Graviola


A gravioleira (Annona muricata) é originária da América Central, sendo cultivada no Brasil, Colômbia, México, Havaí e algumas regiões da África e Ásia. O peso da graviola varia entre 1,2 a 6,0 kg; composta de 65% de polpa, ela é utilizada na fabricação de sucos, sorvetes, cremes e doces.

Variedades

Grande parte dos pomares comerciais de gravioleira do Brasil são formados a partir de sementes, entretanto maior produtividade e melhor qualidade são obtidas utilizando-se plantas enxertadas a partir de matrizes selecionadas, principalmente da cultivar Morada. 

Clima e solo

A gravioleira desenvolve-se bem em regiões de clima tropical e subtropical, em altitudes inferiores a 1200 m, com precipitação pluviométrica acima de 1200 m, com pouca ou má distribuição de chuvas, recomenda-se utilizar irrigação. Os solos para o cultivo da gravioleira devem ser profundos, bem drenados e com acidez entre 5,5 e 6,5.

Preparo do terreno

Depois de limpar a área o preparo do solo resume-se em: aração, gradagem (áreas mecanizáveis), correção da acidez, controle de formigas, balizamento e abertura de covas. A calagem, de acordo com a análise do solo, deve ser efetuada, preferencialmente, 60 dias antes do plantio para corrigir a acidez e suprir o solo com cálcio e magnésio.

A gravioleira desenvolve-se melhor em solos com pH entre 5,5 a 6,6. No terreno deve ser levada em consideração a implantação de cultivos de ciclo curto ou de ciclo médio que possam gerar renda durante o período improdutivo da graviola. O balizamento deve ser feito obedecendo o espaçamento de 5 x 5 m ou 6 x 5 m (plantio mecanizado). As covas de 40x40x40 cm devem ser abertas e adubadas com antecedência de 30 dias do plantio.

Plantio

O plantio fica condicionado à disponibilidade de água no solo (chuva ou irrigação). Por ocasião do plantio as mudas devem apresentar cerca de 30 cm de altura, bom estado nutricional e fitossanitário.

Tratos culturais

Além das adubações (de acordo com a análise do solo) é da manutenção da limpeza na cultura da graviola, efetuam-se duas podas: poda de formação e poda de limpeza.

A poda de formação é efetuada quando a planta no campo tiver com 60 a 80 cm de altura, para provocar a emissão de ramos laterais. Devem ser deixados 3 a 4 galhos visando o equilíbrio da planta e, posteriormente, novas podas são efetuadas para. quebrar a predominância dos ramos apicais. A planta deve ficar com uma altura máxima de 3 m, sendo que o ramo predominante deve ser cortado com 2 m de altura.            A poda de limpeza consiste na eliminação do ramos secos, doentes ou atacados por pragas. Nessa ocasião devem ser eliminados os ramos com brotações indesejáveis.

Manejo integrado das pragas

As pragas, principalmente as brocas, constituem-se nos principais problemas da gravioleira.

Broca-do-fruto (Cerconota anonefla) - Os estragos são causados por lagartas que se alimentam das partes internas dos frutos. Os danos causados pela broca-do-fruto são facilmente visíveis devido à serragem que vai sendo expelida para o exterior do fruto e pela cor escura que forma ao redor dos locais atacados.

Broca-da-semente (Bephratelloides pomorum) - As brocas-das-sementes causam diversos furos no fruto, favorecendo o aparecimento de doenças e a entrada de outros insetos. Ocorre também queda de frutos jovens quando perfurados.

Como medidas de controle recomenda-se:

  • Eliminar plantas da família das anonáceas sem valor comercial para evitar a entrada das mariposas no futuro plantio.

  • Ensacar os frutos utilizando sacos plásticos translúcidos perfurados no fundo. O ensacamento será efetuado quando os frutos tiverem de 3 a 5 cm. Antes do ensacamento o fruto deverá ser emergido em solução inseticida e fungicida com o objetivo de eliminar as pragas e os focos de doenças.

  • Inspecionar semanalmente o pomar, a partir da floração, para coleta e enterrio de todos os frutos atacados por broca encontrados na planta ou no chão.

  • Pulverizar, de forma direcionada, as inflorescências e fretino, com inseticidas à base de trichiorfon a 0,10% ou fenthion a 0,075% ou monocrotophos a 0,05% ou endosulfan a 0,08% a cada 15 ou 20 dias, observando-se os períodos de carência dos defensivos.

Broca-do-tronco (Cratosomus sp.) - os danos causados pelas larvas que se alimentam dos tecidos internos do tronco e ramos da gravioleira, predispondo a planta ao ataque de fungos, os quais aceleram a morte da planta ou comprometem a produtividade. Os sintomas do ataque são facilmente reconhecíveis devido a um líquido de cor preta que vai se formando no tronco e/ou nos ramos da planta. Quando o ataque é na base, a planta pode morrer devido a interceptação da seiva.

Célio Kersul do Sacramento, Engenheiro Agrônomo, DS
Transcrito do Jornal CEPLAC Notícias - julho 2000