|
|||||||||||||||||||
|
Sistemas de Produção,
1 ISSN 1809-1822
Versão
Eletrônica Dez/2005 |
|||||||||||||||||||
|
Sistema de Produção de Caprinos e Ovinos de Corte no Nordeste Brasileiro |
|||||||||||||||||||
|
Apresentação
|
Infra-estrutura |
||||||||||||||||||
|
Infra-estrutura de Suporte Alimentar
A localização de uma instalação
está relacionada com as características de cada propriedade, no que diz
respeito à sua forma geométrica, a disposição das pastagens existentes e a
disponibilidade de água, entre outras. No entanto algumas orientações devem
ser seguidas, tais como: O local deve ser uma área convergente das pastagens ou
permitir fácil acesso a todas elas a fim de favorecer a otimização da
mão-de-obra no manejo do rebanho; O terreno deve ser de textura bem
consistente (duro, pedregoso ou de afloramento calcário) e com boa drenagem;
construída próximo à casa do manejador; em instalações com área coberta, esta
deve ser construída no sentido norte-sul, no maior comprimento e com
declividade de Os fatores mencionados são de
fundamental importância para a segurança e saúde dos animais nas instalações,
bem como, para facilitar os trabalhos de manejo na propriedade.
Área coberta por categoria de animal 1,0 m2/matriz 0,8 m2/jovem de reposição (recria) 0,5 m2/cria. 3,0 m2/reprodutor Área Descoberta Recomenda-se utilizar o dobro da área coberta para cada categoria de animal. Quanto ao piso, deve-se utilizar material que permita uma boa compactação com uma boa drenagem. Escolher uma área com declive em torno de 2 % a 5 %. Recomenda-se, limpeza quinzenal no período seco e diário no período chuvoso. Aconselha-se construir, no
compartimento destinado às crias, um estrado de madeira para o piso com
ripões de
Os pedilúvios deverão ser construídos na entrada dos currais, apriscos ou chiqueiros, de tal modo a forçar os animais a passarem, pisando através deles. Eles devem ter as seguintes
dimensões: Vários são os produtos que podem ser utilizados nos pedilúvios. a) solução de formol a 10 %; o sulfato de cobre a 10 % e a cal virgem. A cal virgem diluída em água funciona como um bom desinfectante sendo mais barato que os demais.
Sua construção deve seguir as mesmas recomendações do aprisco ou do chiqueiro, porém devem localizar-se bem distante destes, para evitar o contato de animais doentes com os sadios. De preferência, deve localizar-se longe de fontes de barulhos freqüentes e de movimentação de pessoas. O isolamento deve oferecer o bem-estar e boas condições de higiene para os animais doentes.
O tamanho pode ser variado de
acordo com o número de animais do rebanho. O modelo mais divulgado é de oito
metros ( Os bretes são de grande utilidade para o manejo dos animais, no que diz respeito a vacinações, vermifugações, pesagens e outras práticas. A balança para pesagem dos animais deve ficar na saída do brete, abrigada por uma cobertura para uma melhor proteção da mesma e oferecer uma condição favorável de sombreamento para o manejador.
A esterqueira não deve ficar muito próxima das instalações, pois o esterco pode funcionar como reservatório de larvas de helmintos e de moscas ou como fonte de contaminação de outras doenças. Afora a grande importância das esterqueiras, com relação às condições higiênicas do rebanho e a saúde dos animais, elas propiciam a produção de adubo orgânico de elevada qualidade. A esterqueira pode ser de
alvenaria, medindo
Existem vários tipos de cercas, a saber: a) cercas de arame farpado; b) cercas de arame liso: c) cercas elétricas; d) cercas de madeira (varas); cercas mistas ou de estacotes (arame e madeira); e) cercas de tela; f) cercas vivas e, ainda, g) cercas de pedras toscas. Vale salientar que o custo de cada cerca varia com o tipo e com o material empregado. Nos sistemas de produção que visam o aproveitamento da pele com qualidade, as cercas para caprinos e ovinos não devem ser feitas com arame farpado. O arame liso pode ser usado da
mesma forma que o convencional arame farpado, com até oito fios, ou ainda com
até quatro fios com uso de cerca elétrica. A eletrificação da cerca pode ser
realizada com bateria solar. Normalmente a cerca elétrica custa entre quatro
e cinco vezes menos que qualquer cerca convencional. Porém, sua principal
limitação para pequenos animais é a altura do primeiro fio. O contato do fio
inferior com a vegetação acarreta em perda de carga elétrica da cerca
comprometendo sua eficiência na contenção dos animais. O primeiro fio deve
estar a A cerca de tela tem se apresentado com muita eficiência na contenção de animais, o custo de implantação é mais alto que da cerca elétrica, no entanto, os custos com manutenção são inferiores. Para reduzir os custos com cerca no sistema rotativo de uso do pasto, o produtor poderá usar telas fixas apenas na cerca periférica e usar duas telas móveis, limitando apenas a área que está sendo pastejada, semelhante ao que ocorre no pastejo em faixas. As cercas externas devem conter
nove fios de arame e as internas (de divisão de pastos) oito, com o primeiro
fio distanciando-se As cercas divisórias representam uma das mais onerosas benfeitorias de uma propriedade. Porém, sem a existência delas, seria muito difícil manejar, adequadamente, os animais e as pastagens. Estas cercas devem ser construídas com mourões grandes, localizados no encontro de duas cercas e distanciados de dez metros entre si. Entre os mourões, vão as estacas distanciadas de um metro entre si. Os mourões e as estacas devem
ser enterrados na profundidade
|
|||||||||||||||||||
|
|
Tipo de Cerca |
||||||||||||||||||
|
Distância entre fios/altura (m) |
Externa |
Interna |
|||||||||||||||||
|
Do
solo ao primeiro fio |
0,20 |
0,20 |
|||||||||||||||||
|
Do
primeiro ao segundo fio |
0,13 |
0,13 |
|||||||||||||||||
|
Do
segundo ao terceiro fio |
0,13 |
0,13 |
|||||||||||||||||
|
Do
terceiro ao quarto fio |
0,13 |
0,13 |
|||||||||||||||||
|
Do
quarto ao quinto fio |
0,13 |
0,13 |
|||||||||||||||||
|
Do
quinto ao sexto fio |
0,14 |
0,15 |
|||||||||||||||||
|
Do
sexto ao sétimo fio |
0,15 |
0,20 |
|||||||||||||||||
|
Do
sétimo ao oitavo fio |
0,20 |
- |
|||||||||||||||||
|
Altura
|
1,21 |
1,07 |
|||||||||||||||||
|
Fonte: Orientações Técnicas (2002)
Tanto bebedouros como comedouros além de estarem fora das baias devem estar na área coberta ou com alguma proteção. Para bebedouros devem ser
evitados recipientes muito grandes, pela dificuldade da limpeza e da
renovação da água. Evitar uso de bebedouros com bóias individuais, que são
facilmente danificados pelos animais. O sistema de vasos comunicantes em
nível, utilizando funis de alumínio de Os comedouros podem ser
construídos de alvenaria, madeira ou outros materiais como pneus. De um modo
geral, recomenda-se
Os saleiros podem também ser construídos de madeira ou de cimento podendo ser fixos ou móveis. No caso do saleiro de cimento, eles devem ser bem lisos para facilitar a limpeza. As dimensões recomendadas para
os saleiros são:
Aspectos Gerais da Infra-estrutura de Suporte Alimentar
|
|||||||||||||||||||
|
Tabela 2. Recomendação de Adubação de acordo com os níveis de fósforo e potássio disponíveis no solo. |
|||||||||||||||||||
|
Nutriente |
Níveis detectados no solo |
Recomendação de adubação |
|||||||||||||||||
|
Fósforo (Análise de P – resina) |
< 10 mg/dm3 |
|
|||||||||||||||||
|
10 a 20 mg/dm3 |
|
||||||||||||||||||
|
|
|
||||||||||||||||||
|
> 30 mg/dm3 |
Adubação desnecessária |
||||||||||||||||||
|
Potássio |
< 0,7 mmolc/dm3 |
40 –
|
|||||||||||||||||
|
|
20 –
|
||||||||||||||||||
|
|
0 - |
||||||||||||||||||
|
> 3,0 mmolc/dm3 |
Adubação desnecessária |
||||||||||||||||||
|
Fonte: Herling, Formigoni e Rolnik (2004)
VC (%) = Pureza X % Germinação /100 Para calcular o número de sementes utilizar a fórmula: Kg de sementes /ha = FATOR/ VC, Para Panicum maximum os fatores estão relacionados na tabela abaixo. |
|||||||||||||||||||
|
Tabela 3. Quantidade de sementes a ser utilizada dependendo das condições e do tipo de plantio. |
|||||||||||||||||||
|
|
Tipo de Plantio |
||||||||||||||||||
|
Condições |
LINHA/MANUAL |
A LANÇO |
AÉREO |
||||||||||||||||
|
Ideais |
160 |
200 |
300 |
||||||||||||||||
|
Médias |
180 |
220 |
330 |
||||||||||||||||
|
Adversas |
200 |
240 |
360 |
||||||||||||||||
|
Fonte: Adaptado de Zimmer, Souza e Andrade (2002) Exemplo de determinação de quantidade de semente para plantio de Tanzânia Kg de sementes /ha = FATOR/ VC VC = 25% Fator = 220 Logo, Kg de sementes /ha = 220/25 = 8,8 Quando o produtor opta por usar o sistema rotacionado de manejo do pasto, uma série de adaptações deve ser realizada, por exemplo, definição do número de piquetes tamanho e formato dos piquetes. O número de piquetes (NP) é obtido utilizando-se a fórmula: NP = (período de descanso/período de ocupação) + número de grupos de animais Exemplo de cálculo de número de piquetes para o capim-tanzânia: PO = 3 dias PD = 27 dias N. grupos de animais = 01 NP = (27/3) + 1 = 10 piquetes O tamanho dos piquetes é a razão
entre o tamanho total da área que será utilizada e o número de piquetes. Se
considerar que a área utilizada serão dois hectares, para o exemplo acima os
piquetes terão Os piquetes devem ter formato próximo do quadrado, sendo aceitáveis as formas retangulares. Este formato visa aproveitar melhor a área disponível, além de facilitar a instalação de sistemas de irrigação. No centro da área pode ser construída uma instalação de apoio ao manejo. Caso o pasto não disponha de sombra é necessária criação de uma área de lazer onde o animal possa ficar nas horas mais quentes do dia. Na área de lazer coloca-se o bebedouro e o saleiro. Água e sal devem estar à disposição dos animais durante todo período de terminação.
Existem vários tipos de silo: trincheira, superfície, cincho, entre outros. A escolha do tipo de silo a ser utilizado dependerá da quantidade de forragem que o produtor necessita armazenar. Em propriedade que precisam de até 10t de silagem, o silo cincho é uma boa opção. Para produção de silagem em silos cincho são utilizados anéis de 50cm de altura e três metros de diâmetro. A altura máxima do silo deve ser de 2m. Para armazenar grandes quantidades de silagem, o silo mais indicado é o tipo trincheira. O silo do tipo superfície é uma espécie de silo trincheira invertido. Se adequa bem para pequenas e médias propriedades. Pode armazenar até 40 t de silagem. Para o cálculo do tamanho do
silo e da área de plantio devem-se considerar as perdas que ocorrem durante a
colheita e armazenamento da forragem no silo. Essas perdas são influenciadas
por uma série de fatores, e num sistema normal em que se utiliza silagem,
deve-se considerar 15% de perda. Outro ponto importante para acrescentar no
cálculo do silo é o peso de silagem que em O cálculo da quantidade de forragem a ser ensilada deve considerar o número de animais da propriedade que se alimentaram da silagem, na quantidade consumida por cada animal e no número de dias que os animais receberam esta suplementação. Na tabela abaixo está uma simulação da quantidade de silagem necessária para alimentar um rebanho contendo 180 animais durante 120 dias. |
|||||||||||||||||||
|
Tabela 4. Quantidades de silagem para um rebanho ovino durante 120 dias. |
|||||||||||||||||||
|
Categoria animal |
Quant. Animais |
Nº dias usando silagem |
Consumo Diário (kg) |
Quantidade Silagem (T) |
|||||||||||||||
|
Cordeiros |
80 |
120 |
1,5 |
14,4 |
|||||||||||||||
|
Matrizes |
100 |
120 |
3,0 |
36,0 |
|||||||||||||||
|
TOTAL |
180 |
120 |
4,5 |
50,4 |
|||||||||||||||
|
Fonte: tabela construída especialmente para esta publicação.
A capineira deve ser dimensionada com base no tamanho do rebanho, na quantidade de capim a ser consumida por cada categoria animal e no tempo que os animais irão receber este alimento.
As sementes devem ter a
dormência quebrada para serem plantadas. A quebra da dormência pode ser
realizada deixando por três minutos as sementes em água quente. O espaçamento
deve ser de |
|||||||||||||||||||
|
Todos os direitos reservados, conforme Lei n° 9.610. |