COCO

O coqueiro (Cocus nucifera L.) é de origem asiática e foi introduzido no Brasil por volta de 1553. É uma planta de grande importância social nos trópicos, por fornecer óleo, gorduras, minerais e vitaminas essenciais e fruto fresco. A casca do coco é usada na fabricação de cordas, tapetes, chapéus e encosto de veículos. O óleo é largamente usado na indústria alimentícia como óleo de mesa e também na produção de margarina, glicerol, cosméticos, detergentes sintéticos, sabão, velas e fluidos para freio de avião.

Ao lado de grandes benefícios que essa palmeira proporciona ao homem, ela exige cuidados agronômicos para que seja altamente produtiva. Assim, para o plantio do coqueiro, recomenda-se importantes cuidados técnicos.

Clima e Solo

O coqueiro gosta de chuva como de sol. Assim, precipitações acima de 1.500 mm, bem distribuídas, e insolação em torno de 2.000 horas são ideais. Temperaturas abaixo de 17° C  podem afetar o desenvolvimento da planta.

Os solos mais adequados são de textura arenosa e areno-argilosa, com lençol freático entre 1 a 4 m de profundidade. Evitar solos argilosos e sujeitos a encharcamento.

Variedades

Os coqueiros são constituídos pelas variedades anã e gigante. A gigante caracteriza-se por produzir cocos com aptidão para copra (albúmem sólido) e iniciar sua produção a partir de seis anos e meio. Sua produção média é de 70 frutos/planta/ano.  A variedade anã começa a produzir com dois anos e meio, apresenta produtividade de até 120 frutos/planta/ano e aptidão para água. Um terceiro  tipo é o híbrido, comumente chamado de anão-gigante, resultante do cruzamento entre as variedades anã e gigante. O híbrido apresenta características tanto da variedade anã quanto da gigante, permitindo exploração para copra e para água. Todavia, filhos de coqueiros híbridos não devem ser plantados, pois ocorre uma forte segregação, isto é, resultando coqueiros bastante heterogêneos e de baixa  produtividade.

É, portanto, de fundamental importância que se conheça a procedência genética do material botânico que será utilizado (sementes ou mudas). Assim, recomenda-se que o produtor recorra às instituições de pesquisa e viveiros idôneos e credenciados pelo Ministério da Agricultura, para evitar o uso de falsas variedades de coqueiros.

Propagação

A propagação é feita por sementes que devem ser plantadas quando estiverem bastante secas (11 a 12 meses de idade) e que emitam som ao serem chacoalhadas. As sementes germinam bem tanto a pleno sol quanto na sombra. Recomenda-se germinadores constituídos da mistura de pó-de-serra curtido mais areia (50% de cada). Antes, porém, a região da casca que apresentar maior proeminência deverá ser entalhada ou chanfrada, para facilitar a emergência da plântula e retenção de umidade. O viveiro deverá ser feito em local de leve inclinação e com muita água.

No viveiro pode ocorrer o ataque de pragas e doenças, que deverão ser controladas. As principais são Cochonilhas (Aspidiotus destructor) e Pulgões (Cerataphis lataniae). Inseticidas fosforados controlam com maior eficiência esses insetos. Todavia, sugere-se que o produtor procure orientação técnica na escolha do produto

As principais doenças são helmintrosporiose (Drechslera incurvta) e Podridão-seca, cujo agente causal é desconhecido. Como medida de controle, recomenda-se a eliminação e queima das partes secas das folhas, pulverizações semanais de fungicidas e capina ao redor do viveiro.

Plantio

As mudas    deverão ir para o campo quando atingirem a altura aproximada de 40 cm. O plantio deverá coincidir com o período chuvoso. As mudas antes de serem plantadas deverão ter suas raízes cortadas. Caso o produtor opte por plantio em sacos de polietileno, sugere-se que as mudas sejam transplantadas para o saco quando estiverem com altura aproximada de 15 cm ou quando apresentarem três folhas. As mudas provenientes de saco de polietileno deverão ir para o campo quando atingirem a altura aproximada de 1 m. Mudas plantadas em sacos de polietileno têm se mostrada mais vigorosas do que as mudas de raiz nua. Contudo, o produtor tem que estar atento aos custos envolvidos nesse tipo de plantio.  

Os espaçamentos recomendados para as três variedades são:    

Variedade anã

7,5 x 7,5

Híbrido

8,5 x 8,5

Variedade gigante

9,0 x 9,0

Recomenda-se a abertura de covas de 60 x 60 cm, que devem ser previamente adubadas com esterco de gado curtido (aproximadamente 5 litros) e 300 gramas de superfosfato. A quantidade de calcário deverá ser determinada em função dos resultados da análise de solo.

Adubação e Cobertura

Recomenda-se a realização de análise de solo para conhecer as quantidades necessárias de adubo e/ou outros nutrientes. Normalmente, realiza-se duas adubações de cobertura, sendo uma no inicio e outra após o período chuvoso. Além da adubação mineral, recomenda-se também uma cobertura orgânica, extremamente importante ao desenvolvimento do coqueiro.

Tratos Fitossanitários

Para as condições do sul da Bahia, as principais pragas do coqueiro são: Àcarodo-fruto (Eriophyes guerreronis), traça-das-flores e-frutos-novos (Hyalospila ptychis) e o percevejo do coqueiro (Lincus lobuliger), as quais causam danos consideráveis a produção e produtividade, principalmente quando o ataque ocorre nos estágios iniciais de desenvolvimento do fruto, provocando deformações e queda prematura.

A murcha de phythomonas (Phythomonas sp.), Anel-vermelho (Rhadinaphelenchus cocophilus) e a Licha-do-coqueiro (Catacauma torendiella) são as principais doenças que ocorrem nessa região. Embora disseminada em todos os coqueirais brasileiros, a lixa-pequena, que reduz em até 50% a a´rea folia do coqueiro, não leva a planta à morte, como acontece com a murcha de phythomonas e o anel-vermelho. Recomenda-se vistorias mensais no coqueiral e procurar a CEPLAC para receber as orientações de controle de pragas e doenças que forem detectadas. 

Consórcio entre Plantas

O coqueiro admite, de forma seqüenciada, o consórcio com várias culturas. Do plantio até o segundo ano, pode-se consorciar varias culturas, tais como: abacaxi, mandioca, maracujá, abóbora, banana, fruta-do-conde, etc. Essas culturas devem ser cultivadas a uma distância dos coqueiros de aproximadamente 1,5 m, para evitar concorrência por nutrientes e sombra. Do segundo ano em diante, as culturas deverão ser plantadas no meio das ruas do coqueiro e /ou entre plantas

Consórcio com animais

Recomenda-se o consórcio com carneiros deslanados. A partir de dois anos e meio, os coqueirais já estão altos e, sendo assim, não há possibilidade das plantas serem danificadas pelos ovinos. As vantagens do consórcio com o carneiro são as seguintes:

  • valor comercial e nutricional da carne desses animais;

  • por dormirem em curral suspenso, as fezes dos carneiros são aproveitadas na adubação dos coqueiros.

Em terrenos onde não é possível a roçagem mecânica, a utilização de carneiros poderá contribuir parcialmente com a limpeza das áreas. Isso porque os solos cobertos com gramíneas prejudicam o desenvolvimento dos coqueirais. Para que não haja concorrência por nutrientes, sugere-se o coroamento constante das gramíneas ao redor do coqueiro. Recomenda-se também, o plantio de leguminosas, pois além da fixação do nitrogênio no solo as folhas servirão como fonte de proteínas para os carneiros.

Rendimento

A estabilidade de produção de um coqueiral tecnicamente conduzido, ocorre quando as plantas atingem os 12 anos, com produtividade de 60 a 120 frutos/planta/ano.

José Inácio Lacerda Moura – Engenheiro Florestal MS

José Basílio Vieira Leite – Engenheiro Agrônomo MS

Extraído do Jornal CEPLAC Notícias - março 2001