GERÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO CACAUEIRA DO MATO GROSSO

Gerência Regional da CEPLAC no Estado de Mato Grosso (GEREM) – Foi criada em 2004 e está ligada diretamente à Diretoria Geral de Brasília (DIRET). Está localizada na cidade de Alta Floresta-MT, na Av. Ariosto da Riva, 3009 – Centro. Fones: 066-3521-2030/3521-2243 e Fax: 066-3521-2808. A esta Gerência compete: I - promover a execução das atividades voltadas para a geração, difusão e transferência de tecnologia para a cacauicultura e para a sustentação agroeconômica da região produtora de cacau; II - manter permanente e estreita articulação com órgãos e entidades públicas e privadas, visando assegurar a integração e cooperação para o desenvolvimento da cacauicultura regional; III - proceder a interação e integração das atividades da Gerência, com os produtores, nos assuntos relacionados com a geração, adaptação, validação, transferência e difusão de tecnologias de produção e gerência, num processo contínuo de alimentação e retro-alimentação de informações entre os agentes do processo; IV - controlar a edição, impressão e distribuição de trabalhos técnico-científicos, para as comunidades científicas nacional e internacional e de comunicação rural para os agricultores das regiões produtoras de cacau, produzidos no âmbito da Gerência; V - coordenar e controlar a execução das atividades de apoio administrativo no âmbito da Gerência.

A CEPLAC-GEREM conta atualmente com a seguinte estrutura: Uma Estação Experimental em Alta Floresta com 502 hectares, Campo de produção de sementes com 3 ha, duas agroindústrias para processamento de frutas; uma sede regional e dois escritórios de assistência técnica. Atua nos municípios de Carlinda, Paranaíta, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Nova Guarita, Novo Mundo, Apiacás, Terra Nova do Norte,Guarantã do Norte, Matupá, Brasnorte, Castanheira, Juína, Aripuanã, Colider, Nova Canaã do Norte, Cotriguaçu, Peixoto de Azevedo, Juruena, Colniza, Marceländia e Pontes e Lacerda.

Histórico

As atividades no Estado foram iniciadas em junho de 1976 quando a Direção enviou uma equipe composta pelos Técnicos, Frederico Monteiro Álvares Afonso e Antonio Carlos Costa Pinto Dias, a pedido da INDECO S.A. (Integração, Desenvolvimento e Colonização) e da CODEMAT (Companhia de Desenvolvimento do Mato Grosso) para efetuar um estudo detalhado sobre a viabilidade da cacauicultura nesta região. O trabalho que envolveu visitas "in loco", coleta de amostras de solo, estudos geológicos, fisiográficos e de infra-estrutura mínima concluiu que mais de 80% da área prospectada, ou seja, mais de 2.700.000 ha, eram aptos para cultivos do cacau e, por extensão, de sistemas agroflorestais que incluam espécies nativas com exigências semelhantes ou menores que as do cacau. Em razão da melhor infra-estrutura existente, em 1977 decidiu-se implantar os pólos cacaueiros nas Glebas Alta Floresta e Paranaíta, na época como escritório regional da Superintendência da Amazônia Oriental, localizada em Belém-PA. No início de 1978 foram iniciados os primeiros plantios de cacauais na região orientados pela CEPLAC.

A partir deste ano até o ano de 1982, verificou-se um expressivo incremento na implantação de novas áreas, impulsionado pelo auxílio de crédito de programas como o PROTERRA e POLAMAZÔNIA, atingindo 6.314 hectares em 410 lotes/fazendas e tendo como pico de implantação o ano agrícola 1979/80, com 3.393 hectares em 237 lotes/fazendas. A implantação dos pólos cacaueiros do norte matogrossense coincidiu com um período dos melhores preços internacionais do cacau nas últimas três décadas, aproximadamente US$ 3.500,00/tonelada. Entretanto, quando as novas lavouras entraram em fase produtiva, por volta de 1981/82 os preços internacionais caíram para valores próximos a US$ 1.800,00/tonelada. Esta adversa conjuntura internacional, aliada a importantes fatores nacionais e regionais tais como: Processo inflacionário severo, restrições de crédito oficial, o pico do ciclo do ouro, falta de um mercado regional, ataque de doença e falta de tradição com a cultura fizeram com que a implantação de novas áreas fosse praticamente paralisada. As áreas já plantadas foram abandonadas pelo desvio de mão de obra para o garimpo.

Após o ciclo do ouro, com alta infecção pelo fungo da Vassoura de Bruxa, inviabilizadas economicamente devido aos baixos preços do cacau e falta de crédito, foram erradicadas e substituídas por pastagens. De modo que o pólo cacaueiro de Alta Floresta, que inclui os municípios circunvizinhos (Carlinda e Paranaíta), possui atualmente cerca de 350 ha de cacau em produção, perdendo a liderança para o município de Colniza, onde a área plantada já supera os 2.000 ha.

Programas e Ações

No período de 2004/2009, a GEREM atendeu uma área incluindo 22 municípios, ampliou a área de cacau em mais de 2.600 ha, obteve um aumento em 100% da produção de cacau no MT, a distribuição gratuita de sementes superou 4.000.000 unidades, atendeu a 3.018 produtores, treinou 1.213 trabalhadores e mantém quatro projetos de pesquisas em andamento, incluindo dois SAFs.

A GEREM tem ainda buscado parcerias: Foram firmados quatro Acordos de Cooperação Técnica, com as Prefeituras de Alta Floresta, Paranaíta, Cotriguaçu e Colniza. Todos com o objetivo de fortalecer o quadro técnico para assistência de melhor qualidade naqueles municípios. Está sendo negociado um Acordo de Cooperação Técnica com a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e outro com a Secretaria de Ciência e Tecnologia do estado de Mato Grosso (SECITEC).

O primeiro com o objetivo de atrair pesquisadores das áreas de Biologia, Agronomia e Engenharia Florestal para realizar suas pesquisas dentro da estação e o segundo para contribuir na formação de jovens técnicos agrícolas, fornecendo área para aulas práticas. Finalmente, ao final do ano passado foi firmado o acordo de cooperação técnica entre a CEPLAC/GEREM e EMBRAPA-MT.

Área de Atuação


Outras Informações


PANORAMA ATUAL DA CACAUICULTURA EM MATO GROSSO


A produção no estado é decrescente desde 1999 até 2003, mas a partir da safra 2005 verifica-se um discreto crescimento. A área colhida que já passou de seis mil hectares chegou a 453 ha em 2003 e atualmente se observa um aumento gradativo atingindo em 2006 a uma área efetivamente colhida de 817 hectares, segundo dados do IBGE e informações adicionais colhidas diretamente com o produtor. A produção total que chegou a atingir 2.200 toneladas nos anos 80 e início dos anos 90, no ano agrícola 2004/2005, ainda de acordo com o IBGE, não passou de 244 toneladas. Entretanto, as safras 2005/2006 e 2006/2007 tiveram um aumento de 8,6% e 10,7%, respectivamente em relação à safra 2004/2005. A previsão para a safra 2007/2008, se não houver problemas climáticos graves, é de um aumento na ordem de 10% sobre a safra anterior. Vale observar que o referido aumento de produção se dará pelo aumento da área plantada e não por incremento na produtividade.

PANORAMA ATUAL DA CACAUICULTURA EM MATO GROSSO


O cultivo do cacau é um sistema agroflorestal com ótimas características de sustentabilidade ambiental e econômica, conferida pela alta eficiência na utilização do espaço vertical, proteção contra compactação, lixiviação e erosão do solo, eficiente ciclagem de nutrientes, seqüestro de carbono na ordem de 5t/ha/ano, sem prescindir de uma produção agrícola de grande rentabilidade. Assim sendo, são grandes as perspectivas de expansão da cultura no estado de Mato Grosso. Além das vantagens citadas, é possível a combinação do cacaueiro com outras culturas igualmente rentáveis, como a seringueira, cafeeiro, teca e pupunheira, fornecendo ao pequeno agricultor diferentes fontes primárias de renda. A utilização do cacaueiro como um dos componentes do sistema agroflorestal além de contribuir para amenizar a crise da cacauicultura, vai também potencializar a expansão de outros cultivos perenes já explorados e paulatina mas consistentemente, retirar o Estado da lista de vilões ambientais. Entretanto, alguns entraves deverão ser superados para a efetiva viabilização do programa. As linhas de crédito governamentais disponíveis para investimento em Sistemas Agroflorestais não atendem as combinações e arranjos que a CEPLAC propõe para a região. Isso porque o custo de um módulo (3,0 ha) sugerido é superior a R$ 17.000,00 e ultrapassa os tetos liberados pelo PRONAF A (R$12.000,00), PRONAF D (R$15.000,00) e PRONAF-Floresta (R$6.000,00). O FCO (Fundo Constitucional de Financiamento da Região Centro-Oeste), não possui restrições quando ao limite de crédito para o investimento proposto, mas a taxa de juros é bem mais alta, variando de 5,0 a 8,5% ao ano e garantias de 130% do valor financiado. A exigência de garantias reais e/ou pessoais para agricultores que não possuem titulação de suas terras é um fator limitante para o uso dessa linha de crédito para a maioria dos mini e pequenos produtores. Outro aspecto não menos importante é restrição legal imposta pela atual legislação. A obrigatoriedade de obtenção da Licença Ambiental Única – LAU é um fator limitante para qualquer ação de investimento em propriedades da região. A titularidade das propriedades é outro empecilho para obtenção de crédito e também para o licenciamento ambiental, formando um círculo de dificuldades que obrigatoriamente deverão ser minoradas para possibilitar a aplicação de qualquer programa de desenvolvimento.

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