CULTIVO DO CUPUAÇUZEIRO PARA O ESTADO DA BAHIA

INTRODUÇÃO
 

O cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum (Willd. ex. Spreng.) Schum.) é uma fruteira encontrada desenvolvendo espontaneamente nas matas da região Amazônica. Geralmente procurado pelo sabor típico de seus frutos, para aproveitamento de sua polpa e sementes pelas indústrias alimentícias e de cosméticos, em virtude de suas propriedades sensoriais e químicas.
 

A produção do cupuaçuzeiro no Brasil concentra-se na região Amazônica, sendo o Estado do Pará o principal produtor, seguido do Amazonas, Rondônia e Acre. A área cultivada no Pará é cerca de 14.000 ha, com produção em torno de 21.479 t. de polpa em 2000.
 

A área cultivada no Estado da Bahia é de aproximadamente 254 hectares, sendo 45 hectares em produção e 209 hectares em desenvolvimento. Com produção em torno de 200 t de polpa e produtividade média de 30 a 40 frutos/ planta/ano (Lopes,1999)
 

O seu cultivo nas condições edafoclimáticas do Sul da Bahia, apresenta boa potencialidade agroeconômica, entretanto existem carências de pesquisa nas áreas de nutrição, seleção de cultivares adaptados às condições edafoclimáticas das regiões produtoras, com potencial de alta produtividade e resistência às pragas e doenças; produção constante; organização da produção; estudo de mercados e comercialização e criação de agroindústria (Fraife Filho, et al., 1998).
 

É uma planta de boa adaptação à sombra o que a torna uma planta apropriada para formação de consórcios com outras espécies frutíferas ou florestais. Este sistema proporciona bons resultados econômicos e ecológicos permitindo uma exploração com maior sustentabilidade. Portanto, torna-se uma alternativa válida para a diversificação da fruticultura comercial, sem provocar fortes impactos ambientais. Neste capítulo, serão apresentadas informações sobre os problemas encontrados no cultivo do cupuaçuzeiro. Além disso, cita as pesquisas e informações técnicas necessárias ao seu cultivo, visando o aumento da sua produtividade.

1. ORIGEM E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
 

Segundo Ducke (1953) o cupuaçuzeiro é encontrado, espontaneamente, na parte sul, leste e sudoeste do Pará, no Estado do Amazonas e na pré-Amazônia maranhense. Apresenta-se de forma silvestre nas florestas tropicais úmidas da terra firme (Cuatrecasas, 1964, Calzavara et al., 1984).
 

Atualmente, o cupuaçu está disseminado por toda a bacia amazônica e norte do Maranhão, chegando a atingir também o Estado de São Paulo. Alguns indivíduos podem ser encontrados no Rio de Janeiro (Jardim Botânico e Cidade de Silva Jardim). No Estado da Bahia (Escola Média de Agricultura da Região Cacaueira, em Uruçuca, e em vários sítios da região sul, onde predomina o cultivo de cacau. A maior concentração de plantio dessa fruteira no Estado da Bahia localiza-se nos municípios de Ilhéus, Camamu, Ituberá, Nilo Peçanha, Taperoá e Valença e Una (Lopes,1999).

2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA
 

Dentro do gênero Theobroma, o fruto do cupuaçu é o que apresenta maior tamanho, sendo sua polpa utilizada na elaboração de sucos, sorvetes, picolés, geléias, iogurtes, doces e compotas. As análises de polpa revelam excelentes características e teores médios de fósforo e de vitamina C superiores a muitas outras polpas de frutas (Calzavara, 1987). Das espécies do gênero Theobroma, o cacau e o cupuaçu formam a dupla de maior importância, tanto no que se refere à situação econômica como nos aspectos sociais. O cupuaçu é tradicionalmente cultivado com maior freqüência, em pequenas propriedades, ocupando mão-de-obra familiar e, geralmente, consorciado com outras culturas. Na pequena propriedade pode ser consorciado, no primeiro ano com a mandioca, milho, feijão, bananeira ou mamoeiro, proporcionando receita durante a fase jovem do cultivo, culminando com a melhoria da qualidade de vida dos pequenos produtores.
 

O cupuaçuzeiro é uma espécie bem adaptada ao sombreamento e por isso naturalmente apresenta vocação para cultivos consorciados com espécies heliófilas de grande porte, tais como: seringueira, castanha-do-pará, mogno e frutíferas de porte florestal, participando como componente de sistemas agroflorestais, sem provocar danos ambientais, em função das suas características restauradoras e conservadoras (Locatelli et al., 1996).
 

A conquista de novos mercados deverá ser a principal preocupação para a evolução da cultura em bases seguras, exigindo competência, apresentação de um produto confiável, higiênico e a garantia de oferta, aspectos importantes a serem considerados no processo de comercialização. Como estratégias de ampliação de novos mercados, além de Salvador (BA) e mercados regionais, se faz necessária uma ação efetiva dos produtores organizados, independentemente dos setores governamentais, utilizando diversos meios para difundir o produto nos municípios mais populosos, preferencialmente as capitais dos Estados. Tornando o produto mais popular mediante inclusão em programas sociais como o da merenda escolar, bem como nas exposições e eventos oficiais realizados nos grandes centros urbanos do país (Homma, 1996).
 


3.SISTEMÁTICA E DESCRIÇÃO BOTÂNICA
 

As espécies de Theobroma estudadas são diplóides, apresentando um número de cromossomos 2n = 20, semelhante às espécies do gênero Herrania (Muñoz Ortega, 1948; Carletto, 1946 e Simmonds, 1954).
 

O gênero Theobroma pertence à família Sterculiaceae, juntamente com os gêneros Herrania, Guazuma e Cola, sendo constituído principalmente de espécies arbustivas, com altura variando de 5 m a 15 m, podendo, algumas delas, alcançar 20 m.
 

O nome cupuaçu vem da língua Tupy (Kupu = que parece com o cacau + uasu = grande). O fruto possui rica sinonímia nos diferentes lugares onde é cultivado ou comercializado, a exemplo de cupu do Estado do Pará ao Acre; pupu ou pupuaçu no Estado do Maranhão; cacau-cupuaçu na Bahia; cupuazur na região de Iquitos no Peru; bacau na Colômbia; cacau blanco no México, Costa Rica e Panamá; cupuassu na Inglaterra; patas no México; lupo no Suriname (Cuatrecasas, 1964; Cavalcante, 1988 e Clement & Venturieri, 1990).
 

As 22 espécies do gênero Theobroma estão restritas à América Tropical (Cuatrecasas, 1964). Dessas, 8 são encontradas na Amazônia brasileira: T. cacao, T. bicolor, T. grandiflorum, T. microcarpum, T. obovatum, T. speciosum, T. subincanum e T. sylvestre. Todas produzem frutos comestíveis e pelo menos das cinco primeiras espécies pode-se obter chocolate (Ducke,1953; Calzavara et al., 1987; Venturieri & Aguiar, 1988, Nazaré et al., 1990
 

Ë uma planta que apresenta crescimento ereto, tendo o seu eixo principal crescimento ortotrópico, a uma altura de 1m a 1,5 m, trifurcando-se em ramos plagiotrópicos. Quando cultivado, atinge uma altura de 6 m a 10 m, enquanto no estado silvestre ultrapassa 20 metros e a sua copa pode alcançar até 7 metros de diâmetro (Calzavara, 1987).
 

As folhas apresentam coloração rósea, quando jovens, e verde, quando maduras, com 25 cm a 35 cm de comprimento e 6 cm a 10 cm de largura com 9 a 10 pares de nervuras; as folhas jovens contêm pêlos ferrugíneos, que se soltam facilmente. As inflorescências são axilares ou extra-axilares, com uma a cinco flores distribuídas pelos ramos; cálice com cinco sépalas triangulares espessas; corola com cinco pétalas arroxeadas e base em forma de cógula que recobre os estames, formando uma barreira física entre o androceu e o gineceu, tendo cinco estaminóides petalóides de cor roxa-escuro intercalados por feixes de estames, que sustentam seis anteras; o ovário é obovado, com cinco lóculos (Venturieri, 1993).
 

O fruto é uma baga capsulácea de 12 cm a 25cm de comprimento e 10 cm a 12 cm de diâmetro, pesando em média 1,2 kg. O epicarpo é lenhoso, de coloração marrom, coberto com pêlos ferrugíneos, que quando raspado, expõe outra camada clorofilada; o mesocarpo é esponjoso, pouco resistente e levemente mais duro que o endocarpo, que é macio, fino e claro, limitado internamente por uma película. As sementes, em média 36 por fruto, apresentam 2,5 cm de comprimento por 0,9 cm de espessura, superpostas em cinco colunas em torno de um eixo central. As sementes estão envolvidas por uma abundante polpa branco-amarelada de sabor ácido e cheiro agradável (Addison & Tavares, 1951; Cavalcante, 1988 e Venturieri, 1993).

3.1. CULTIVARES
 

Atualmente são conhecidos e explorados comercialmente, apenas três cultivares de cupuaçuzeiros, agrupados conforme o formato de seus frutos:
 

Cupuaçu-redondo - possui frutos com extremidades arredondadas, casca com 6 mm a 7 mm de espessura com peso médio de 1,5 kg, sendo o tipo mais cultivado na região Amazônica.
 

Cupuaçu-mamorana - frutos com as extremidades alongadas, casca com 6 mm a 7mm de espessura, pesando em média 2,5 kg. Sua denominação é derivada da semelhança com o fruto de mamorana (Bombax aquatica Schum), planta que vegeta nas margens dos rios da região Amazônica.
 

Cupuaçu sem-sementes - também conhecido como “sem caroço” ou cupuaçu-de- massa. O mutante original desse clone foi encontrado pela primeira vez, em 1949 no sítio de Pacajás, próximo a Cametá, no Estado do Pará. O formato do fruto é arredondado, sendo a sua principal característica a ausência de sementes. O peso médio do fruto é de 2,5 kg, chegando a atingir 4,0 kg. O rendimento médio de polpa dos tipos sem-sementes é de 70%, enquanto os com sementes é de 30% (Calzavara, 1987, Benza, 1980, Calzavara et. al.,1984; Venturieri et. al., 1993).

4.CLIMA E SOLO
 

É cultivado em regiões que apresentam temperaturas médias anuais superiores a 22ºC, pluviosidade acima de 1500 mm, bem distribuídas e umidade relativa acima de 75%. Os solos mais recomendados são os areno-argilosos, profundos e com boa drenagem (Venturieri,1993).

5.PROPAGAÇÃO
 

Uma fase fundamental no cultivo de espécies frutíferas é a produção de mudas, que sendo de boa qualidade irá proporcionar a formação de um pomar de qualidade e produtivo.
 

O cupuaçuzeiro pode ser propagado por via sexual, por meio de sementes e por via assexuada, por meio da enxertia.
 


5.1. PROPAGAÇÃO POR SEMENTES:
 

O método de propagação mais utilizado é por meio de sementes, provenientes de matrizes sadias, vigorosas e que apresentem precocidade e alta produção. Escolher os maiores frutos, sem manchas na casca e sem rachaduras e dentre estes as maiores sementes, rejeitando as pequenas, chochas ou danificadas. As sementes maiores e mais pesadas são as que formam mudas mais vigorosas. Em média têm-se em um quilograma de sementes de 140 a 200 sementes, sendo recomendável se preparar 20% acima da necessidade de plantio (Souza et al., 1999; Coral, 2000).
 

Segundo Garcia (1991), a germinação das sementes de cupuaçu é sensivelmente influenciada pela temperatura. Quando as sementes foram submetidas às temperaturas de 15ºC, 20ºC 25ºC, 30ºC e 35°C, em substratos de areia lavada, serragem e vermiculita, observou-se que não houve diferenças entre os substratos utilizados, entretanto, a germinação ocorreu com mais vigor e resultou em maior número de plantas normais, nas temperaturas de 25 a 30°C. Pode-se concluir que a germinação do cupuaçuzeiro é altamente sensível à temperatura, estabelecendo-se que o intervalo de 25ºC a 30°C apresenta as temperaturas ideais para a germinação das sementes.
 

Normalmente a germinação inicia aos dez dias e a repicagem para os sacos plásticos deverá ser feita quando as mudas atingirem vinte centímetros de altura, fazendo seleção das mudas por desenvolvimento, formação e estado de sanidade. Os canteiros deverão ter no máximo 20 metros de comprimento, de 1 m a 1.20 m de largura, e altura entre 20 cm a 30 cm, para facilitar o manejo. (Coral,2000).
 

Em sacos plásticos, a semeadura é feita a uma profundidade de 2 cm e a germinação ocorre entre 13 a 25 dias após o semeio. O percentual de germinação gira em torno de 90% para sementes bem selecionadas e tratadas.
 

O substrato utilizado para formação das mudas de cupuaçu, é composto pela mistura de esterco de curral ou composto bem curtido, areia e cinza, na proporção de 4:3:1:1. Todo o material deve ser peneirado e bem misturado. As mudas permanecem no viveiro até o momento que precede ao plantio, sendo expostas ao sol gradualmente e o plantio deve ser realizado quando a muda atingir de 40 cm a 60 cm, o que pode ocorrer de 6 a 8 meses de idade após a semeadura (Calzavara, 1987).

5.2. PROPAGAÇÃO VEGETATIVA
 

O método de propagação vegetativa do cupuaçuzeiro mais utilizado é a enxertia, sendo a mesma utilizada para induzir precocidade de produção e homogeneidade nas plantas, possibilitando a reprodução de material genético de qualidade superior e a formação de plantas com porte baixo, fator importante na prática do manejo da poda e na redução de perdas de frutos quebrados com a queda, em virtude dos frutos caírem espontaneamente, quando maduros (Müller et al. , 1997). O porta-enxerto utilizado é o próprio cupuaçuzeiro e neste aspecto deve-se ter o cuidado na escolha da planta matriz, uma vez que no cupuaçuzeiro ocorre a auto-incompatibilidade gamética, portanto, sendo recomendado enxertos de diferentes matrizes (Silva,1997).
 

Para enxertia, os porta-enxertos devem ter entre 8 a 9 meses, com 8 mm a 10 mm de diâmetro a 10 cm do colo e com altura entre 70 cm a 80 cm. Atentar para que a área do caule destinada a enxertia esteja livre de lesões. O diâmetro do garfo não deverá ser maior que o diâmetro do porta-enxerto decapitado a 10 cm do colo.

6.IMPLANTAÇÃO DO POMAR
 

Para instalação do pomar poderão ser escolhidas áreas ocupadas com mata, capoeira ou áreas de pastagens. Em qualquer situação, é importante verificar a profundidade do solo e retirar as amostras para a análise química. Os solos deverão ser de preferência, profundos e bem drenados.

6.1 PREPARO DE SOLO
 

Esta etapa consiste basicamente na derruba ou raleamento da vegetação existente, balizamento, calagem e drenagem (quando necessário) e plantio de sombreamentos, definitivos e provisórios requeridos pela cultura, por se tratar de uma cultura adaptada às condições de sub-bosque.

6.2 ESPAÇAMENTO
 

O espaçamento para o cupuaçuzeiro varia de 5m x 5m (400 plantas/há) até 8m x 8m (156 plantas/ha). Contudo, a adoção do espaçamento depende de alguns fatores, tipo de plantio consorciado ou não, definitivo ou temporário. A fertilidade é outro fator a ser considerado, em solos férteis e ricos em matéria orgânica, o cupuaçuzeiro apresenta um desenvolvimento bastante exuberante. Em plantios mais densos, há necessidade de podas de formação e manutenção, a fim facilitar os tratos culturais.

6.3 ABERTURA DE COVAS E PLANTIO
 

As mudas de cupuaçuzeiro provenientes de sementes são plantadas quando atingem 5 a 6 meses de idade e uma altura de 40 cm a 50 cm. As enxertadas com 8 a 9 meses e 70 cm a 80 cm de altura, dispondo-as em covas de 0,40 m x 0,40m x 0,40m em espaçamentos variando de 8,0 m x 8,0 m até 5,0 m x 5,0 m. Antes do estabelecimento do pomar, recomendam-se dois tipos de sombreamento: provisório, utilizando a cultura da bananeira (Musa spp.) em espaçamento de 3,0 m x 3,0 m, e um sombreamento definitivo, utilizando-se plantas de porte florestal de valor econômico, em espaçamentos variando de 15,0 m x 15,0 m a 20,0 m x 20,0 m (Calzavara, 1987).
 


7.TRATOS CULTURAIS

7.1 ERVAS DANINHAS E CONTROLE
 

As plantas invasoras competem com a cultura em água, luz , espaço, nutrientes e pelos efeitos alelopáticos, devido à liberação de toxinas que dificultam ou impedem o crescimento normal das plantas cultivadas nutrientes. Recomenda-se efetuar dois a três coroamento e três roçagens durante o ano.

7.2 PODA
 

A poda dos cupuaçuzeiros tem a finalidade de induzir a formação de uma planta de porte baixo para facilitar o controle cultural de doenças como a vassoura de bruxa; diminuir o impacto dos frutos ao caírem no solo; e facilitar a coleta dos frutos O cupuaçuzeiro requer três tipos de poda: poda de formação e desbrota, indicada por sua importância no equilibrio fisiológica e boa formação da arquitetura da copa; retirada de ramos baixos e brotações abaixo de 1,5 m. É realizada no primeiro ano de idade da planta, quando é cortado o broto terminal para promover a divisão do tronco principal em dois a fim de facilitar a distribuição do peso dos futuros frutos sobre a copa e com isto evitar que a planta rache ao produzir uma safra abundante. A poda de manutenção ou limpeza consiste na eliminação dos ramos indesejáveis, praguejados ou doentes, e deve ser realizada no final de safra. (Calzavara, 1984; Calzavara, 1987; Venturieri, 1993

7.3 ADUBAÇÃO E NUTRIÇÃO
 

Apesar de não existir trabalhos de pesquisas publicados sobre adubação, calagem e nutrição do cupuaçuzeiro nas regiões produtoras do Sul da Bahia, tem-se utilizado as mesmas recomendações de adubação para a cultura do cacaueiro, com bons resultados na produção. Entretanto, se faz necessária a validação por parte da pesquisa, a fim de se obter uma formulação que atenda as exigências nutricionais da cultura e que possibilite alta produtividade com boa qualidade de frutos. Na adubação em covas de plantio, tem sido utilizado 2 kg de esterco curtido de bovino, 150g de superfosfato triplo + 100g de cloreto de potássio + 200g de calcáreo dolomítico. A adubação deve ser realizada em função do resultado da análise química do solo, tanto a de fundação como as subsequentes. A necessidade de adubação com micronutrientes segue o mesmo critério.
 

Para o primeiro ano de plantio, recomenda-se 300g de formulação 10-28-20 (NPK) por planta em 4 aplicações de 75g em intervalo de 3 meses; no segundo ano, 480g/planta, com o mesmo intervalo de aplicação. A partir do terceiro ano, 200g/planta/aplicação, fazendo as adubações no inicio, no meio e no fim do período chuvoso.
 

Adubação ccomplementar: 500g de farinha de osso e 1000g de torta de mamona/planta, aplicados em covas situadas na periferia da copa. Pode ser utilizado 10 litros de esterco curtido/planta e por ocasião do último parcelamento com NPK, aplicar 30g de bórax (Carvalho et al., 2000).

8. PRAGAS, DOENÇAS E SEU CONTROLE

8.1. PRAGAS E SEU CONTROLE
 

No que se refere às pragas, alguns coleóptero atacam as folhas da planta causando perfurações no limbo. A lagarta Elbella patrobas, também ataca as folhas. A larva de Nyssodrystes sp aloja-se no interior do fruto. Outra praga que ocorre no cupuaçu, é a broca dos galhos, que é um cerambicideo, Ecthoea quadricornis. Em qualquer caso de ataque de pragas, é prudente consultar um técnico para identificação e recomendação de controle do mesmo.

8.2. DOENÇAS E CONTROLE
 

A enfermidade que causa os maiores danos econômicos para a cultura, é a Vassoura-de-bruxa, Crinipellis perniciosa (Stahel) Singer. A expansão dos cultivos comerciais na Amazônia e a falta de adoção de medidas de controle concorrem para o a aumento da incidência da doença, provocando uma grande redução na produção de frutos. Na região Sul da Bahia, atualmente, não tem se verificado ataques de expressão econômica dessa doença nos plantios comerciais. Como medida de controle recomenda-se a retirada das vassouras verdes e ou secas das plantas e em seguida realizar a queima das mesmas. Após a retirada das vassouras pulverizar com uma mistura de 20g de benomil, ou 60g de fungicida cúprico + 20ml de óleo vegetal + 1ml de espalhante adesivo para 600ml de água. O uso de clones resistente a doença é uma outra alternativa que deverá ser adotada. Outras doenças menos importantes, também afetam a cultura do cupuaçuzeiro, tais como: Morte Progressiva, Lasiodiplodia theobromae (Pa) Griff & Maubl. Essa enfermidade ataca o cupuaçu em qualquer idade, desde a fase de mudas até a fase adulta e pode está relacionada a deficiências nutricionais (Ferreira, 1989) ou em plantas que sofreram ferimentos (Lima, et al.,1992) Ainda não há relatos de registros dessa doença no Sul da Bahia.
 

Mancha de Phomopsis, Phomopsis sp., ocorre praticamente em todo cultivo de cupuaçuzeiro na Amazônia, causando prejuízos consideráveis, reduzindo área foliar e consequentemente a produção da planta. Os sintomas se caracterizam por lesões circulares de coloração marrom que evoluem para esbranquiçadas, pardas ou avermelhadas quando do amadurecimento das folhas. Também não existem registros dessas doenças nos cultivos comerciais do Sul da Bahia. Em casos de ocorrência , pode ser realizado como forma de controle 1g de benomil para cada litro de água ou 3g de óxido cuproso na dosagem de 3g do produto comercial para 1 litro de água (Lima e Souza, 1997)

9. COLHEITA
 

De modo geral, foi observado que na região Sul da Bahia, a floração ocorre de agosto a dezembro e a frutificação de janeiro a junho, com pico de produção entre março a maio, podendo ocorrer frutos temporões de julho a setembro, de acordo com as variações climáticas (Lopes,1999). Na Amazônia, Prance e Silva (1975) verificaram floração no período de julho a dezembro e frutificação no período de agosto a abril, enquanto Calzavara et al., (1984) constatou floração no período de junho a março; Falcão & Lleras(1983).
 

O período de floração à colheita normalmente estende-se por quatro a cinco meses. A partir das primeiras safras, as plantas começam a produzir em escala crescente, até a estabilização, que ocorre no quinto ano após o plantio. Das primeiras frutificações até o terceiro ano após o plantio, a produção é considerada baixa, com 4 a 7 frutos por planta / ano, aumentando para 20 a 30 frutos por planta / ano, no quinto ano cultivo. A produtividade depende da cultivar, do clima, do solo das práticas e do manejo. O início da produção ocorre entre 18 a 24 meses após o plantio. É recomendável que a maturação do fruto se complete na planta. A colheita é feita manualmente quando os frutos maduros caem, exalando um cheiro bastante agradável (Venturieri, 1994).

Índices médios de produção de cupuaçu de acordo com a idade das plantações.
 








Estimativas de produtividade do cupuaçuzeiro na Amazônia brasileira e no Sul da Bahia
 










10. PÓS-COLHEITA
 

Após a colheita os frutos são levados para as indústrias de beneficiamento que de uma forma geral, consiste em despolpar os frutos manual ou mecanicamente e conservar a polpa em baixas temperaturas, sendo a temperatura ideal em torno de –12ºC a -18ºC, que pode ser conservado por um período de 12 meses sem apresentar alterações em sua composição química, ou perdas substanciais de suas propriedades sensoriais (Ribeiro, 1996).
 

O frutos mais pesados tendem a apresentar maior rendimento de polpa, em função do menor rendimento percentual de sementes nestes frutos, uma vez que a percentagem de casca apresenta certo equilíbrio entre as classes de frutos. Na extração manual da polpa, constatou-se os rendimentos de 36,38% de polpa, 46,03 % de casca e 18,95 % de sementes (Calzavara et al., 1984). Para a extração mecanizada o rendimento de polpa é bastante variável e, dependendo da máquina e da quantidade de água adicionada durante o processo, é mais eficiente que a extração manual, sendo encontrado por Santos e Conduru (1972) os percentuais de 46,47 % de casca, 36,79% de polpa e 16,74% de semente. Venturieri (1993) encontrou valores de 49,02% de casca, 33,82% de polpa e 14,93% de semente.

11. PRODUTOS, SUBPRODUTOS E FORMAS DE UTILIZAÇÃO
 

O cupuaçu é, dentre os frutos amazônicos, o que reúne melhores condições de aproveitamento industrial e sua polpa possui grandes possibilidades de utilização na indústria de alimentos (Ribeiro,1996) constituindo-se em principal produto. Apresenta multiplicidade de uso e é empregada na elaboração de refrescos e na produção industrial e artesanal de sorvete, nectar, doce, geléia, iogurte, licor, xarope, biscoito e bombom. Na culinária doméstica a polpa tem larga aplicação, envolvendo mais de 60 modalidades de consumo, destacando-se os cremes, pudins, tortas, bolos e pizzas (Calzavara et al.,1984).
 

As sementes são utilizadas para a elaboração do cupulate, produto com características nutritivas e organolépticas similares ao chocolate (Villachica et al.,1996) e a gordura na indústria de cosmético. Para cada 100 kg de sementes frescas, são obtidos 45,5 kg de sementes secas, 42,8 kg de sementes torradas e 31,2 kg de amêndoas sem casca. Destas pode-se obter 13,5 kg de manteiga de cupuaçu, que é usada na formulação do cupulate em tabletes (Nazaré et al., 1990).

12.COMERCIALIZAÇÃO
 

A exemplo da maioria dos produtos agrícolas, a comercialização do cupuaçu é feita diretamente ao produtor, ao intermediário, ou o produto é colocado nas Centrais de Abastecimento das regiões produtoras, alcançando preços variados (Coral, 2000).
 

No Sul da Bahia, em feiras livres, mercados preferidos dos pequenos produtores, os frutos após colhidos e limpos são comercializados, alcançando os preços que variam de R$ 1,50 a R$ 2,00 por fruto. A polpa congelada é a principal forma de produto para comercialização, alcançando os preços que variam de R$ 3,0 a R$ 3,50 ao produtor.

13.CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO E MANUTENÇÃO
 

Coeficientes técnicos para implantação e manutenção de 01 ha de cupuaçuzeiro, sob capoeira ou mata raleada utilizando o espaçamento 5m x 5m com 400 plantas/ha em
 





























14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Gilberto de Andrade Fraife Filho
CEPLAC/Centro de Pesquisas do Cacau - Cepec - Itabuna, Bahia