NOÇÕES DE PAISAGISMO

Passados quase 400 anos da época  em que  não havia , no Rio de Janeiro, carros e muito menos edifícios, a maior parte - para não dizer quase tudo - foi transformada em ruas, avenidas. Enfim, o Rio assim como São Paulo, Minas Gerais ou a Bahia viraram grandes centros urbanos.

O verde foi desaparecendo e sobraram algumas poucas áreas, como parques, praças e jardins para que a natureza pudesse se manifestar. E se há 500 anos esta terra era repleta de palmeiras, bromélias e orquídeas crescendo por toda parte, por que tais espécies não poderiam voltar a ocupar seu merecido espaço?

A pergunta já vem sendo respondida por uma porção de paisagistas e pessoas interessadas em resgatar traços da flora nativa no Brasil. Como prova disso, um número cada vez maior de jardins surgem, emprestando muita exuberância, tropicalidade e um majestoso verde às paisagens, atualmente cinzas, das cidades.

Levantamentos preliminares:

Algumas pessoas apreciam bastante a elegância das palmeiras. Outras preferem o aconchego de uma árvore frondosa. Uns gostam de estilo europeu ou até oriental como as tuias e laguinhos. Tem gente capaz de qualquer sacrifício para Ter uma piscina em casa. E há os que querem mesmo é Ter uma hortinha ou um pomar. Enfim gosto cada um tem o seu. Daí a importância de listar as necessidades e desejos, o mais detalhado possível e abrangendo toda a família ou toda comunidade (no caso  de praças ou avenidas).

Programa para implantação do jardim

Quando bem planejado e executado, um jardim acaba se transformando na extensão natural da casa.

O primeiro passo é dar uma olhada na parte arquitetônica do local e elementos vegetais existentes, certificando-se de alguns itens:

     Não reserve espaço para árvores de grande porte muito perto da casa ou construções (08 a 10m de distância): O sistema radicular da árvore pode acabar rachando pisos próximos e até comprometer o alicerce. Além disso, as folhas secas costumam entupir calhas e algum galho, se cair, poderá fazer estragos no telhado.

     O espaço destinado a canteiros floridos deve, preferencialmente, ser deixado em local que possa ter destaque, quando visto de dentro das áreas mais nobres da casa.

     Evite canteiros de formas geométricas rígidas, por outro lado não convém abusar das curvas aleatórias.

     Jardineiras de alvenarias devem ter, no mínimo, 40 cm de largura por 60cm de profundidade. Evite utilizar plantas tóxicas ou espinhosas em locais de fácil alcance pelas crianças.

     Não exagere na utilização de elementos decorativos como estátuas e fontes. Cuidado também com o senso de proporção. Um elemento decorativo muito pequeno num espaço grande desaparece. Muito grande num espaço pequeno tende ao ridículo.

Gramado

Um gramado saudável é poderoso elemento decorativo no jardim; a massa verde proporciona fundo e realce para árvores, cercas-vivas, canteiros ou espéccies isoladas, sem falar na distinção que produz e o efeito decorativo. Afora esta função estética, o gramado oferece também uma área de recreação e repouso para  as pessoas.

      Batatais- Paspalum notatum

Folhas verde claro, duras e ligeiramente pilosas. Resiste bem às secas, pisoteios, pragas e doenças. Evita a erosão e filtra bem a água.

Cuidados especiais: Apesar de sua resistência, precisa de muito sol. Quando floresce, precisa ser podada com mais frequencia, para que o gramado não fique com uma má aparência.

      Esmeralda – Wild zoysia

Folhas estreitas e médias, cor verde esmeralda e estolões penetrantes, que enraizam facilmente.

Forma um perfeito tapete de grama pelo entrelaçamento dos estolhões com as folhas. Grande beleza. Folhas macias e resistentes ao pisoteio. Cortar sempre à altura de 3cm. Adubar mais frequentemente para manter a coloração intensa. Ideal para jardins residenciais, áreas industriais,  playgraunds e campos de esportes em geral, sempre a pleno sol.

     Grama japonesa ou coreana Zoysia matrella

Folha estreita e curta. Enraizamento e estolhões abundantes. Cor verde vivo. É muito invasora. Resiste ao pisoteio e ervas daninhas. Cortar sempre que a altura ultrapassar de 02cm.

     Santo Agostinho – Stenotaphrum secundatum

Folhas  largura e comprimento médios, lisas e sem pêlos. Cor verde escuro, estolhões abundantes. Adapta-se bem ao litoral e a áreas semi-sombreadas. Bastante rústica, resiste bem às pragas e doenças. Cortar sempre que a altura for maior que 03 cm.

     Grama preta – Ophiopogan japonicus.

É da família das liliáceas, não sendo, portanto, uma gramínea. Faz um belo efeito, sobretudo como forração em locais sombreados e não suporta pisoteio.

Multiplicação de plantas

    Sexuada ou Generativa

   Esporos são pequenas partículas de cor ferrugem encontradas em grupos na face inferior das folhas(avencas e samambaias).Quando estão maduros, os esporos são liberados da folha e carregados pelo vento. Ao tomar contato com o chão úmido os esporos germinam dando origem a uma plantinha verde com forma de coração, o protalo, que originará a samambaia adulta.

Um dos métodos de obtenção de mudas através dos esporos é destacarmos uma folha que percebemos estar fértil (possuírem esporos marrons) e a agitarmos sobre uma “bandeja” de terra úmida ou sobre uma placa de xaxim em local sombreado e úmido e aproximadamente um mês depois veremos surgirem os primeiros protalos. Quando estes atingirem um tamanho  considerável(5 cm de altura) já podem ser transferidos para o vaso definitivo.

   Sementes - É importante que as sementes sejam novas. Você poderá fazer a semeadura em sementeiras improvisadas como caixas de madeiras, cobrir com folhas de palmáceas (50% de luz).

Lembre-se que as sementes envolvidas por polpa, esta deve ser retirada através de lavagem  e enxugamento na sombra; isto evita o ataque de formigas e fermentação da semente.

Para fazer semeadura abra sulcos rasos no solo (proporcional ao tamanho das sementes), coloque-as e cubra com leve camada do solo destorroado.  Mantenha a umidade. Quando surgirem as folhas verdadeiras que nunca são o primeiro par, e a sementeira já estiver passando o dia todo descoberta faça a repicagem.

    Assexuada ou Vegetativa -  Neste método são obtidas mudas exatamente idênticas á planta matriz.

    Divisão de touceira Ex;
Palmeira rafis (Raphis exccelsa)
Bambuzinho japonês (Bambusa gracilis)

   Separação de filhotes, rebentos ou brotos -. Algumas espécies de plantas ornamentais são dotadas da característica de perfilhação através de seu sistema radicular originando filhotes ou rebentos.Outras espécies fazem surgir  seus  rebentos espontaneamente na base do caule.

   Mergulhia - Existem espécies de plantas ornamentais apresentando enraizamento muito difícil   quando a multiplicação é tentada através da separação de suas partes, como ocorre com  as estacas. Nestes casos pode ser utilizada  a técnica da mergulhia , consistindo no vergamento de um ramo de caule da planta, até que este atinja o solo e nele seja mergulhado.

    Estacas – Este tipo de reprodução é obtido pela divisão dos ramos de tecidos lenhosos em pedaços de 15 a 20 centímetros de comprimento e diâmetro de 0.5 a 1.0 centímetro. Cada estaca deverá estar munida de 03 a 05 gemas. O corte deverá ser feito em bisel (inclinado), para evitar o acúmulo de água na que ficará de fora da terra e propiciando uma maior área de enraizamento na que ficará de fora da terra  e propiciando uma maior área de enraizamento na que ficará enterrada na terra ou areia. A ferramenta usada para o corte das estacas deve ser bem afiada, com o intuito de evitar que masque os tecidos, dificultando a emissão das raízes. Se a estaca tiver folhas, estas deverão ser retiradas, evitando-se que haja por seu intermédio a perda de água pela transpiração, desidratando os tecidos da estaca.

Quando se tratar de estacas oriundas de plantas reconhecidamente difícil de enraizarem, é boa norma utilizar algum hormônio de enraizamento para facilitar o processo, assegurando um maior índice de pegamento das estacas. Tais homônios  são feitos à base de ácido indolbutírico misturado a algum pó, como talco inerte.

Outro ponto comum a todos os tipos de estacas é o da profundidade da sua  cravação no substrato, a qual nunca deverá ultrapassar 1/3 do comprimento da estaca, pois assim o corte ficará a uma profundidade de onde existe o indispensável arejamento para promover a cicatrização dos tecidos e assegurar o aparecimento das raízes.

Nutrientes

As plantas retiram a maior parte do seu alimento do solo. E cada uma delas precisa entre 14 e 17 elementos químicos diferentes, para viver bem. De uns precisam mais, de outros menos. Daí os elementos químicos essenciais às plantas serem divididos em duas categorias: macro e micro nutrientes.

São considerados macronutrientes:

     Nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, enxofre e magnésio.

Os mais importantes; N P K

N- Nitrogênio, garante o crescimento  vegetativo, ou seja, caules e folhas
P- Fósforo, assegura o surgimento e a exuberância das flores.
K- Potássio, fortifica as plantas, para que possam resistir às pragas e doenças.

São considerados micronutrientes:

     Boro, cobre, cloro, ferro, manganês, zinco e o molibdênio entre outros.

Também absolutamente indispensáveis à vida das plantas são os elementos biogênicos, por elas retirados da água e do ar através da fotossíntese:

 C- Carbono
          O- Oxigênio
          H- Hidrogênio

Clima – luminosidade-água

Não esquecer da existência de uma variedade enorme de plantas para cada tipo de clima.

Assim, se por um lado é perda de tempo tentar cultivar tulipas na Bahia, por outro, existem milhares de flores que podem substituir a tulipa, e que se adaptam maravilhosamente bem ao clima baiano.

Para o perfeito desenvolvimento das plantas a área do jardim deve ser dividida em subáreas para classificação  de luminosidade, a saber:

Sol pleno - No mínimo 4 a 6 horas de sol direto todos os dias.
Meia sombra
- Luminosidade intensa, mas evite sol direto entre 10 e 17 h.
Sombra
- Não suporta sol direto. Luz indireta por, pelo menos, 2 horas ao dia.

Direta ou indireta, intensa ou branda, toda planta ornamental precisa de luz. Quando a luz é insuficiente, a planta procura espichar seus caules empalidecidos na direção de onde provém sua minguada ração.Depois de uma fase de “Anemia” mais ou menos prolongada, acaba morrendo. Sem luz apropriada não há nutrição nem crescimento e nem floração normais para nenhuma planta.

Água - Perigos do excesso-Mais de 90% do peso das plantas é pura água. A água veicula nutrientes da planta, dá tônus dos tecidos macios e participa da fotossíntese. A água pode também ser mortal: excesso de rega talvez seja a causa mais comum de mortalidade entre plantas cultivadas Quanta água? Depende da planta Há plantas que só podem viver em contato permanente com a água, quando não flutuando ou imersas Ex: Ciperus papirus.

Outras precisam de solo permanentemente úmido, como é o caso das avencas e da maioria das samambaias. Já os cactos e as suculentas podem passar semanas sem rega; algumas sobrevivem até mesmo períodos de meses só com suas próprias reservas e a umidade que retiram do ar.Qualquer que seja a freqüência, a rega em áreas externas deve ser feita de maneira bem cedo ou á tarde, quando o sol já não estiver incidindo sobre o jardim ou as paredes da casa.

Em ambiente interno deve-se regar as plantas três vezes por semana com pouca água, pois neste ambiente não existe muita evaporação e o excesso de umidade apodrece as raízes e as folhas costumam amarelar.

O melhor método de aguar as plantas é fornecer a água em forma de chuva, para evitar que, com o peso da água, caiam as flores e cave o solo.

AR - O ar é necessário às folhas e às raízes das plantas. Revolver  a superfície da terra em torno das plantas ajuda a suprir de ar as raízes.

Estilos de jardim

     Jardim seco, desértico ou rochoso

Tenta reproduzir uma paisagem árida. Pedras e areia fazem o pano de fundo para cactus, agaves, yucas e suculentas em geral. Uma ou outra palmeira de regiões áridas, como carnaúba, ouricuri, etc. Naturalmente num canteiro deste estilo evite um verdejante gramado.

   Jardim Oriental ou Japonês - Existem elementos obrigatórios num jardim japonês. Pedras de rio (seixos) dispostas a sugerir que a própria natureza as colocou ali, e sempre em número impar. Água, formando riachos, laguinhos ou cascatas, para induzir o homem a enxergar-se a si mesmo. Lamparinas de pedra, que representam o espírito bom e iluminado.E umas poucas plantas mas de grande beleza e ocupando lugar de destaque. Não pode faltar algum tipo de bambu ou até uma cerca desta planta servindo como pano de fundo. Exemplo de plantas: Azaléias, bambusa ,gracilis, árvore da felicidade, ixora mirim, camélias, íris, glicínias, tuias, nandinas, buxinhos, eugenias e eventualmente cerejeira do Japão. No mais, suaves ondulações no terreno e, para integrar o conjunto, grama japonesa ou esmeralda ou brita amarela ou branquinha.

     Jardim tropical -  É aquele onde se tenta recriar um pedacinho de uma paradisíaca ilha tropical, com muito verde e muitas flores. Árvores como flamboyant e o jasmim manga, arbustos como hibiscus, a bugainvillea e a gardênia, palmeiras diversas, folhagens tipo filodendros, monsteras e samambaias, bananeiras ornamentais, lírios do brejo, birís, bromélias, dracenas... enfim, tudo que evoca a exuberância da flora tropical. Num jardim neste estilo, um gramado é quase essencial, até para promover a integração entre  s diversos verdes. Uma área sombreada, e talvez uma cascatinha ou filete d’água dão toque final.

     Jardim Contemporâneo -  É um estilo  livre e que tem algumas raízes no chamado jardim inglês. Nele, se busca um paisagem campestre, alegre e florida, e uma certa integração entre o jardim e a casa.

   Jardim clássico ou Formal. É caracterizado sobretudo pelas linhas geométricas e simetria do traçado. Círculos, retângulos, triângulos e semicírculos combinam-se para compor uma paisagem desenhada com régua e compasso. Figuras de topiaria (esculturas vegetais), estátuas, escadarias e fontes de desenho clássico fazem o complemento.

Plantas em vasos

É  indiscutível que uma das principais funções de um vaso com plantas está ligada á ornamentação decorativa do ambiente. Para que seja conseguindo  tal intento, é preciso haver uma harmonia no relacionamento do vaso com os vários elementos onde está localizado:

Cor e textura das paredes
Tamanho em relação à área do local
Formato que se harmonize com o estilo arquitetônico.
Posicionamento do vaso e localização

Tipos de material com que são feitos os vasos

Barro -    Qualidades positivas: porosidade, equilíbrio térmico estável à temperatura ambiente permeabilidade, que permite a transpiração do excesso de umidade do subtrato.

Qualidade negativa: Menor resistência ao impacto.

Xaxim -    O material de que são feitos os vasos de xaxim é obtido pela extração de partes do caule de uma espécie de planta nativa nas regiões de mata atlântica da costa brasileira, conhecida popularmente como samambaiaçu (Dicksonia selloviana), infelizmente em avançado processo de  extinção.

Qualidades positivas: São voltadas apenas para o cultivo das espécies que requerem um substrato de umidade elevada. Qualidades negativas: Estão direcionadas às espécies de plantas que não suportam uma umidade elevada e quase permanente do substrato.

Madeira -  É de  bela aparência, e de pouca durabilidade.

Cimento - É um dos materiais mais utilizados para a fabricação de vasos, devido  a sua alta resistência e durabilidade.

Qualidades positivas – boa porosidade, alta resistência a impactos. Qualidades negativas: Peso elevado e baixo equilíbrio térmico.

Amianto - Qualidades positivas – boa porosidade, baixo peso, boa resistência estrutural e bom isolamento térmico.

Qualidade negativa: aparência grosseira quando não recebe bom acabamento.

Plástico (PVC)

Servem apenas como recipientes de cultivo transitório  pois, devido ao  fato de suas paredes serem totalmente impermeáveis.

Metal -   (estanho, bronze,latão,cobre etc) –São totalmente inadequados a essa finalidade, provocam reações químicas adversas. Devem ser utilizados como cachepôs.

Vidro -      São apropriados para flores de corte.

Fibra de vidro - É um material totalmente impermeável e com deficiências térmicas, razão. Deve ser usado apenas como cachepô.

A importância da drenagem

O furo  que deve existir no fundo dos vasos é responsável pelo escoamento do excesso de água das regas, evitando encharcamento e conseqüentemente apodrecimento das raízes. Para evitar entupimento do furo de drenagem, são colocados estrategicamente no fundo dos vasos, cacos de telha, de blocos ou brita, para que só depois sejam colocados o substrato e a espécie botânica com a devida forração.

 

Noemia Pinheiro de Almeida
Técnica em agropecuária
Paisagista