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INTRODUÇÃO O mal-das-folhas da seringueira (Hevea spp.) causado pelo fungo Microcyclus ulei é a principal doença da seringueira e limita a sua expansão nas áreas tradicionais de cultivo no Brasil, bem como em toda a América Latina, e se constitui em ameaça permanente aos seringais asiáticos responsáveis por 95% da produção mundial de borracha natural. Os primeiros plantios de seringueira no Brasil ocorreram na década de 30 no Estado do Pará, e os ataques do Microcyclus ulei ocorreram logo em seguida inviabilizando os seringais, e forçando o seu deslocamento para outras regiões distantes da Amazônia, a exemplo do Estado da Bahia. Entretanto, na década de 50 a doença já ocorria de forma severa nos seringais da Bahia, e atualmente todos os clones produtivos presentes no Estado são altamente suscetíveis ao Microcyclus ulei. O trabalho de melhoramento genético da seringueira desenvolvido pela MICHELIN em parceria com o CIRAD, foi iniciado em 1992 e tem como objetivo selecionar clones de seringueira resistentes ao mal-das-folhas e com alta produção de borracha. A pesquisa está sendo desenvolvida nas Plantações Michelin da Bahia e Mato Grosso, e nas instalações do CIRAD na Guiana Francesa e em Montpellier na França, como mostra a figura 1. Figura 1. Estrutura da pesquisa.
MATERIAL E MÉTODOS
Campo de Clones à Pequena Escala (CCPE) As avaliações do mal-das-folhas foram realizadas durante 3 anos no campo, e os clones que apresentaram os melhores níveis de resistência horizontal foram inoculados em câmara úmida com cada um dos 10 isolados de Microcyclus ulei mais agressivos e polivirulentos da coleção do patógeno existente nas Plantações Michelin da Bahia. Foram considerados, também, os resultados das avaliações do mal-das-folhas obtidos na coleção de clones das Plantações Michelin da Bahia, no período de 1996 a 2003. Foram avaliados a produção de esporos da fase conidial e a produção de estromas da fase sexuada do patógeno por serem os principais componentes de resistência ao Microcyclus ulei, e o potencial de produção, em testes precoces, além de outras características agronômicas como vigor, arquitetura da copa, formato do tronco, e a estrutura do sistema laticífero. Para a avaliação dos componentes de resistencia foram criadas duas escalas. Uma escala de esporulação de 1 a 6, donde : 1 = Lesões necróticas sem esporos ; 2 = Lesões não necróticas sem esporos ; 3 = Esporulação muito fraca sobre a face inferior da lesão ; 4 = Esporulação forte cobrindo parcialmente a face inferior da lesão ; 5 = Esporulação muito forte cobrindo toda a face inferior da lesão ; 6 = Esporulação muito forte cobrindo toda a face inferior da lesão e forte na face superior. A segunda escala, para a avaliação dos estromas, foi constituida de 5 classes donde: 0= Ausência de estromas ; 1= Menos de 5 estromas por folíolo ; 2= Entre 5 e 10 estromas por folíolo ; 3= Entre 10 e 30 estromas por folíolo ; 4= Acima de 30 estromas por folíolo. Apenas a maior nota de cada componente de resistência, obtida de cada planta avaliada em todo o período, foi considerada.
Campo de Clones à Grande Escala (CCGE) RESULTADOS A tabela 1, mostra os clones que apresentaram os melhores níveis de resistência parcial, tanto em condições naturais de campo quanto em condições de inoculações controladas. Foram considerados muito resistentes os clones que apresentaram uma nota máxima 4 de esporulação e uma nota máxima 1 de estromas, em todas as avaliações. Os clones que apresentaram uma nota máxima 5 de esporulação e no máximo 1 de estromas, foram considerados resistentes. Todos os clones, estão sendo utilizados como genitores em cruzamentos com clones asiáticos de alta produção. Atualmente, 6000 plantas oriundas desses cruzamentos estão sendo estudadas nas Plantações Michelin da Bahia. Por outro lado, 14 clones (MDX 624, MDX 607, FDR 5802, FDR 5788, FDR 5665, FDR 5597, FDR 5283, FDR 5240, FDR 4575, CDC 312, CDC 56, CD 1174, PMB1, TP 875) foram selecionados para serem estudados em Campos de Clones à Grande Escala (CCGE), por terem apresentado bons potenciais de produção em teste precoce, além de outras características agronômicas interessantes, como vigor, arquitetura da copa, formato do tronco, e uma boa estrutura do sistema laticífero. 4 desses clones (FDR 5788, CDC 312, PMB 1, e TP 875), estão sendo disponibilizados para plantios em pequena escala. O
crescimento dos clones em Campo de Clones à Grande Escala é mostrado nas
tabelas 2 e 3. Todos os clones apresentaram um crescimento semelhante ou
superior ao MDF 180, que é considerado um clone vigoroso, exceto o FX
3864 que apresentou um crescimento muito fraco em função dos ataques
severos de Microcyclus ulei. Tabela 1. Resistência de clones de seringueira à Microcyclus ulei.
Tabela 2. CCGE 9. Circunferência (cm) do tronco à 1 m do solo. Março/2004 - 3,8 anos.
CV = 9,9% Tukey 5% Tabela 3. CCGE 10. Circunferência (cm) do tronco à 1 m do solo. Março/2004 - 1,8 anos.
CV = 11,3% Tukey 5
1 / Testemunha de produção; 2 / Testemunha
de resistência à Microcyclus ulei e vigor; 3 / Testemunha suscetível à
Microcyclus ulei.
CARLOS R. R. MATTOS |
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