Experiências com clonagem do Cacaueiro

As dificuldades por que atravessa a cacauicultura tem condicionado ao produtor proceder a uma revisão no Modelo de Gestão Empresarial e na Tecnologia até então adotados no seu negócio.

Conscientes dessas vicissitudes, os produtores cada vez mais buscam ajustar-se a essa nova realidade, pautado nas diretrizes de modernização da cacauicultura, auto-gestão e auto-sustentação, denominado de Modernização Agrícola.

Para que uma fazenda produtora de cacau se modernize e alcance o seu pleno sucesso, se faz necessário que seus dirigentes obtenham: conhecimento, competência e habilidade - organizando-se dinamicamente na busca do que é o certo, obedecendo a um Sistema de Comunicação eficaz e eficiente.

A modernização da empresa cacaueira deverá ser implementada de forma modular, estruturada em dois alicerces fundamentais que são a Tecnologia; obedecendo a requisitos técnicos, principalmente quanto ao modelo de padrão clonal, com base na disponibilidade de material botânico de qualidade comprovada e o Modelo de Gestão; obedecendo a requisitos empresariais, principalmente quanto ao Sistema de Comunicação, ao Plano de Ação Plurianual e ao Programa de Ação Anual.

No que se refere à modulação do programa atendendo a uma menor disponibilidade financeira, é tecnicamente viável, porém, menos inversão de recursos na realização dos investimentos, resultará evidentemente, na redução proporcional de áreas contempladas com a enxertia e alongamento do programa de modernização da empresa.

Descrição sumária dos conhecimentos tecnológicos e de gestão a serem aplicados no trinômio, “homem – ambiente – Planta” que se constituem na estrutura básica de uma empresa em processo de modernização:

O Homem
Para que o sistema de administração não seja assistencialista precisamos profissionalizar as relações. A valorização dos homens deve ser mensurada e recompensada pela produtividade nos serviços e nos resultados que este proporcione à fazenda. Para isto será preciso:

Montar Sistema de Comunicação simples, claro e eficiente com o propósito de pactuar resultados comuns, acompanhar, avaliar e julgar os resultados da ação conjunta dos líderes e dos liderados.

Educar, treinar e formar o Gerente ou Administrador para que tenha capacidade e conhecimento para coordenar de forma eficaz e eficiente os programas e que tenha relação de recompensa material com os resultados alcançados. Ele será a pessoa que deterá todos os conhecimentos que serão transferidos aos colaboradores, portanto, deve ser de confiança do proprietário e, por conseguinte acompanhado, avaliado e constantemente julgado pelo mesmo.

Educar, treinar e formar os colaboradores (trabalhadores rurais) de campo para a operacionalização das fases da modernização, através de demonstrações, reuniões, palestras e treinamentos práticos.

Selecionar/preparar os homens e estruturar as áreas para que cada homem seja responsável por uma determinada quadra, diminuindo a rotatividade de pessoal, formando assim uma equipe de colaboradores envolvidos e comprometidos com os objetivos da modernização. Cada colaborador será responsável por uma determinada área (RA - Responsável de Área) onde realizará as práticas descritas no cronograma de atividades. O Administrador deverá então acompanhar através de levantamentos e avaliar a produtividade dos serviços baseado num Programa de Ação (PA) detalhado, pactuado para cada ano. Esta é uma fase preparatória e de aperfeiçoamento dos homens e áreas para instalação futura e definitiva do sistema da Parceria Agrícola.

Montar critério de acompanhamento, avaliação e julgamento dos homens envolvidos na modernização, com base no crescimento moral, alcance da produção/produtividade e cumprimento dos cronogramas, físico e financeiro. Anualmente o Administrador deverá apresentar a avaliação dos seus liderados ao proprietário que deverá estabelecer uma política de prêmios e estímulos aos seus colaboradores.

O Ambiente
Divisão da propriedade em quadras
Levantamento e avaliação das necessidades corretivas e nutricionais dos solos. Mapeamento para aplicação dos insumos.

Adequação do sombreamento: lateral - com uso de bananeira, palmiteiro, gliricídia e/ou fruteiras, através do plantio e manejo; de topo - com uso de fruteiras como a cajá, essências florestais, seringueiras, palmiteiros etc. através do plantio, raleamento e poda; atendendo aos aspectos agronômicos, econômicos e ecológicos.

Drenagem e aceiramento de áreas quando necessário;
Desinfestação de ervas daninhas através de roçagem manual e/ou química.
Ambiente sadio é sinônimo de planta sadia e ambiente doente é sinônimo de planta doente.

A Planta (Cacaueiros):
Programa de Melhoramento Genético - Estabelecer para a fazenda um programa que será desenvolvido em diversas etapas (mínimo de quatro anos), realizar a enxertia no ano I em no máximo 10% do total de plantas existentes. Esta área será considerada como Jardim Clonal, o material botânico deverá ser variedades clonais testadas e recomendadas pela CEPLAC e/ou materiais selecionados em fazendas com resultados comprovados.

Modelo de Padrão Clonal – Estabelecer para cada quadra o modelo de padrão clonal que mais se ajuste àquela situação (ambiente).

Mudas de cacau para enxertia/adensamento/replantio – Adquirir no Instituto Biofábrica de Cacau, assim como produzir em viveiro na própria fazenda através de sementes provenientes de frutos com sementes grandes de plantas tolerantes a Vassoura-de-bruxa e Mal do Facão. Adensar as áreas para obter stand entre 1.100 e 1.300 plantas/ha.

Introdução de Clones Nobres – Introduzir de forma sistemática nos Jardins Clonais, novos materiais considerados nobres, para após acompanhamento mais detalhado, serem utilizadas nos modelos de padrões clonais que formarão novas áreas comerciais, assim como, produzirem propágulos para a enxertia das mudas seminais utilizadas no replantio.

Instrumentos Básicos da Modernização
· Situação Atual da Propriedade
· Projeção das Produções e Produtividades
· Cronogramas Físico e Financeiro das Atividades
· Fluxo de Caixa
· Acompanhamento do Programa de Ação

 

Antônio Eduardo de Souza Magno
Engenheiro Agrônomo – CEPLAC/CENEX/SERAT