MERCADO DE CACAU

Dentro dos resultados e discussões do estudo de comercialização do cacau, estaremos relatando variáveis que estão incluídas na análise dos fatores fundamentais que tem divulgação anual, a exemplo da produção, moagens, consumo, estoque, etc. e também estaremos fazendo um relatório quadrimestral analisando os fatores técnicos, a exemplo de charts (gráficos) dos preços ao nível de mercado externo e mercado interno.

1. Produção

1.1. Produção Mundial

A produção mundial de cacau tem se comportada via de regra sempre ascendente. Entre 1993/94 e 2003/04 a produção mundial saiu de 2.486 mil toneladas para 3.452 mil toneladas, perfazendo um crescimento de 38,86%. A produção que mais cresceu foi a de Costa do Marfim, saindo de 840 mil toneladas para 1.405 mil toneladas, ocupando a primeira posição. Em seguida vem as produções de Gana com 736 mil t, Indonésia com 415 mil t, Nigéria com 175 mil, Brasil com 164 mil t e Camarões com 145 mil t, ocupando a 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª posição, respectivamente. A Costa do Marfim sozinha já participa com 56% da produção de cacau do continente africano e 41% da produção de cacau no mundo. O continente africano já participa com 72% da produção mundial de cacau. Em seguida vem o Continente Asiático junto com Oceania com uma participação de 15% e as Américas com uma participação de 13% (Gráfico 1).

Gráfico 1 – Principais Países Produtores de Cacau

1.2. Produção Brasileira

A participação da produção brasileira na produção mundial vem caindo, apesar de já ter iniciado um processo de recuperação na sua produção. Em 1993/94 sua produção estava em 300 mil t e a sua participação na produção mundial estava em 12,07%, a produção chegou ao fundo do poço em 1999/2000 com 123,5 mil t chegando a participar com 4,01%, mas a recuperação mesmo começou a partir de 2000/01 e se consolidou em 2003/04 quando obteve 163,8 mil toneladas aumentando um pouco sua participação na produção mundial para 4,75%. Esse aumento na produção brasileira nos últimos anos se deve principalmente aos novos clones produtivos distribuídos pela CEPLAC e a força e dinamismo dos produtores de cacau em acreditar e implantá-los em sua propriedade (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Participação da Produção Brasileira de Cacau na Produção Mundial.

1.3. Produção Baiana

A produção baiana de cacau chegou ao fundo do poço na safra 1999/00 quando produziu somente 96.038 toneladas. De lá para cá a produção tem aumentado significativamente, chegando na safra 2003/04 a produzir 144.195 toneladas. A previsão para a safra 2004/2005 é de 121.837 toneladas (Gráfico 3).

Gráfico 3 – Produção Baiana de Cacau

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2. Moagens

2.1. Moagens Mundiais

As moagens mundiais tem tido um comportamento semelhante à produção mundial de cacau, sempre ascendente. O principal país moageiro de cacau é a Holanda com 445 mil toneladas, participando com 14% das moagens mundiais. Em seguida vem os Estados Unidos com 410 mil t, Costa do Marfim com 305 mil t, Malásia e Indonésia juntas com 300 mil t, Alemanha com 224 mil t e Brasil com 202 mil t, ocupando a 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª  posição, respectivamente. A Comunidade Européia já participa com 39% das moagens, seguida pelo Estados Unidos com 13% e Costa do Marfim com 10%.

2.2. Moagens Brasileira/Baiana

O Brasil participa com somente 6% das moagens mundiais ocupando a sexta classificação. As principais empresas moageiras em 2003 situadas no Brasil são a Cargil com 33 %, a Adm Cocoa (Joanes) com 23 %, a Barry Callebut com 22 %, a Nestlé com 13% e a Indeca com 9%, sendo que 95% das empresas moageiras brasileiras estão situadas na Bahia.

3. Consumo

3.1. Consumo Mundial

O principal país consumidor de cacau são os Estados Unidos com 689 mil toneladas, seguido pela Alemanha, França e Reino Unido, com 280, 218 e 215 mil toneladas, respectivamente. O Brasil atualmente consome 98 mil toneladas de cacau segundo a Organização Internacional de Cacau (ICCO) (Gráfico 4).

Gráfico 4 – Consumo de cacau por país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 3.2. Consumo per capitã

Quando analisamos o consumo per capita de cacau por país, a classificação já se altera. O principal consumidor passa a ser a Bélgica com 5,63 Kg/hab, seguido da Suíça, França e Reino Unido, com 4,09, 3,66 e 3,6 Kg/hab, respectivamente (Gráfico 5).

Gráfico 5 – Consumo per capita  de cacau por país

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4. Produção x Moagens X Estoque x Superávit/Déficit

O mercado de cacau mundial de cacau como todos sabem é cíclico, desde que milito nesta área o volume de produção passa o consumo, e vice-versa. Segundo dados da Organização Internacional do Cacau (OICC) de março de 2005, a previsão (forecast) da produção líquida mundial que consta no relatório para 2004/05 foi de 3.183 mil toneladas, enquanto o consumo mundial ficou em 3.233 mil toneladas. Depois de dois déficits seguidos nos anos de 2000/01 e 2001/02 o mercado acumulou também dois superávits consecutivos nos anos de 2002/03 e 2003/04 com 60 mil e 233 mil toneladas respectivamente e agora volta a apresentar déficit na safra 2004/05 em torno de 50 mil toneladas. A conseqüência desses dois superávits gigantescos foi o aumento dos estoques mundiais. Segundo o relatório foi um acréscimo das produções tanto da Costa do Marfim, mas, sobretudo de Gana que teve um aumento em sua produção de 51%, pulando de 487 mil toneladas para 736 mil toneladas. Este aumento na produção provocou um crescimento dos estoques. Em 2001/2002 os estoques estavam em 1.165 mil toneladas, já em 2003/04 passaram para 1.422 mil toneladas de cacau, porém, houve uma redução em 2004/05 para 1.368 mil toneladas como conseqüência do déficit de 50 mil toneladas na previsão da última safra (gráfico 6). Essa previsão na redução dos estoques fez com que os preços continuassem subindo, a média de preços em 2000/01 foi de US$ 990/t, enquanto que em 2004/05 passaram a ter uma média de preços entre 03/01/2005 e 28/03/2005 de US$ 1.610/t. Porém, a partir de 22/03/2005 com a perspectiva de paz pela abertura das negociações na Costa do Marfim o preço não parou de cair, chegando a US$ 1.402 em 13/05/2005. Talvez essa queda seja conseqüência de que o mercado esteja buscando um ajustamento real sem o efeito da guerra.

Gráfico 6 – Produção, Moagens, Superávit/déficit e estoques mundiais de cacau.

Período 1960/61 a 2003/2004

 

5. Preços

5.1 Preços praticados no mercado externo

Em relação ao gráfico 7, quando nós partimos para uma análise mais técnica, com os avanços da tecnologia, podemos dar uma informação mais recente e mais precisa de mercado. Os preços se comportaram nos primeiros meses do ano, mais especificamente entre janeiro e inicio de maio no patamar entre US$ 1402/t e US$ 1.844/t, com uma tendência de baixa.

Gráfico 7 - Cotações do preço de cacau no Mercado Internacional – Bolsa de Nova Iork - Período de 03/01/2005 a 13/05/2005

 

5.2. Preços praticados no mercado interno

No período de janeiro a início de maio os preços variaram no mercado interno entre R$ 51,00 e R$ 72,00. Se compararmos a evolução dos preços no mercado externo com os preços do mercado interno verificaremos que as respostas dos preços a nível interno custam a chegar, ou seja, o aumento que chega aos preços no mercado externo custam a chegar ao mercado interno, por exemplo, no período compreendido entre 10/01 a 26/01/05 os preços no mercado externo saíram de US$ 1.466/ton para US$ 1.575, portanto, um aumento de US$ 109 e os preços no mercado interno no mesmo período não saíram de R$ 65,00/@. Fora esse período os preços a nível de mercado interno e externo se comportaram satisfatoriamente (Gráficos 8 e 9).

Três fatores contribuíram para que o preço do cacau tenha caído de R$ 72,00 para R$ 51,00. O primeiro foi à cotação no mercado internacional que despencou de US$ 1.844/t para US$ 1.402. O segundo foi à valorização cambial (gráfico 10) que saiu de R$ 2,75/US$ 1 para R$ 2,44/US$ 1 e o terceiro fator foi a queda no diferencial de preço pago no mercado interno por conta da importação realizada que comentaremos mais adiante.

Gráfico 8 – Comportamento do preço do cacau no mercado interno.

 

Gráfico 9 – Comportamento do preço de cacau no mercado internacional

 

Gráfico 10 – Cotação do câmbio – fechamento ptax4 do dólar-dos-EUA

 

6. Ratio x Preços

O ratio ou razão pode ser obtido dividindo o estoque pelo consumo. Durante muito tempo os analistas de mercado verificaram que o ratio vinha tendo um comportamento inversamente proporcional com os preços no mercado internacional. Isto realmente tem acontecido. Quando os preços estiveram em torno de US$ 4.000/t nos anos de 1979/80, o ratio estava na faixa de 21 a 22%. Mais adiante nos anos de 1990/91 o ratio passou para a faixa de 66,7% e os preços de cacau no mercado internacional tiveram uma queda vertiginosa em torno de US$ 1.193/t. Atualmente, estamos com o ratio em torno de 42,3% e os preços se comportando em torno de US$ 1.610/t no mesmo período (Gráfico 11).

Gráfico 11 – relação do preço de cacau x ratio (estoque/consumo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

7. Volume de Contratos e Contratos em Abertos

7.1. No mês cotado

Quando analisamos o gráfico 12 podemos verificar que o número de contratos em aberto para março a partir de 10 de janeiro inicia uma queda vertiginosa. Mas quando você associa os preços do gráfico 9 com os volumes de contratos em aberto (open interest) do gráfico 12 obtidos na bolsa de valores de Nova York nesse período, você pode tirar algumas conclusões mais precisas do mercado. Se o número de contratos abertos (open) está caindo e os preços no mesmo período estão subindo, isto indica cobertura de posições vendidas (short –covering) e um mercado tecnicamente fraco, já que o volume de contratos também se mostra com uma quantidade insignificamente.

Já que o número de contratos abertos se reduz, a troca de posições está sendo feita entre pessoas que já se encontravam no mercado. O aumento nos preços sugere que os velhos vendedores estão cobrindo suas posições através de uma compra (buy back) da posição anterior, atuando mais agressivamente que os novos vendedores. Daí considerar-se o mercado tecnicamente fraco. Esse comportamento ocorreu até o final de fevereiro e início de março.

Gráfico 12 – Volume de Contratos e Contratos em Aberto para março – Bolsa de Nova York - Período de 03/01/2005 a 12/05/2005

 

7.2. Em todos os meses

Já quando verificamos o total de contratos em abertos (para todos os meses) (gráfico 13) constatamos que eles iniciaram um aumento justamente quando houve uma redução na quantidade de contratos em aberto, isto significa uma troca de posições, ou seja, os operadores estão liquidando sua posição de março de contratos em aberto, para abrir nova posição nos meses subseqüentes. Justamente, no inicio dessa reversão o mercado teve uma alta no dia 28 de fevereiro de US$ 80, passando de US$ 1635/T para US$ 1715/T (gráfico 7). Agora com início das cotações para maio na bolsa de Nova Iork o mercado toma outra configuração. Atualmente se verifica uma queda no volume de contratos, assim como, no contratos em abertos para maio e para o total dos meses subseqüentes (julho, setembro, dezembro e março).

Gráfico 13 – Volume Total de Contratos e Contratos em Aberto – Bolsa de Nova York - Período de 03/01/2005 a 13/05/2005

 

Se o open está diminuindo (menos contratos abertos) e os preços caem também, estamos diante de uma queda de liquidação de posições compradas (long), com um mercado tecnicamente forte. Uma vez que o número de contratos abertos (open) está diminuindo, as compensações e liquidações por velhos compradores e velhos vendedores (pessoas que já estavam no sistema com suas posições feitas) são mais numerosas que os novos acordos entre novos compradores e novos vendedores, visto que os preços estão declinando, isto significa que os velhos compradores (que agora são vendedores) devem estar mais agressivos no mercado realizando operações de cobertura. Quando o volume de negócios diminuem e os preços também baixam também indicam um mercado tecnicamente forte.

Logicamente, um mercado tecnicamente forte não significa alta imediata de preços, esta tendência pode ser revertida por uma notícia que influa no mercado, como fatores políticos, fatores ambientais/climáticos, atividade especulativa de fundos de hedge e fundo de commodities e vários outros tipos de fatores que possam influenciar no mercado. Essas são posições técnicas de mercado futuro. Porém, em mercado futuro não se tem bola de cristal, portanto, não aconselho ninguém tomar uma posição de venda ou compra de cacau baseado nessas considerações. A atitude mais ponderável para o produtor é realizar vendas periódicas durante o ano e conseguir uma média em que os riscos de mercado sejam diluídos e ele possa auferir um lucro no final do ano.

8. Exportações Brasileiras

8.1. Exportações Brasileira de Amêndoas, Manteiga, Líquor, Torta e Pó de Cacau.

As exportações brasileiras tiveram o auge em 1979 quando foram exportadas US$ 922 milhões, sendo US$ 456 milhões em amêndoas e US$ 466 milhões em derivados. No ano de 2.000 as exportações chegaram ao fundo do poço quando se exportou US$ 161 milhões, sendo somente US$ 2 milhões em amêndoas e US$ 159 milhões em derivados. A partir daí inicia-se uma recuperação chegando em 2004 a exportar US$ 317 milhões, sendo US$ 1,8 milhão em amêndoas e US$ 316 milhões em derivados. Mesmo havendo uma recuperação nas exportações de cacau, o mercado continua dando preferência para produtos com maior valor agregado, ou seja, manteiga, líquor, torta e pó de cacau (Gráfico 14).

Gráfico 14 – Exportações Brasileiras de Amêndoas, Manteiga, Torta e Pó de cacau

 

8.2. Participação Percentual das Exportações Brasileira de Amêndoas, Manteiga, Líquor, Torta e Pó de Cacau.

Analisando o quadro abaixo, conclui-se que a afirmação na seção anterior estava certa. Em 1983 o percentual de exportações de cacau em amêndoas chegou a 50%, a partir de então houve uma maior participação de manteiga de cacau e de pó de cacau, chegando em 2004 com participações 48% e 25%, respectivamente (Quadro 15)

Quadro 15 – Participação percentual dos valores exportados em amêndoas, manteiga, líquor, torta e pó de cacau.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

8.3. Preços das Exportações Brasileira de Amêndoas, Manteiga, Líquor, Torta e Pó de Cacau.

O comportamento dos preços abaixo confirma a maior participação da manteiga e do pó de cacau nas exportações brasileiras. Os preços da manteiga de cacau variaram entre US$ 2.000/t a US$ 4.125/t entre 1983 e 2004 e os preços do pó de cacau iniciaram uma reação saindo de US$ 500/t em 1983 e chegando a US$ 2.598/t em 2003. Enquanto os preços das amêndoas de cacau tiveram um comportamento inverso neste período, saindo de US$ 2.322/t em 1984 caindo para US$ 981/t em 1993 e iniciando uma lenta recuperação quando atingiu US$ 1950/t em 2002, mas retornando ao patamar de US$ 1.686/t em 2004 (Gráfico 16).

Gráfico 16 – Cotações de Amêndoas, Manteiga, Líquor, Torta e Pó de cacau no mercado internacional.

 

9. Importações Brasileira/Drawback

As importações de cacau em 1999 alcançaram 77 mil t, desceram ao patamar de 89 mil ton em 2001, aumentaram novamente para 61 mil t em 2003 e agora estacionaram em 40 mil t em 2004. Até abril de 2005 as importações chegaram a 24 mil toneladas. Tudo indica que com a recuperação da produção brasileira e principalmente a produção baiana a importação de cacau continue a cair ainda mais (Gráfico 17).

Gráfico 17 – Importação Brasileira de cacau – em mil ton – 1996 a 2004

 

O drawback usado por processadores para importar o cacau com subsídios, mas com o compromisso de exportá-lo está inquietando os produtores de cacau. O argumento usado é que a importação de cacau faz com que as indústrias se abasteçam diminuindo o ágio que é praticado no mercado interno. Os produtores têm razão, ninguém pode ir de encontro à lei da oferta e da procura. Concordo com os produtores que se não existisse a importação o ágio no mercado interno poderia ser maior. O diferencial de preço não está em função da variável exportação ou importação de cacau e sim em função do superávit ou déficit de cacau no mercado interno. A importação no caso ocorre porque existe um déficit de cacau no mercado interno. È bom que se diga também que a importação está afetando a sazonalidade dos preços de cacau. Os preços de cacau costumam ser maior na entressafra. Portanto, quando analisamos a relação produção e as moagens brasileiras, existe um déficit no mercado interno, ou seja, falta produto para colocar as processadoras em pleno funcionamento para atender aos seus clientes. Então, o que se pergunta é: Vamos deixar de importar e prejudicar as processadoras? E se elas não puderem assumir seus compromissos e fechar as portas. Existe uma economia de escala que precisa ser analisada.  Então a situação é mais delicada do que se pensa e precisa ser analisada com cautela, pois existem empregos em jogo e futuramente os produtores de cacau podem sair prejudicados com uma saída de alguma processadora do mercado.

Uma saída que podemos verificar para o momento é as lideranças dos produtores e processadores internos sentarem à mesa e definirem a realidade do mercado, ou seja, vamos medir o déficit de mercado que realmente existe. Definida a quantidade a importar, vamos estabelecer cotas de importação de acordo com a necessidade e essas importações têm que ser realizadas em períodos de entressafra para não forçar os preços para baixo. Outra alternativa, essa mais drástica seria colocar um mecanismo de compensação, tipo um imposto importação que fizesse com que o processador refletisse melhor na hora de importar. Esses valores provenientes dos impostos poderiam ser usados para financiar alguma atividade do produtor que no futuro poderia ser discutida (Quadro 18).

Quadro 18 – Exportação e Importação de Cacau e sua relação com o diferencial de preço no mercado interno.

 

10. Valor da produção de Cacau

De acordo com dados do IBGE o valor da produção de cacau entre 1994 e 2001 se manteve no patamar entre R$ 283 milhões e R$ 447 milhões. A partir de 2002 há uma boa recuperação para R$ 967 milhões em 2003 e R$ 813 milhões para 2004. Isto pode ser explicado pelos bons preços obtidos pelos cacauicultores nestes últimos dois anos e pelo início da recuperação da produção experimentada neste período. Para se ter uma idéia a média de preços internos nos anos de 2003 e 2004 foram de R$ 81,28 e R$ 65,82, respectivamente (Gráfico 19).

Gráfico 19 – Valor da produção de cacau no período 1994 a 2003

 

11. Produtividade de Cacau

11.1. Produtividade Brasileira e Baiana de Cacau

A produtividade dos cacauais tanto ao nível de Brasil como ao nível de Bahia tiverem um comportamento semelhante, apesar da produtividade nacional ter estado acima da produtividade baiana. Isto pode ser explicado pela doença vassoura-de-bruxa que atacou de forma impiedosa os cacauais baianos. Enquanto a produtividade brasileira se encontra em 19 @/há a produtividade baiana se encontra em 15 @/há de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Gráfico 20).

Gráfico 20 – Produtividade Brasileira e Baiana de Cacau

 

12. Custo de Produção das Principais Práticas Agrícolas de Cacau e a Relação Custo/Benefício

A planilha abaixo, aos preços de R$ 51,00/@, a relação Real/Dólar valendo US$ 1,00/US$ 2,47 e o salário mínimo R$ 300,00, mostra a estimativa dos custos das práticas agrícolas realizadas pela lavoura de cacau (Quadro 21).

Quadro 21 – Estimativa dos Custos das Práticas Agrícolas no Cacau

 

Se analisarmos a planilha abaixo verificamos que o cacauicultor pode experimentar seis sistemas de produção (To a T6) que de acordo com a sua complexidade (tecnologia ou práticas agrícolas - 1 a 22) varia também de uma produtividade de 30@/há a 100 @/ha. Multiplicando a produtividade pelo preço de R$ 51,00/@, encontraremos a receita esperada que subtraída pelo custo da tecnologia teremos a margem bruta, que é o lucro bruto para um hectare de cacau. Podemos verificar ainda de acordo com a tabela abaixo que a relação custo/benefício varia de 1,31 a 1,78, sendo a T1 o sistema de produção que apresentou a melhor relação custo/benefício (Quadro 22).

Quadro 22 – Produções e receitas brutas esperadas, custo da tecnologia, margem bruta e relação benefício/custo dos níveis de tecnologia usados na produção de cacau.

 

 

Conclusões

A produção baiana de cacau continua reagindo. Esteve no fundo do poço na safra 1999/2000 quando produziu somente 96.038 toneladas. De lá para cá a produção tem aumentado significativamente, chegando na safra 2003/04 a produzir 144.195 toneladas. A previsão para a safra 2004/2005 é de 121.837 toneladas. Apesar dessa primeira previsão estar abaixo da safra anterior, com as chuvas que estão caindo no Sul da Bahia, a safra principal poderá surpreender e contribuir para a safra total, pelo menos igualar com a safra anterior.

A participação da produção brasileira na produção mundial vem caindo, apesar de já ter iniciado um processo de recuperação na sua produção. Em 1993/94 sua produção estava em 300 mil t e a sua participação na produção mundial estava em 12,07%, a produção chegou ao fundo do poço em 1999/00 com 123,5 mil t chegando a participar com 4,01%, mas a recuperação mesmo começou a partir de 2000/01 e se consolidou em 2003/04 quando obteve 163,8 mil toneladas aumentando um pouco sua participação na produção mundial para 4,75% (gráfico 23).

Gráfico 23 – Evolução da produção brasileira de cacau

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O mercado de cacau mundial de cacau como todos sabem é cíclico, desde que milito nesta área o volume de produção passa o consumo, e vice-versa. Segundo dados da Organização Internacional do Cacau (OICC) de março de 2005, a previsão (forecast) da produção líquida mundial que consta no relatório para 2004/05 foi de 3.183 mil toneladas, enquanto o consumo mundial ficou em 3.233 mil toneladas. Depois de dois déficits seguidos nos anos de 2000/01 e 2001/02 o mercado acumulou também dois superávits consecutivos nos anos de 2002/03 e 2003/04 com 60 mil e 233 mil toneladas respectivamente e agora volta a apresentar déficit na safra 2004/05 em torno de 50 mil toneladas. A conseqüência desses dois superávits gigantescos foi o aumento dos estoques mundiais. Segundo o relatório foi um acréscimo das produções tanto da Costa do Marfim, mas, sobretudo de Gana que teve um aumento em sua produção de 51%, pulando de 487 mil toneladas para 736 mil toneladas.

Este aumento na produção provocou um crescimento dos estoques. Em 2001/2002 os estoques estavam em 1.165 mil toneladas, já em 2003/04 passaram para 1.422 mil toneladas de cacau, porém, houve uma redução em 2004/05 para 1.368 mil toneladas como conseqüência do déficit de 50 mil toneladas na previsão da última safra. Essa previsão na redução dos estoques fez com que os preços continuassem subindo, a média de preços em 2000/01 foi de US$ 990/t, enquanto que em 2004/05 passaram a ter uma média de preços entre 03/01/2005 e 28/03/2005 de US$ 1.610/t. Porém, a partir de 22/03/2005 com a perspectiva de paz  pela abertura das negociações na Costa do Marfim o preço não parou de cair, chegando a US$ 1.402 em 13/05/2005. Talvez essa queda seja conseqüência de que o mercado esteja buscando um ajustamento real sem o efeito da guerra.

O principal país consumidor de cacau são os Estados Unidos com 689 mil toneladas, seguido pela Alemanha, França e Reino Unido, com 280, 218 e 215 mil toneladas, respectivamente. O Brasil atualmente consome 98 mil toneladas de cacau segundo a Organização Internacional de Cacau (ICCO).

Quando analisamos o consumo per caput de cacau por país, a classificação já se altera. O principal consumidor passa a ser a Bélgica com 5,63 Kg/hab, seguido da Suíça, França e Reino Unido, com 4,09, 3,66 e 3,6 Kg/hab, respectivamente.

Os preços no mercado internacional se comportaram nos primeiros meses do ano, mais especificamente entre janeiro a março no patamar entre US$ 1402/T e US$ 1.844/T, com uma tendência de baixa.

No período de janeiro a março os preços variaram no mercado interno entre R$ 51,00 e R$ 72,00. Se compararmos a evolução dos preços no mercado externo com os preços do mercado interno verificaremos que as respostas a nível interno custam a chegar, ou seja, o aumento que chega aos preços no mercado externo custam a chegar ao mercado interno, por exemplo, no período compreendido entre 10/01 a 26/01/05 os preços no mercado externo saíram de US$ 1.466/ton para US$ 1.575, portanto, um aumento de US$ 109 e os preços no mercado interno no mesmo período não saíram de R$ 65,00/@.

Três fatores contribuíram para que o preço do cacau tenha caído de R$ 72,00 para R$ 51,00. O primeiro foi à cotação no mercado internacional que despencou de US$ 1.800/t para US$ 1.402. O segundo foi à valorização cambial (gráfico 10) que saiu de R$ 2,75/US$ 1 para R$ 2,44/US$ 1 e o terceiro fator foi a queda no diferencial de preço pago no mercado interno por conta da importação realizada.

Quando os preços estiveram em torno de US$ 4.000/t nos anos de 1979/80, o ratio estava na faixa de 21 a 22%. Mais adiante nos anos de 1990/91 o ratio passou para a faixa de 66,7% e os preços de cacau no mercado internacional tiveram uma queda vertiginosa em torno de US$ 1.193/t. Atualmente, estamos com o ratio em torno de 42,3% e os preços se comportando em torno de US$ 1.610/t.

As exportações brasileiras tiveram o auge em 1979 quando houve às exportações de US$ 922.milhões, sendo US$ 456 milhões em amêndoas e US$ 466 milhões em derivados. No ano de 2.000 as exportações chegaram ao fundo do poço quando se exportou US$ 161 milhões, sendo somente US$ 2 milhões em amêndoas e US$ 159 milhões em derivados. A partir daí inicia-se uma recuperação chegando em 2004 a exportar US$ 317 milhões, sendo US$ 1,8 milhão em amêndoas e US$ 316 milhões em derivados. Mesmo havendo uma recuperação nas exportações de cacau, o mercado continua dando preferência para produtos com maior valor agregado, ou seja, manteiga, líquor, torra e pó de cacau.

Em 1983 o percentual de exportações de cacau em amêndoas chegou a 50%, a partir de então há uma maior participação de manteiga de cacau e de pó de cacau, chegando em 2004 com participações 48% e 25%, respectivamente.

Os preços da manteiga de cacau variaram entre US$ 2.000/ton a US$ 4.125 entre 1983 e 2004 e os preços do pó de cacau iniciaram uma reação saindo de US$ 500/ton em 1983 e chegando a US$ 2.598/ton em 2003. Enquanto os preços das amêndoas de cacau tiveram um comportamento inverso neste período, saindo de US$ 2.322/ton em 1984 caindo para US$ 981/ton em 1993 e iniciando uma lenta recuperação quando atingiu US$ 1950/ton em 2002, mas retornando ao patamar de US$ 1.686:ton em 2004.

As importações de cacau em 1999 alcançaram 77 mil ton, desceram ao patamar de 89 mil ton em 2001, aumentaram novamente para 61 mil ton em 2003 e agora estacionaram em 40 mil ton em 2004. Até abril de 2005 as importações já chegaram 24 mil toneladas. Tudo indica que com a recuperação da produção brasileira e principalmente a produção baiana a importação de cacau continue a cair ainda mais.

Em relação ao drawback, uma saída que podemos verificar para o momento é as lideranças dos produtores e processadores internos sentarem à mesa e definirem a realidade do mercado, ou seja, vamos medir o déficit de mercado que realmente existe. Definida a quantidade a importar, vamos estabelecer cotas de importação de acordo com a necessidade e essas importações têm que ser realizadas em períodos de entressafra para não forçar os preços para baixo. Outra alternativa essa mais drástica seria colocar um mecanismo de compensação, tipo um imposto importação que fizesse com que o processador importador refletisse melhor na hora de importar. Esses valores provenientes dos impostos poderiam ser usados para financiar alguma atividade do produtor que no futuro poderia ser discutida.

De acordo com dados do IBGE o valor da produção de cacau entre 1994 e 2001 se manteve no patamar entre R$ 283 milhões e R$ 447 milhões. A partir de 2002 há uma boa recuperação para R$ 967 milhões em 2003 e R$ 813 milhões para 2004. Isto pode ser explicado pelos bons preços obtidos pelos cacauicultores nestes últimos dois anos e pelo início da recuperação da produção experimentada neste período.

A produtividade dos cacauais tanto ao nível de Brasil como ao nível de Bahia tiverem um comportamento semelhante, apesar da produtividade nacional ter estado acima da produtividade baiana. Isto pode ser explicado pela doença vassoura-de-bruxa que atacou de forma impiedosa os cacauais baianos. Enquanto a produtividade brasileira se encontra em 19 @/há a produtividade baiana se encontra em 15 @/há de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

De acordo com a planilha apresentada verificamos que o cacauicultor pode experimentar seis sistemas de produção (To a T6) que conforme a sua complexidade (tecnologia ou práticas agrícolas - 1 a 22) variou também de uma produtividade de 30@/há a 100 @/ha. Multiplicando a produtividade pelo preço de R$ 51,00/@, encontramos a receita esperada que subtraída pelo custo da tecnologia tivemos a margem bruta, que foi o lucro bruto para um hectare de cacau. Podemos verificar ainda de acordo com a tabela apresentada que a relação custo benefício variou de 1,31 a 1,78, sendo a T1 o sistema de produção que apresentou a melhor relação custo/benefício.

 

Antonio César Costa Zugaib - Coordenador
Almir Martins dos Santos
Lindolfo Pereira dos Santos Filho

CEPLAC/CEPEC/SESOE