CRAVO-da-índia

O cravo-da-índia (Syzygium aromaticum L.) é da família Myrtaceae, é uma árvore de grande porte, chegando atingir de 12 a 15m de altura e o seu ciclo vegetativo alcança mais de cem anos.

No Brasil, praticamente apenas a Bahia produz esta especiaria de forma comercial na Região do Baixo Sul, representada pelos municípios de Valença, Ituberá, Taperoá, Camamu e Nilo Peçanha, sendo estes os principais produtores e mais ao Sudeste o município de Una. De acordo com o Centro de Extensão Rural da Ceplac, a área plantada é estimada em cerca de 8.000 hectares e produção de 4.000 toneladas. Ë uma cultura de grande importância sócio-econômica para os municípios produtores, visto que a maioria dos agricultores que cultivam o craveiro é de mini e pequenos produtores. O seu produto de valor comercial é a flor desidratada de largo uso na culinária brasileira, na medicina e na perfumaria.

CLIMA E SOLO

O cravo-da-índia para o seu pleno desenvolvimento e boa produção exigem temperatura média em torno a 25° C, umidade relativa não muito elevada e índice pluviométrico acima de 1.500 mm bem distribuídos. A planta se desenvolve bem em áreas próximas ao litoral, até a altitude de 200 metros sobre o nível do mar. Os solos mais recomendados são os argilo-silicosos, profundos, de boa fertilidade, permeáveis e bem drenados. Evitar solos de baixada e sujeita a alagamento.

Preparo de mudas

A multiplicação do cravo-da-índia até o momento é feita unicamente através de sementes. As sementes conhecidas como dentão, são colocadas em recipiente com água, por um período de 24 horas, para facilitar a retirada da casca externa ou mucilagem. Após a retirada da casca, distribui as sementes em fileiras no canteiro separadas uma da outra em média 2 cm. A semente deve ser colocada na posição deitada e coberta com 1 cm de terra, tendo-se o cuidado de irrigar diariamente. O canteiro deve ser coberto com folhas de palmeira com luminosidade de 50%. A germinação ocorre com 15 a 20 dias após a semeadura e as mesmas devem ser transplantadas quando as mudinhas alcançarem a altura de 10 cm. Outro método é o plantio direto das sementes nos sacos plásticos. As mudas estarão prontas para o plantio definitivo com 10 meses da semeadura.

Plantio

A melhor época para o plantio no local definitivo é de abril a julho, pois são os períodos mais chuvosos no Sul da Bahia. As mudas devem ser selecionadas e plantadas as mais vigorosas e bem formadas, com aproximadamente 30 a 40 cm de altura. Os espaçamentos utilizados são 8 x 8m, ou 10 x 10m, dependendo da fertilidade do solo; covas de 40 x 40 x 40cm, abertas e adubadas 30 a 45 dias antes do plantio. Imediatamente após o plantio, as mudas devem ser sombreadas, utilizando material disponível, com folhas de palmeiras, a fim de protege-las da ação direta dos raios solares.

Tratos culturais

Controle de plantas daninhas - Ë importante que a cultura seja mantida livre da concorrência de ervas daninhas, principalmente na fase inicial do cultivo, onde se recomenda de 4 a 6 coroamentos no ano, feito em volta da planta a uma distância de 1 a 1,5m e de 2 a 3 limpas.

Adubação - Para a prática de adubação é recomendável fazer a análise química dos solos. Na cova de plantio colocar de 2 quilos de torta de mamona e 150 gramas de superfosfato simples. Após 6 meses, sugere-se aplicar em cobertura 200 gramas da fórmula A (11 – 30 – 17). No quarto ao quinto ano em diante, utilizar 1 quilograma da formulação indicada.
Controle de pragas - A praga de maior importância da cultura, principalmente em craveiros novos é a formiga saúva e deve ser combatida sistematicamente com formicida granulado ou em pó. A Broca do Caule ataca esporadicamente e deve ser controlado com inseticidas específicos para esta praga.

Doenças e seu controle – No Sul da Bahia o cravo-da-índia é cultivado há bastante tempo e até o momento, não tem registro de doenças que possam limitar o cultivo. As doenças que ocorrem sem ainda causar grandes danos são: Podridão Vermelha da Raiz, causada pelo fungo (Gonoderma philippii) cujo sintoma é a seca parcial das folhas e apodrecimento das raízes com mudança de coloração marrom-avermelhada. O controle é feito com a erradicação das plantas afetadas e aplicação de dois quilos por planta de calcáreo dolomítico, nas plantas circunvizinhas. Morte Descendente e Mancha Foliar, causada pelo fungo (Colletotrichum sp.), os sintomas visuais se caracterizam pela seca dos ramos e queda das folhas. O controle é feito com fungicidas à base de cobre.

Colheita

A planta inicia a produção com quatro anos de plantio, tornando-se econômica a partir do sexto ano, o período de colheita varia de acordo as condições climáticas. A época de colheita estende-se de setembro a fevereiro. Utiliza-se dois métodos de colheita, o manual e o químico. A colheita manual é a mais comum e utilizada pela maior parte dos produtores. O botão floral que é o produto comercial é colhido quando atinge o ponto de maturação que antecede a abertura da flor. A colheita manual do cravo-da-índia onera a exploração do cultivo em cerca de 50 % do custo total. Esse custo elevado é resultado de uma série de problemas enfrentado no processo de colheita manual:

· Exigência de grande contingente de mão-de-obra, por um período curto, dada a urgência da colheita. Quando ultrapassado o ponto ideal de maturação, o produto perde grande parte do seu valor comercial.
· Os craveiros são árvores de grande porte (8 a 15 m de altura) e os botões florais se localizam na periferia da copa, fora do alcance dos trabalhadores na época da colheita.
· O uso de escadas de madeiras na colheita manual oferece riscos de acidentes para os trabalhadores.
· Durante o processo da colheita manual, os ramos florais e galhos são quebrados pelos colhedores, que acaba danificando as árvores.

Esse conjunto de problemas levou a pesquisa a desenvolver um sistema alternativo de colheita, economicamente viável, com menor dependência de mão-de-obra e tempo e com maior segurança para os operários.

Colheita química

A colheita química consiste na utilização de fitohormônio, conhecido comercialmente como Ethrel, já testado pela CEPLAC, e que mostrou eficácia quando usado na colheita química. O produto aplicado atua na planta liberando etileno no tecido vegetal, provocando o amadurecimento precoce e mais uniforme dos botões florais, induzindo a queda dos mesmos. Ë importante ressaltar que esse sistema de colheita não traz nenhum prejuízo à saúde humana e ao meio ambiente, uma vez que o etileno é um hormônio natural produzido pelas plantas. O uso do Ethrel apenas permite o fornecimento adicional de etileno, sem deixar resíduos nos botões florais.

O equipamento de pulverização, “mangueira e lança” foi desenvolvido e testado por uma equipe de pesquisadores responsáveis pela área de tecnologia de aplicação de agroquímicos da Ceplac e pela EBDA. O sistema é composto por um motor de quatro tempos, com potência mínima de 2,5 hp, com sistema hidráulico com bomba de pistões Yamaha LS 524 C com capacidade de 17 l/min e pressão máxima de 400 lb/pol2, acoplada a unidade de força do motor. O sistema foi projetado com capacidade de 100 metros de mangueira 3/8 pol. O que possibilita tratar 3 ha de craveiros ( cerca de 300 árvores) . O rendimento na colheita é de 60 a 80 plantas por dia de trabalho, cerca de 240 a 320 kg de cravo, bastante superior ao método tradicional de colheita que alcança 10 plantas por dia de trabalho com cerca de 40 kg de cravo. De acordo com os pesquisadores, o novo equipamento, que custa em média R$ 2 mil, permite a colheita química do cravo, acabando com todas as desvantagens da colheita tradicional.

 

Gilberto de Andrade Fraife Filho - Engenheiro Agrônomo MSc Fitotecnia
Jackson de Oliveira César - Engenheiro Agrônomo MSc Fitotecnia (EBDA)
José Vanderlei Ramos – Engenheiro Agrônomo MSc Fitotecnia