UM CLONE DE SERINGUEIRA COM DUPLA APTIDÃO

 

Recomendação Técnica nº 4, Ceplac-Cepec

A maioria dos seringais do estado da Bahia foi estabelecida com clones introduzidos da região norte do país, que sequer tiveram a oportunidade de serem previamente testados para estas novas condições ambientais, fato que certamente concorreu para a baixa produtividade hoje observada nessas áreas. Entretanto esta iniciativa não deixou de ser válida, pois alguns desses clones têm-se sobressaído em algumas localidades.

É sabido que o desenvolvimento de variedades melhoradas em seringueira é um processo demorado que requer longo ciclo de seleção, dadas às peculiaridades inerentes da cultura. Por outro lado, a demanda por variedades mais produtivas e resistentes é cada vez maior em decorrência das perspectivas futuras de mercado. A Ceplac conduz atualmente um programa de melhoramento genético, que busca associar caracteres de produção, resistência a doenças e outros atributos de importância agronômica presentes nas espécies Hevea brasiliensis, H. benthamiana e H. pauciflora.

Evidentemente que o demorado tempo de retorno do capital investido tem estimulado ultimamente a recomendação do plantio de seringueira em consorciação com outras culturas, especialmente o cacaueiro. Assim, características relacionadas à arquitetura da copa passaram a receber maior atenção da pesquisa, pois tem muito a ver com a qualidade de luz que chega ao dossel inferior, o que viabiliza a exploração desse sistema agroflorestal. Os clones com copa menos densa e ramificações laterais mais fechadas são os mais indicados.

O SIAL 1005 é um clone que por apresentar estas características está sendo recomendado para plantio em escala comercial. Trata-se de uma seleção de Hevea brasiliensis que, em mais de vinte anos de avaliação de campo, ainda que seja na primeira etapa do processo de melhoramento e seleção, tem apresentado látex de qualidade, produções de borracha bastante significativas e um vigor exuberante, traduzido por uma taxa média de crescimento de 9 cm ao ano até a entrada em sangria.

Sobressai-se também por apresentar alto nível de resistência de campo a doenças, especialmente ao mal-das-folhas e a requeima. Por ter um fuste bastante longo a sua madeira poderá ser economicamente aproveitada, ao final do ciclo de exploração da borracha (Figura 1). Ademais, o período de troca de folhas rápido e definido favorece o escape à doença.

Este clone responde satisfatoriamente aos sistemas de sangria estimulada, mostrando alta tolerância à seca de painel, boa regeneração de casca e ausência de problemas fitossanitários. Pode também ser recomendado para plantio em áreas de baixada, formadas com solos hidromórficos. As características básicas do clone SIAL 1005 estão sumarizadas na Tabela 1.

Tabela 1 – Desempenho em produção e vigor do clone SIAL 1005 na Estação Experimental Djalma Bahia (Edjab), Una, BA.

Clones

CC (cm)1/

Incremento do caule (cm)

Produção de borracha seca

(kg/árvore/ano)

Pré-sangria (89/90)

Sangria (91/05)

SIAL 1005

114,18

9,08

4,60

5,462/

Fx 3864

75,353/

6,983/

1,603/

3,21/3/

Dados coletados a 1,5 m do solo, Média de seis anos de sangria, Dados de produção e vigor (77/85).


José Raimundo Bonedie Marques

Pesquisador Ceplac/Cepec/Segen

km 22 da Rod. Ilhéus-Itabuna, CP 07, Cep. 45600-970 Itabuna, BA