EVITE A INTRODUÇÃO DA MONÍLIA DO CACAUEIRO (Moniliophthora roreri) NO BRASIL

INTRODUÇÃO

 monília é uma doença devastadora para o cacaueiro, cujo agente causal é o fungo Moniliophthora roreri, que até o momento não existe no Brasil.

A monília é endêmica do noroeste da América Latina e também de alguns países da América Central. Foi registrada pela primeira vez no Equador em 1917 de onde se disseminou para a Colômbia (1930), Venezuela (1941), Panamá (1949), Costa Rica (1978), Nicarágua (1980) Peru (1988), Honduras (1997) e Belize (2002). Nestes países, os danos econômicos causados pela monília variam de 50 a 100%.

No Peru, a monília foi constatada na região norte de Jaen e Bagua, na fronteira com o Equador. Daquela região, num período de 10 anos, disseminou-se naturalmente até o sul do Peru.

Os possíveis pontos de entrada da monília do cacaueiro no Brasil por meios naturais são:

· Fronteira Amazonas (Tabatinga e Benjamin Constant)/Peru (Santa Rosa) podendo acontecer pelo trânsito fluvial no rio Solimões e seu afluente o rio Javari;

· Amazonas (Tabatinga)/Colômbia (Letícia) a introdução poderá acontecer pelo rio Amazonas e seus afluentes rio Içá e Japurá;

· Acre/Peru pelo trânsito fluvial nos rio Ucayali e Breu;

· Roraima/Venezuela no ponto de entrada em Pacaraima;

SINTOMAS

O fruto é a única parte do cacaueiro afetada por M. roreri, sendo infectado em qualquer idade de seu desenvolvimento. Os sintomas dependem da idade do fruto no momento da infecção. O período de incubação do fungo é de 30 a 60 dias dependendo da idade do fruto e da variedade do cacau. A monília produz 10 tipos de sintomas nos frutos, destacando-se manchas com aparência de ilhas verdes ou amarelas, inchaço e/ou depressão nos pontos da infecção, deformações, protuberâncias e rachaduras.

A superfície da lesão necrosada apresenta uma bordadura irregular, aparecendo em cerca de 5-7 dias uma massa micelial (pseudo-estroma) branco, que tem cheiro de cogumelo. Entre 3-5 dias, esse micélio libera os esporos dando um aspecto de pó, de coloração creme ou cinzenta.

O modo de infecção e os sintomas nos frutos de M. roreri são semelhantes aos de Crinipellis perniciosa, agente causal da vassoura-de-bruxa, até o aparecimento de uma mancha necrótica na superfície do fruto onde ocorre a esporulação de monília. Os frutos afetados por monília pesam mais que os sadios. Estes frutos, quando ficam na árvore, com o tempo mumificam e endurecem por causa da desidratação provocada pela produção de grande quantidade de esporos.

Figura: A - frutos apresentando lesão necrótica; B - inicio de formação de pseudo-estroma; C - fruto coberto com massa micelial de Moniliophthora roreri.

Técnica usada no campo para identificar monília

Para distingui-la da vassoura-de-bruxa, cortam-se frutos com suspeita da praga, logo em seguida são expostos às condições ambientais favoráveis, e dentro de 3-4 dias o fungo esporula em abundância na superfície do corte.

DISSEMINAÇÃO

O fungo da monília não sobrevive no solo e sim em frutos doentes do cacaueiro. As principais fontes de disseminação são: o transporte de frutos infectados, material vegetativo e embalagens contendo esporos do fungo. A disseminação natural dos esporos ocorre pelo vento ou por meio de respingos de chuva. Os esporos são viáveis em condições adversas até um período de nove meses.

CONTROLE

O manejo integrado para o controle de principais doenças do cacaueiro (monília, vassoura-de-bruxa e podridão-parda causada pelo fungo Phytophthora spp. é a forma mais eficiente de controle simultâneo. Esse manejo é composto de:

· Tratos culturais: roçagem, desbrota, poda/rebaixamento, adubação dos cacaueiros, drenagem e raleamento de árvores de sombra;

· Tratos fitossanitários: remoção de frutos doentes e amontoamento dos mesmos em casqueiros;

· Controle químico: aplicação de fungicidas à base de cobre, óxido cuproso e tratamento de casqueiros com anti-esporulantes, principalmente com uréia.

    Esse tratamento aplicado de forma correta e na época adequada, apresentou 90% de controle, nas condições de alta incidência da monília na zona Atlântica da Costa Rica.

Medidas para evitar a introdução da monília no Brasil

Manter forte vigilância fitossanitária nas fronteiras do Brasil com o Peru, Colômbia e Venezuela. Evitar que a monília seja introduzida na Amazônia Ocidental para proteger também as outras regiões cacaueiras do Brasil. A introdução da monília por meios naturais (ventos, cursos de água, insetos, animais silvestres, etc.) pode ocorrer, contudo, pode ser evitada/ retardada se houver rigorosa fiscalização e monitoramento da praga nos plantios de cacau da região de fronteira.

Outra forma de evitar a entrada dessa praga no Brasil será fazendo a fiscalização nos Portos e Aeroportos, de pessoas e bagagens (que possam conter  principalmente material botânico), provenientes de paises nos quais a monília já se encontra, tais como: Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Costa Rica, Panamá, Nicarágua, e Honduras.

LEMBRETE: É melhor previr a introdução do que controlar essa praga

MAIORES INFORMAÇÕES:

Centro de Pesquisas do Cacau-CEPEC/CEPLAC Fone: (73) 3214-3200/3279; Fax: 3214-3204.

 

Superintendência Federal de Agricultura no Amazonas /SFA-AM. Fone/Fax:: (92) 3633-3880; 3234-7367/ 7067.

 

Observação: Informações técnicas sobre monília são citadas no livro “Monília do Cacaueiro” de Asha Ram, Raúl Valle e Enrique Arévalo (Fundação Cargill, 2004).

 

Elaboração:

Asha Ram, Ph.D. - CEPLAC/CEPEC

asharam@cepec.gov.br

Raúl René Valle, Ph. D. - CEPLAC/CEPEC

raul@cepec.gov.br

Consuelo de Maria D. Lopes, D. Sc. - SFA/AM

consuelolopes@agricultura.gov.br

 

 

CEPLAC/CEPEC - ILHÉUS/ BA

SFA/SEDESA/CDSV/AM

MANAUS-AMAZONAS

2005