MANEJO INTEGRADO DE DOENÇAS DO CACAUEIRO

As doenças de plantas ocorrem sempre que existe um patógeno virulento, um hospedeiro suscetível e um ambiente favorável ao patógeno e/ou desfavorável ao hospedeiro. Normalmente, para se obter um controle adequado das doenças de plantas são postos em prática um ou mais dos seguintes princípios fitopatológicos:

1- Exclusão
2- Erradicação
3- Proteção
4- Resistência
5- Terapia

O manejo integrado das fitomoléstias, como está implícito no próprio nome, compreende a utilização de tais princípios conjuntamente com práticas que visam aumentar o vigor do hospedeiro, reduzir o inóculo do patógeno e tornar o ambiente desfavorável à multiplicação e disseminação do patógeno e à infecção do hospedeiro.

No caso do cacaueiro, a ênfase dada a cada princípio varia com a natureza de cada doença, assim:

Exclusão – Compreende o uso de medidas imperativas para evitar que doenças inexistentes sejam introduzidas em uma dada região. Este é o caso da monilíase na Bahia, no momento, como foram os casos da vassoura-de-bruxa e do mal-do-facão, no passado. Pressupõe a adoção de medidas restritivas quanto à movimentação de materiais botânicos (mudas, sementes, etc.) e a necessidade de observação da legislação quarentenária.

Erradicação - Abrange desde a eliminação apenas das plantas infectadas ou mortas até a erradicação da cultura na região afetada. Tal medida é fundamental, por exemplo, no controle do mal-do-facão causado pelo fungo Ceratocystis fimbriata e das doenças de raiz ocasionadas por Rosellinia spp. e Ganoderma philippii.

Proteção – Compreende a interposição de barreiras, química ou biológica, por exemplo, entre o patógeno e a planta hospedeira. Este é o princípio mais utilizado no controle da podridão-parda do cacaueiro. A adoção de defensivos químicos hoje em dia, em função das preocupações com o meio ambiente, envolve a escolha criteriosa de produtos eficazes e com baixa persistência no ambiente, bem como, a utilização de métodos de aplicação adequados, além de cuidados quanto à proteção do aplicador. A legislação fitossanitária obriga o uso de receituário agronômico, vedando a utilização de produtos não registrados para a cultura alvo. Os conhecimentos epidemiológicos sobre cada doença são indispensáveis na definição do período de aplicação, otimizando as épocas de início e conclusão das aplicações.

Resistência - Seria a medida ideal de controle das doenças de plantas, por ser mais durável, eficiente e de baixo custo para o produtor. É a base do atual manejo integrado da vassoura-de-bruxa. Por outro lado, o desenvolvimento de variedades resistentes requer grandes investimentos em pesquisa, tanto em instalações e equipamentos quanto em recursos humanos, demandando bastante tempo na condução das pesquisas. Na cacauicultura existe grande necessidade de realização de pesquisas visando a seleção e desenvolvimento de variedades com resistências à monilíase, ao mal-do-facão e à podridão parda. Algumas pesquisas já em curso precisam ser mais estimuladas.

Terapia - consiste na remoção cirúrgica das partes afetadas da planta. É eficiente no controle dos cancros causados por Phytophthora spp. e Lasiodiplodia theobromae. O uso de fungicidas sistêmicos com a finalidade de interromper o processo infeccioso se enquadra neste princípio. O fungicida sistêmico Folicur recomendado no controle da vassoura-de-bruxa, por exemplo, atua como protetor e como sistêmico (erradicante).

A sanificação é uma prática muito importante no manejo integrado consistindo na eliminação dos restos vegetais e partes mortas ou doentes das plantas que vão servir como fontes de inóculo para o surgimento das epidemias de doenças, como são os casos dos casqueiros para a podridão parda e das vassouras secas para a vassoura-de-bruxa. O enterrio deste material é desejável no caso da vassoura-de-bruxa, evitando a esporulação do fungo e facilitando sua degradação, porém, nem sempre recomendado para a podridão-parda, uma vez que as espécies de Phytophthora crescem e se multiplicam no solo. Teoricamente, a cobertura dos restos vegetais teria o mesmo papel, impedindo a esporulação de Crinipellis perniciosa desde que fosse permanente. A aplicação de uréia nos casqueiros impede a esporulação de C. perniciosa e Phytophthora spp. , mas também atrasa a decomposição da matéria orgânica pela eliminação/diminuição dos microorganismos decompositores. O manejo deste material através da compostagem seria o mais indicado, não tendo contra - indicações.

O controle biológico, consistindo na utilização de microrganismos antagonistas atuando sobre o patógeno, reduz as fontes de inóculo e pode proteger o hospedeiro contra as infecções. É um método que pode ser incluído no manejo integrado, exigindo porém, conhecimento suficiente do modo de ação, sobrevivência e persistência do antagonista no ambiente. É o caso do TRICOVAB, fungicida biológico desenvolvido pela CEPLAC, contendo o fungo Trichoderma stromaticum, que vem sendo usado com sucesso para reduzir o potencial de inóculo de C. perniciosa nas plantações de cacau.

O controle cultural corresponde àquelas práticas que visam a sanificação das plantações. Deve fazer parte da rotina das propriedades agrícolas.

Assim o modelo geral do manejo integrado das principais doenças do cacaueiro abrangeria:

1- Plantio do melhor material botânico disponível, respeitando-se as medidas exclusionárias;
2- Solo, sombreamento e adubação adequados;
3- Controle das plantas invasoras;
4- Condução apropriada das plantas: formação da copa e eliminação de chupões;
5- Sanificação da plantação;
6- Utilização dos princípios fitopatológicos adequados a cada situação, inclusive os controles biológico e cultural;
7- Inspeção fitossanitária sistemática e permanente na plantação;
8- Treinamento da mão-de-obra.

 

José Luiz Bezerra
Marival Lopes de Oliveira