|
O Brasil possui o maior potencial mundial para a produção do óleo de dendê, dado aos quase 75 milhões de hectares de terras aptas à dendeicultura. A Bahia participa com aproximadamente 900.000 há deste total, sendo o único estado do nordeste brasileiro com condições climáticas adequadas na faixa costeira para o plantio do dendezeiro. Segundo estatísticas da Agência Nacional do Petróleo, em 2003, o País consumiu cerca de 40,175 milhões de metros cúbicos de óleo diesel e registrou um aumento crescente nas importações de 42,5% no período de 1992 a 2001, criando a oportunidade de utilização de outras fontes de energia da biomassa para produção de combustíveis alternativos, como forma de economia de divisas e equilíbrio na balança comercial. A expectativa de substituição parcial do óleo diesel por biocombustível de dendê pode concretizar-se a partir de iniciativas como a proposta pela CEPLAC, que pretende demonstrar a viabilidade técnico-econômica da produção e utilização do óleo de dendê transesterificado, em diferentes segmentos de suas atividades, além de realizar testes em campo e laboratório e caracterizar os óleos vegetais e biocombustíveis empregados, em sintonia com os objetivos do Programa Brasileiro de Desenvolvimento Tecnológico do Biodiesel – PROBIODIESEL, lançado em 2002 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Produção de biocombustível
Figura 1 Esquema da reação de transesterificação Neste tipo de reação química, o óleo vegetal e o álcool, na presença de um catalisador ácido ou básico, resultam na obtenção de um éster metílico ou etílico, mais fino e com menor viscosidade ou seja o biocombustível e glicerina. Esta última, constitui-se em um subproduto com usos múltiplos na fabricação de tintas, adesivos, produtos farmacêuticos e na industria têxtil, agregando valor ao produto primário – óleo vegetal, inegável ganho econômico. Outras vantagens da produção de biodiesel referem-se à possibilidade de utilização em motores de ciclo diesel puro ou em misturas com óleo diesel em diferentes proporções, redução da emissão de poluentes, balanço energético positivo e diminuição de importação de petróleo e diesel refinado representado substancial economia de divisas para o País, além de gerar empregos no setor agrícola e industrial. A existência de grande disponibilidade de áreas para plantio do dendezeiro permitirá atingir com facilidade uma meta de substituição de 5% do consumo de óleo diesel, face aos atuais 45.000 ha que seriam acrescidos de 307.667 ha, representando um aumento percentual de 683,7% da área cultivada, caso o dendê venha a ser a oleaginosa escolhida, mesmo assim bastante inferior, quando comparado aos quantitativos necessários para atender ao mesmo índice de substituição, se fossem indicadas, por exemplo, a mamona, girassol ou soja com, respectivamente, 2,45, 3,10 e 3,41 milhões de hectares (Quadro 2), além da vantagem do dendezeiro só necessitar de renovação a cada 25 anos. A este estudo comparativo do impacto da adição física de áreas de plantio, acrescenta-se a necessidade de inversões financeiras anuais para implantação dos cultivos temporários, em contrapartida ao único investimento inicial despendido para formação do dendezal. Quadro 1 - Estimativas do impacto da adição de 5% de biodiesel no óleo diesel consumido no Brasil sobre a área de cultivo de oleaginosas selecionadas.
Fonte: CONAB, IBGE. Cálculos do Departamento Econômico da FAESP, citado por Meireles (2003) e adaptado por Souza 2004. Outro fator de grande importância para a viabilidade econômica da produção de biodiesel nas áreas de aptidão plena para o dendezeiro na Bahia refere-se à eqüidistância dos grandes centros urbanos regionais como o eixo compreendido entre as Cidades de Ilhéus e Itabuna, Jequié, Vitória da Conquista, Eunápolis e Porto Seguro.
Potencialidade agronômica
Benefícios ambientais Além disso, deve-se dar preferência pela implantação da cultura do dendê no aproveitamento de áreas sem cobertura vegetal, contribuindo para recuperação de áreas degradadas, substituição de outros cultivos decadentes ou ainda, na renovação de dendezais subespontâneos.
Viabilidade técnico-econômica O custo de produção de biodiesel etil-ester a partir de óleo de soja ao preço de US$ 480,00/t, é de 17 a 27% maior que o diesel, a depender da região produtora, chegando a atingir o preço final de R$ 1,72 a 1,76/litro, em simulações de produção em uma fábrica de 400 t/dia (Meirelles, 2003). Tomando-se estas mesmas especificações em relação ao tamanho da unidade agro-industrial o biodiesel produzido a partir do óleo de dendê, ao preço de US$ 286.00/tonelada, será de R$ 1,06/litro de biodiesel, portanto competitivo em relação ao preço do óleo diesel. Jonas de Souza Engº Agro. da Ceplac |