CURSO DE HORTICULTURA

1. CARACTERIZAÇÃO DOS TIPOS DE HORTAS
1.1 Hortas Educativas

É toda horta cujo principal objetivo é a educação dos indivíduos que dela participam direta ou indiretamente. A educação hortícola se refere ao aprendizado das técnicas básicas de produção, dos cuidados essenciais com as qualidades dos produtos das formas e modos de preparo e consumo, e dos aspectos nutricionais relativos à alimentação de hortaliças diversas. Assim, a horta educativa é sempre diversificada, cultivando-se diferentes espécies hortícolas ao mesmo tempo. Pode ser escolar, quando conduzida pelos estudantes de uma escola de qualquer natureza: Comunitária, quando conduzida em comum por associação ou grupo de pessoa, formal ou informalmente constituído e familiar também denominada caseira ou de “fundo de quintal”, quando conduzida pelo individuo e a sua família. Esta, localiza-se geralmente próxima à residência do proprietário.

As hortas educativas geralmente ocupam pequenas áreas os produtos são destinados prioritariamente à alimentação das pessoas envolvidas. Entretanto, podem crescer e gerar excedentes para comercialização e até se transformarem em atividade com duplo objetivo, educacional e comercial. Também pelas características dos serviços nela envolvidos, normalmente leves podendo ser executados até por velhos e crianças sendo as principais práticas realizadas em horário de sol fraco, a condução de uma horta educativa torna-se freqüentemente em atividade de lazer, surgindo daí a motivadora de “Horta Recreativa”.

1.2 Horta Comercial
É toda exploração hortícola cujo principal objetivo é a obtenção de rendimento econômico proveniente da comercialização de produtos. Pode ser diversificada ou especializada e com diferentes destinos para os produtos obtidos.
A horta comercial diversificada é geralmente de pequeno porte e localiza-se normalmente na periferia dos centros urbanos, formandos “ Cinturões verdes” . Os produtores cultivam várias espécies hortícolas e vendem os produtos nas feiras livres ou a intermediários, varejistas ou não, que os comercializam nas feiras e mercados ou centros de abastecimentos.

A horta comercial especializada é geralmente de médio o grande porte, explora poucas espécies e localiza-se geralmente afastada dos grandes centros urbanos entretanto, a maior ou menor distância de centros urbanos é a função do destino da produção e das características dos produtos. Quando a produção se destina diretamente ao consumo \e trata-se de produtos altamente perecível, a exemplo das folhosas a menor distância e o acesso aos grandes centros urbanos são fatores da maior importância, quando a produção \se destina à industria outros produtos suportam transporte a longa distância como alho, cebola, batata, etc. , a maior distância dos centros urbanos é irrelevante e até pode se transformar em fator de redução de custos, pelo menor preço das terras. Assim também, são as grandes explorações olerícolas para a industria de enlatados, como as de tomate, ervilha, aspargo e outras.

2. CLASSIFICAÇÃO DAS HORTALIÇAS
2.1 Segundo as partes utilizadas como alimento

Na linguagem popular, e até utilizadas por alguns técnicos, as hortaliças são classificadas como legumes, verduras e condimentos.

Denomina-se legume toda hortaliça cuja a parte aproveitada como alimento é fruto, semente, bulbo, raiz ou tubérculo, como: tomate, ervilha, cebola, cenoura, batata, etc.

Verduras, as hortaliças cujas partes aproveitadas são folhas, flores e hastes, como: alface, couve-flor, brócolos, agrião, e etc.
Os condimentos compreendem as hortaliças cuja finalidade é melhorar o sabor, o aroma, ou a aparência dos alimente, como o coentro a cebolinha, a salsa, a pimenta, entre outros.

2.2 Segundo o parentesco botânico
Por este critério, as hortaliças compreendem um grande numero de família dentre as quais são encontradas uma ou mais espécies de interesse econômico.

3. IMPORTÂNCIA ALIMENTAR DAS HORTALIÇAS
As Hortaliças são, por excelência, fontes de vitaminas e sais minerais, substâncias essenciais ao bom funcionamento do organismo humano. Auxiliam a digestão e o funcionamento dos diversos órgãos sendo, por isso, consideradas alimentos protetoras da saúde.

Como o organismo humano não tem a capacidade de armazenara vitaminas e sais minerais, necessários à sua nutrição, aconselha-se a ingestão diária de tais nutrientes, especialmente provenientes de hortaliças pelos benefícios adicionais pela ingestão de fibras. Contudo, deve-se diversificar o consumo de hortaliças para equilibrar a nutrição vitamino-minerais, vez que a riqueza nutricional das espécies é bastante diferente. Uma hortaliça pode ser rica em um ou mais nutriente e pobre em outros (quadro 2).

4. FERRAMENTAS E EQUIPAMENTOS
Em olericultura, normalmente são empregados vários instrumentos que muito auxiliam a execução das tarefas. Porem, para as pequenas hortas a enxada e qualquer equipamento que permita regar as plantas são os únicos considerados indispensáveis, instrumentos como: enxadão, par, garfo, cavador reto, mão-de-onça, ancinho, sacho, pazinha de transplante, carro-de-mão, marcadores diversos, pulverizadores e outros improvisados pelo olericultor, são importantes porque facilita os trabalhos e proporcionam o melhor rendimento. A utilização de equipamentos como arados, grade, enxada rotativa, sulcador, conjunto de irrigação, etc., é mais freqüente em hortas maiores ou em pequenas hortas comerciais.

5. MATERIAIS DE PLANTIO
Ass hortaliças podem, ser multiplicadas por sementes, mudas ou brotos, hastes, ramas ou estacas, frutos, tubérculos, bulbos e bulbilhos ou “dentes”.
As sementes representam o material de multiplicação da maioria das espécies hortícolas. Em geral estas são pequenas e perdem rapidamente o poder germinativo na ausência de embalagens adequadas, especialmente se mantidas em temperaturas e umidade relativas elevadas. Latas e sacos de papel laminizados são as embalagens que melhor conservam o poder germinativo das sementes comercializadas. Por isso, estas devem ser adquiridas em quantidades necessárias para um curto período e em embalagens fechadas. O rotulo das embalagens indica a espécie, a cultivar, o poder germinativo e a validade do teste de germinação, que deverão ser observados na ocasião da compra.

São multiplicadas por sementes as seguintes espécies abóbora, abobrinha, agrião, alface, beterraba, beringela, cebola, cebolinha, cenoura, coentro, couve, brócolos, couve-flor, feijão-vage, jiló, melancia, melão, milho-doce, moranga, nabo, pepino, pimentão, pimenta, rabanete, salsa, quiabo e tomate.
As mudas podem ser originadas de sementes, plantadas em canteiros especiais, ou de parte de vegetal (vegetativas) como as brotações laterais de couve e pedaços de cebolinha.

Hastes, ramas, ou estacas são pedaços do caule de outras hortaliças, utilizados como material de plantio, a exemplo do agrião, a batata-doce e do hortelã. Para a batata-doce, ramas com 20 a 30 cm de comprimento constitui o principal material de plantio.

Frutos é o material de plantio do chuchu. Este, apesar de considerado o material vegetativo por autores, trata-se de material sexuados.

Tubérculo é o material vegetativo de multiplicação da batatinha, que deve ser plantado com 3 a 4 cm de tamanho.

Bulbo é o material vegetativo da cebola ou a própria cebola, que pode ser utilizada para plantio. Neste caso, deve-se escolher ou produzir bulbos dos menores, também denominados bulbinhos.

Bulbinho ou “dente” é o material utilizado para a multiplicação do alho.
Para a produção própria de qualquer material de multiplicação de hortaliças deve-se escolher plantas mães produtivas, bem desenvolvidas e isentas de pragas e doenças.

6. DESENVOLVIMENTO DAS HORTALIÇAS
6.1 Considerações sobre o solo
As plantas necessitam apenas Ter disponível no solo os componentes: nutrientes, água e oxigênio. O grau de exigência desses componentes varia principalmente em função da espécie de planta ou cultivar. As hortaliças, em geral, se caracterizam pela alta exigência nos três componentes citados.

6.2 Considerações sobre o clima
Dentre os fatores climáticos, a luz, a temperatura e a umidade são os de maior importância em olericultura.

7. ADUBAÇÃO

A adubação de hortaliças deve ser feita visando suprir praticamente todas as necessidades nutricionais da planta, pelo menos em macronutrientes.

7.1 Adubação básica
Em síntese, a regra de utilização de 150 a 250g da fórmula 4-14-8 ou 4-16-8 por m² de área deve ser acrescida de relativa dos de bom senso. Deve-se considerar as exigências nutricionais das espécies, os grandes espaçamentos, a duração do clima, o nível de produtividade esperando e as indicações de real estado de fertilizante do solo.

7.2 Adubação Orgânica
O adubo orgânico é da maior importância para o cultivo de hortaliças. Mesmo pelo fornecimento de nutrientes, vez que na maioria dos casos é pobre, mas, pela melhoria das condições físicas do solo que impõe.

A matéria orgânica torna o solo muito solto mas ligados, conferindo-lhes maior capacidade de retenção de água e nutrientes e os solos mais pesados, mais soltos, com maior porosidade e penetração do ar. O adubo orgânico melhora a vida macro biológica do solo favorecendo a sobrevivência de minhocas, fungos e bactérias benéficas. Fornece ainda micronutrientes às culturas e favorece a absorção de nutrientes provenientes de outras fontes.

8. OBTENÇÃO DE MUDAS
As mudas da maioria das espécies hortícolas são obtidas a partir de sementes. A semeadura em sementeiras deve ser bastante uniforme, em pequenos sulcos paralelos, distanciados 10 cm e profundidade em torno de 1 cm. A cobertura das sementes deve ser feita com uma fina camada de terra ou esterco curtido, de preferência, peneirado sobre o leito.

A cobertura do leito com folhas de dendezeiro, coqueiro ou assemelhado ajuda a conservar a umidade, evita compactação e super aquecimento do solo, favorecendo a germinação.

9. INSTRUÇÕES GERAIS
9. 1. Irrigação

A irrigação é fundamental para complementar a grande necessidade de água, para a maioria das espécies hortícolas, mesmo em períodos ou regiões onde ocorrem os melhores regimes de distribuição de chuvas.

Em geral, a quantidade de água a aplicar por vez, deve ser o suficiente para molhar a terra at’;e a profundidade de 20 a 25 cm, onde se concentram a maioria das raízes. O excesso favorece a erosão e a lixiviação dos nutrientes. A falta prejudica o crescimento e a qualidade dos produtos podendo acelerar o processo de maturação.

A irrigação pode ser feita por sulcos ou por aspersão.

9.2. Capina
A capina é a operação executada para retirar as ervas daninhas que infestam as culturas. Deve ser realizada o quanto antes e sempre que necessário, para evitar a concorrência por água, luz e nutrientes.

9.3. Controle de pragas e doenças
As principais pragas que atacam as hortaliças podem ser agrupadas em insetos, ácaros e nematóides.

O controle de insetos e ácaros deve ser feito por meio de catação manual ou eliminação das partes muito atacados. Os nematóides são melhor controlados por meio de práticas culturais como rotação de culturas, arações e gradagens sucessivas em dias de solo, inundações temporárias e uso de cultivares resistentes.

As doenças mais comuns nas hortaliças são causadas por fungos, bactérias e vírus.

O controle das doenças deve ser feito eliminando-se as partes atacadas ou a planta toda. Num caso de virose deve se eliminar todas as plantas atacadas e combater os insetos vetores. Muitas vezes, no entanto, um mau desenvolvimento das plantas, amarelecimento das folhas, murchamento e morte das plantas podem ser causados por deficiência nutricional. Também, a falta ou excesso de água ou excesso de calor ou frio podem ser responsáveis por esses sintomas.

10. COLHEITA
As hortaliças devem ser colhidas no ponto que as características de paladar e preferência de mercado forem satisfeitas.

O ponto de colheita pode ser definido pela idade da planta, desenvolvimento das folhas, hastes, frutos, raízes ou outras partes utilizadas como alimento.

 

Instrutor: Pedro Brasil Macêdo
Técnico Agrícola e Professor da EMARC-URUÇUCA