Sistema de Produção de Leite com Gado Mestiço a Pasto

Resultados Alcançados
Informações Específicas


Apesar de possuir o maior rebanho comercial do mundo, o Brasil tem uma pequena   participação no mercado internacional de carne bovina e é apenas o sexto produtor mundial de leite. Este quadro se deve, principalmente, aos baixos índices de produtividade (por  animal e por área) apresentados, sobretudo na pecuária leiteira, implicando em ineficiência e baixa rentabilidade do negócio.

A produção média atual de leite a nível nacional é de apenas 800kg/vaca/lactação e, em  nossa região é ainda inferior, da ordem de 500kg/vaca/lactação. As principais causas dessa baixa produtividade são o manejo inadequado da alimentação, sanidade, reprodução e o baixo potencial genético para produção de leite a pasto. A exploração animal baseada no uso intensivo de pastagens é a mais econômica, pois é o próprio animal quem realiza a colheita da forragem produzida. Analisando os nossos recursos naturais, concluímos que temos alto potencial para produção de leite e carne a pasto e com baixo custo mediante a utilização  de forrageiras tropicais durante todo o ano com alta produtividade e alta lotação animal, bastando-nos apenas, fazer a suplementação das pastagens com volumosos e/ou  rações concentradas, especialmente nos períodos secos ou de escassez de forragem, visando manter ou mesmo elevar a produção acima da capacidade potencial dos pastos tropicais bem manejados que é de até 13 kg de leite/vaca/dia durante a estação das águas, época  de seu maior crescimento. 

Em 1996, foi implementado na Granja Experimental Carlos Brandão (GECAB), Ilhéus-BA, de propriedade da CEPLAC, um Sistema de Produção de Leite que pudesse servir de referência a uma parcela considerável de fazendas que exploram a atividade leiteira ou que tenham bom potencial para fazê-lo, especialmente na região cacaueira baiana, como alternativa concreta de diversificação agroeconômica.


Objetivos

Avaliar técnica e economicamente um Sistema de Produção de leite alternativo aos   tradicionais;

Auxiliar na indicação de projetos de pesquisa para a solução de problemas identificados

Servir como instrumento de validação e difusão de tecnologias geradas pela pesquisa

Proporcionar o treinamento de técnicos, produtores e  mão-de-obra.


A GECAB possui uma área total de 122 ha, dos quais 87 ha são ocupados com o Sistema de Produção, está localizada a 50m de altitude, 14º 45 ‘ 15” de latitude sul e 39º 13’ 59” de longitude oeste, segundo Koppen, o clima é do tipo AF (clima das florestas tropicais, quente e úmido, sem estação seca definida e com pluviosidade total superior a 1.300mm/ano). A precipitação média é de 1.741mm/ano, bem distribuída. A temperatura média é de 23,3ºC. Os solos  predominantes são  Alfisois e hidromórficos, num relevo plano e levemente ondulado, apresentando má  drenagem em sua maior  parte. 

Caracterização da área


Atualmente, a área total destinada ao Sistema de Produção está assim distribuída:

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86,00 ha de pastagens, predominando Brachiaria arecta e Brachiaria mutica;

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0,50 ha  de cana-de-açúcar(Saccarum officinarum L.);

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0,50 ha  de capim elefante(Pennisetum purpureum Schum.).


Resumo da Tecnologia Utilizada


O rebanho do Sistema de Produção constitui-se de animais mestiços euro-zebuínos das raças européias Holandesa e Schwyz e da raça zebuína Gir, com grau de sangue variando de 1/4 a 3/4 EZ. Figura -  Bezerros até 4 meses.

A  base da alimentação é a forragem produzida nas pastagens, coletada através de pastejo direto. Às vacas em lactação são destinados os piquetes mais próximos ao curral sob pastejo rotacionado, demais piquetes são destinados às vacas secas, bezerros e animais em recria  sob pastejo alterno, de acordo com a disponibilidade de forragem. Todos os piquetes têm acesso a cocho saleiro e bebedouro. As vacas com produção até 10kg de leite/dia não recebem concentrado, acima disso, recebem 1kg de concentrado para cada 3kg de leite produzido acima deste  patamar. As vacas secas e novilhas de recria só recebem ração de  concentrado se houver necessidade. Durante o período de escassez de forragem, os animais, especialmente as vacas em lactação, recebem uma suplementação volumosa constituída de capim-elefante picado e/ou cana-de-açúcar picada com 1% da mistura uréia: sulfato de amônio(9:1). Durante a primeira semana de vida, os bezerros permanecem com a vaca mamando o colostro à vontade e o excesso é ordenhado duas vezes ao dia(manhã e tarde), a partir da segunda semana até 120 dias de idade, mamam um teto mais o resíduo dos outros três tetos por ocasião das ordenhas, após  têm acesso à forragem de piquetes e, em cocho coberto recebem, à vontade, concentrado até o limite de 300 g/cabeça/dia e suplemento mineral. Dos 121 dias até a apartação, mamam apenas o leite residual por ocasião das ordenhas, após têm acesso à forragem de piquetes e, em cocho coberto recebem, à vontade, concentrado até o limite de 500 g/cabeça/dia e suplemento.


Bezerros de 04 a 10 meses

Os machos e fêmeas excedentes são descartados com idade de um ano e as novilhas de reposição  são recriadas em regime exclusivo de pasto até atingir o peso vivo de 300kg, a partir do qual entram em reprodução.

O método de reprodução é a inseminação artificial, sem estação de monta  definida, sem repasse com touro e usando-se sêmen de touros provados. Para detectar o cio são utilizados rufiões que auxiliam o trabalho dos vaqueiros. As fêmeas com grau de sangue abaixo de 1/2 EZ são inseminadas com sêmen de touro Holandês.

As fêmeas com grau de sangue acima de 1/2 EZ são inseminadas com sêmen de  touro Gir. As fêmeas com grau de sangue 1/2 EZ são inseminadas com sêmen de touros das raças Holandesa, Schwyz e Gir (1/3 para cada);entretanto, nos últimos três anos, utilizamos apenas Schwyz. Com isso conseguimos manter o padrão zootécnico do rebanho entre 1/4 e 3/4 EZ.A ordenha é mecânica e realizada duas vezes ao dia  (às 6:00 h e às 14:30 h) para as vacas com produção igual ou superior a 5 kg no somatório das duas ordenhas. O controle leiteiro é feito duas vezes ao mês com intervalo de l5 dias. As vacas gestantes em lactação são secadas 60 dias antes do parto. Vacas com produção diária de até 2kg de leite são soltas com suas crias até a apartação.


Vacas em produção a pasto