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A região Nordeste compreende dez
estados da União ocupando uma área de aproximadamente 1.640.000 km2,
o que corresponde a aproximadamente 20% do território nacional. Sua localização
geográfica vai de 1º a 18º latitude sul e de 34º30' a 48º20' longitude oeste.
Cerca de 60% da área total corresponde ao Semi-Árido Nordestino. A maior
parte do rebanho caprino e ovino é criada nesta região.
Clima
Solo
Vegetação
Exigências Ecológicas
Espécie Caprina
Espécie Ovina
Clima
Predomina em toda a região um
clima seco e quente ou megatérmico, com temperaturas médias mensais acima de
18ºC e curta estação chuvosa. De acordo com a classificação de Köppen, três
tipos de clima podem ser identificados na região: o BShw com as chuvas
ocorrendo no verão; o BShw' com as chuvas ocorrendo no verão-outono e o BShs'
com chuvas no outono-inverno. A temperatura varia de um mínimo de 22ºC a um
máximo de 28ºC. A precipitação pluvial varia de 250 a 1.000mm. A
evapotranspiração potencial situa-se em torno de 2.700 mm/ano, caracterizando
um elevado déficit hídrico, com um índice de aridez médio é de cerca de 0,30.
Solo
Os solos são quimicamente adequados,
mas apresentam quase sempre restrições físicas. Cerca de quinze classes de
solos recobrem a região. Destacam-se pela maior cobertura os solos:
latossolos, neossolos litólicos, argissolos, luvissolos crômicos órticos,
neossolos quartzorênicos e os planossolos háplicos.
Vegetação
A maior parte do território é
ocupada por vegetação xerófila, denominada Caatinga, abrangendo uma área
total de cerca de 824.000 km2. A vegetação de caatinga é
constituída especialmente de espécies arbustivas e arbóreas de pequeno porte,
geralmente dotada de espinhos, sendo caducifólias em sua maioria, perdendo
suas folhas no início da estação seca. O componente herbáceo é formado por
espécies anuais de grande importância na época chuvosa, mas de pouca
relevância no contexto geral.
A caatinga possui registradas
596 espécies arbóreas e arbustivas sendo 180 destas endêmicas. O número de
espécies tende a ser bem maior se considerarmos as espécies herbáceas.
Exigências
Ecológicas
Espécie Caprina
Espécie Ovina
Espécie Caprina
Os caprinos são adaptados tanto
em ambientes mais favoráveis ao seu desenvolvimento quanto às mais extremas
condições climáticas, de aridez e de limitações topográficas como áreas de
montanha.
Com relação ao hábito alimentar,
os caprinos são classificados como de hábito intermediário ou misto, já que
possuem a capacidade de consumir tanto alimentos de maior valor nutritivo
(concentrados) como alimentos mais ricos em fibras (capins). Alguns destes
animais são flexíveis e variáveis ao longo do ano de acordo com o período da
vegetação. Como principal característica deste grupo está maior preferência
por conteúdo celular (proteína) e uma menor capacidade de digerir celulose
(fibra).
Quanto ao comportamento
alimentar, os caprinos como animais intermediários, apresentam maior
adaptabilidade às modificações de alimentação. Estudos de comportamento
ingestivo de ovinos em pastagem nativa no Nordeste brasileiro demonstram um
comportamento seletivo, com consumo de espécies arbustivo-arbóreas,
especialmente na época seca do ano, bem como outros trabalhos de produção de
caprinos em pastagem cultivada, silagem de milho ou de outras espécies.
A pele dos caprinos por ser
coberta de pêlos oferece uma boa proteção contra o calor e sol forte. A troca
de calor com ambiente se dá através da evaporação pulmonar.
As raças naturalizadas (moxotó,
canindé) tendem a ser mais adaptadas ao clima Semi árido do Nordeste.
Espécie Ovina
Os ovinos que habitam em regiões
tropicais semi-áridas devem apresentar como principal característica a
tolerância a temperaturas elevadas. Raças e tipos raciais que apresentam:
elevada relação superfície corporal/massa corporal para facilitar os
mecanismos de dissipação de calor. A pele deve ser coberta por pêlos
que protegem do sol sem interferir com a ventilação, acúmulo de gordura na
garupa, vísceras e rabo. Os processos de troca de calor com o ambiente, na
espécie ovina, se dão principalmente por evaporação pulmonar, tendo em vista
que os ovinos não possuem glândulas sudoríparas eficientes.
Por esse ponto de vista os
animais mais adaptados seriam os das raças naturalizadas: Morada Nova, Cariri
e Rabo Largo. No entanto, deve-se atentar para o fato de que animais muito
adaptados em geral apresentam baixos índices produtivos. Para implementar
sistemas mais eficientes de produção, a introdução de genótipos que
apresentem algumas características estratégicas de adaptação e bom potencial
de produção fez aumentar na região Nordeste os rebanhos das raças Santa Inês
e Somalis.
A exigência de água dos ovinos
tropicais varia de 1,5 kg
a 2,5 kg/kg de alimento consumido. Essa variação ocorre em função do estado
fisiológico do animal, sendo que fêmeas prenhes necessitam da ingestão de
maiores quantidades de água. Assim os mecanismos de conservação de água são
importantes características adaptativas para os animais em regiões áridas e semi-áridas.
Os ovinos obtêm água de três fontes: in natura, água contida nos alimentos e
por oxidação de alimentos e dos tecidos do corpo. O processo de oxidação dos
alimentos fornece substancial quantidade de água, pois, a oxidação de 1,0 kg de carboidrato
produz 0,5 kg
de água.
A principal fonte de alimentação
para os rebanhos na região Nordeste durante a época chuvosa e no início da
época seca é a vegetação nativa da caatinga, onde os ovinos consomem a forragem
produzida por elevado número de espécies botânicas, principalmente herbáceas
durante o período das águas. Características anatômicas, como tamanho da boca
e lábio inferior partido, possibilitam a seleção de plantas e partes de
plantas de melhor valor nutritivo por ovinos em pastejo na vegetação nativa.
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