USO MÚLTIPLO DA PROPRIEDADE RURAL
- gestão, conservação produtiva e uso -

O conceito de uso múltiplo é anterior ao ano de 1990. Termo criado pelo Serviço Florestal dos Estados Unidos, na década de 50, quando adotou o manejo integrado dos principais recursos naturais renováveis, em substituição à prática de manejo baseada em recursos isolados.

Uso múltiplo em regime de rendimento sustentável é definido como o manejo de recursos naturais renováveis, de modo que sejam utilizados numa combinação que melhor atinja as necessidades da unidade. A Fundação Brasileira para Conservação da Natureza, enfatiza que uso múltiplo expressa o manejo dos recursos naturais, para que produzam água, madeira, vida silvestre, forragem e recreação ao ar livre, de modo que as necessidades econômicas, sociais e culturais da população sejam satisfeitas, com desgaste mínimo aceitável dos recursos básicos do solo e dos demais fatores ambientais.

Ressalta-se que uso múltiplo não é um conjunto de quaisquer usos, requer, antes de tudo uma administração consciente e coordenada dos diferentes recursos, sem menosprezar a produtividade da terra. A ocorrência casual de mais de um único uso, não é uso múltiplo. Ao contrário de uma prática passiva, é a integração deliberada e cuidadosamente planejada dos distintos usos, sem conflitos, complementando-se ao máximo.

O uso irracional dos recursos naturais remanescentes tem sido uma das conseqüências da crise pela qual passa a região cacaueira. A degradação verificada no agrossistema Camacã, levou a sociedade a exigir dos Órgãos competentes uma posição quanto: ações predatórias, riscos envolvidos, coibição dos excessos, normas de utilização e alternativas para a crise. Hoje, mais de dez organismos (CEPLAC, SEAGRI, CRA, EBDA, DDF, SENAR, SEBRAI, IBAMA, INCRA, ICC, GRAMA, IESB, PREFEITURAS MUNICIPAIS e CEPRAM) atuam na região cacaueira com maior ou menor intensidade, e, várias ações e programas estão em andamento. Contudo, essas ações, normalmente, são segmentadas sem preocupação multidisciplinar e/ou interinstitucional, o que tem gerado ações descoordenadas e pouco efetivas para solução dos problemas.

O período que a grande maioria das áreas com cacau ficaram abandonadas e a lentidão com que as políticas públicas de recuperação da lavoura cacaueira se processam, fazem com que legalmente parte delas corram o risco de estarem legalmente imobilizadas. Uma outra preocupação que exige resposta imediata é o destino a ser dado às áreas que não serão contempladas nos programas de recuperação da lavoura cacaueira.

O modelo de administração, empregando-se os conceitos de uso múltiplo em regime de rendimento sustentável, poderá no futuro ser uma alternativa viável, pois possibilita a diversificação baseada na sustentabilidade. Entretanto, algumas dificuldades terão que ser superadas:

- - tradição regional em monocultivos;
- - falta de tradição no manejo e comercialização de produtos florestais;
- - ausência de políticas públicas adequada para a cadeia produtiva do cacau;
- - falta de políticas públicas e determinação para implantar diversificação, conservação produtiva e uso múltiplo da propriedade agrícola, tanto dos cacauicultores, como dos órgãos envolvidos;
- - material botânico de propagação em quantidade e qualidade insuficientes;
- - baixo nível cultural dos trabalhadores rurais.

 

Dan Érico Lobão
Eng. Florestal - MSc - CEPLAC/CEPEC/SERAM
Kátia Curvelo Bispo
Eng. Agrônoma – Consultora Ad hoc – CDAC