, abrangendo uma área total de cerca de 824.000 km2. A vegetação de caatinga é constituída especialmente de espécies arbustivas e arbóreas de pequeno porte, geralmente dotada de espinhos, sendo caducifólias em sua maioria, perdendo suas folhas no início da estação seca. O componente herbáceo é formado por espécies anuais de grande importância na época chuvosa, mas de pouca relevância no contexto geral.

A caatinga possui registradas 596 espécies arbóreas e arbustivas sendo 180 destas endêmicas. O número de espécies tende a ser bem maior se considerarmos as espécies herbáceas.

 

Exigências Ecológicas


Espécie Caprina

Espécie Ovina

Espécie Caprina


Os caprinos são adaptados tanto em ambientes mais favoráveis ao seu desenvolvimento quanto às mais extremas condições climáticas, de aridez e de limitações topográficas como áreas de montanha. 

Com relação ao hábito alimentar, os caprinos são classificados como de hábito intermediário ou misto, já que possuem a capacidade de consumir tanto alimentos de maior valor nutritivo (concentrados) como alimentos mais ricos em fibras (capins). Alguns destes animais são flexíveis e variáveis ao longo do ano de acordo com o período da vegetação. Como principal característica deste grupo está maior preferência por conteúdo celular (proteína) e uma menor capacidade de digerir celulose (fibra).

Quanto ao comportamento alimentar, os caprinos como animais intermediários, apresentam maior adaptabilidade às modificações de alimentação. Estudos de comportamento ingestivo de ovinos em pastagem nativa no Nordeste brasileiro demonstram um comportamento seletivo, com consumo de espécies arbustivo-arbóreas, especialmente na época seca do ano, bem como outros trabalhos de produção de caprinos em pastagem cultivada, silagem de milho ou de outras espécies.

A pele dos caprinos por ser coberta de pêlos oferece uma boa proteção contra o calor e sol forte. A troca de calor com ambiente se dá através da evaporação pulmonar.

As raças naturalizadas (moxotó, canindé) tendem a ser mais adaptadas ao clima Semi árido do Nordeste.

 

Espécie Ovina


Os ovinos que habitam em regiões tropicais semi-áridas devem apresentar como principal característica a tolerância a temperaturas elevadas. Raças e tipos raciais que apresentam: elevada relação superfície corporal/massa corporal para facilitar os mecanismos de dissipação de calor.  A pele deve ser coberta por pêlos que protegem do sol sem interferir com a ventilação, acúmulo de gordura na garupa, vísceras e rabo. Os processos de troca de calor com o ambiente, na espécie ovina, se dão principalmente por evaporação pulmonar, tendo em vista que os ovinos não possuem glândulas sudoríparas eficientes.

 

Por esse ponto de vista os animais mais adaptados seriam os das raças naturalizadas: Morada Nova, Cariri e Rabo Largo. No entanto, deve-se atentar para o fato de que animais muito adaptados em geral apresentam baixos índices produtivos. Para implementar sistemas mais eficientes de produção, a introdução de genótipos que apresentem algumas características estratégicas de adaptação e bom potencial de produção fez aumentar na região Nordeste os rebanhos das raças Santa Inês e Somalis.

                                                          

A exigência de água dos ovinos tropicais varia de 1,5 kg a 2,5 kg/kg de alimento consumido. Essa variação ocorre em função do estado fisiológico do animal, sendo que fêmeas prenhes necessitam da ingestão de maiores quantidades de água. Assim os mecanismos de conservação de água são importantes características adaptativas para os animais em regiões áridas e semi-áridas. Os ovinos obtêm água de três fontes: in natura, água contida nos alimentos e por oxidação de alimentos e dos tecidos do corpo. O processo de oxidação dos alimentos fornece substancial quantidade de água, pois, a oxidação de 1,0 kg de carboidrato produz 0,5 kg de água.

A principal fonte de alimentação para os rebanhos na região Nordeste durante a época chuvosa e no início da época seca é a vegetação nativa da caatinga, onde os ovinos consomem a forragem produzida por elevado número de espécies botânicas, principalmente herbáceas durante o período das águas. Características anatômicas, como tamanho da boca e lábio inferior partido, possibilitam a seleção de plantas e partes de plantas de melhor valor nutritivo por ovinos em pastejo na vegetação nativa.

 

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