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FONTES ALTERNATIVAS
O mundo está às voltas com um novo
choque do petróleo: o preço do barril chegou ao recorde histórico dos US$50,00.
A crise reforça a necessidade de se encontrar alternativas. Na série de
reportagens comemorativas dos 40 anos da Globo, você vê-se como a produção de
álcool, um combustível hoje testado e aprovado, impulsionou a cultura da cana
no Brasil nas últimas décadas.
O açúcar foi nosso primeiro produto
agrícola de exportação e base da colonização do país. Ao longo dos séculos a
economia do açúcar alterou fases de muito vigor e de decadência. Até que 30
anos atrás, para fazer frente a crise do petróleo, a cana passou a ser
utilizada, também, para produção em larga escala de álcool combustível.
“Houve um desenvolvimento na
tecnologia agrícola, houve um desenvolvimento na genética da cana,
desenvolvemos canas muito mais ricas e muito mais resistentes a pragas e tudo
isso contribuiu para o aumento da produtividade agrícola”, diz Cícero
Junqueira Franco, usineiro.
Lançado em 1975, o Pró-álcool
ofereceu vantagens para a modernização das usinas e financiou a construção de
destilarias em diversos Estados. A área plantada se expandiu, mas houve
concentração da posse da terra as empresas criadas na época do Pro-álcool
adotaram um modelo em que a usina é entendida como uma fábrica.
Os trabalhadores moram na cidade e
se deslocam todos os dias para o serviço no campo. O trabalho braçal é feito
por bóias-frias, mão-de-obra temporária paga por produção. Acompanhamos um
trabalhador da usina até a casa dele num bairro da periferia de São Joaquim da
Barra, São Paulo.
È Luís Antônio Pereira. Ele é
trabalhador rural há 40 anos.
“O que mudou nesse tempo em que
estou no ofício, e que foi muito bom, foi o registro que temos hoje, a
carteira assinada que é muito importante para nós. Do jeito que a tecnologia
está fazendo máquinas cada vez, pode diminuir o serviço braçal, mas acabar de
vez, não”, acredita Luís.
A tendência é diminuir o número de
vagas para os trabalhadores braçais. Eles vão precisar de mais qualificação
profissional para ter opções. A cana pode criar oportunidades. O açúcar voltou
a ser chamado de ouro branco e o álcool está, agora, reluzindo por causa da
crise do chamado ouro negro: o petróleo.
“O álcool veio contribuir para que
o petróleo dure mais tempo porque um dia ele vai acabar. Assim, temos que
desenvolver tecnologias que ache alguma coisa que substitua o petróleo e que
seja renovável. O choque do petróleo também deu fôlego novo para o biodiesel.
A repórter Ana Dalla Pria mostra uma das plantas mais cotadas para se tornar
uma fonte renovável de óleo combustível.
Antigamente, mamona só servia para
produzir óleo de lamparina, purgante e para a molecada brincar de guerra, mas
esta planta nativa da África tem muitas utilidades. Dela, se extrai um óleo
nobre usado como lubrificante de avião e que entra também na composição de
cosméticos e tecidos.
Nos últimos anos aumentou bastante
o interesse pela mamona no Brasil e ela pode vir a se transformar no
combustível do século XXI. É que a partir do óleo de mamona também é possível
se produzir o biodiesel.
Expedito Parente, engenheiro
químico, é professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, em
Fortaleza. Na década de 70, desenvolveu e patenteou o processo que transforma
óleo vegetal em combustível.
“Isso eu consegui em 1977, quando
tínhamos a grande euforia para o álcool. A meu ver o álcool, abastecia
veículos leves, de passeio e era um programa de exclusão social. O biodiesel é
ao contrário. Ele abastece caminhões, ônibus, tratores, ou seja, é combustível
muito mais produtivo”, analisa dr. Parente.
Dá para produzir biodiesel a partir
do óleo de muitas plantas como soja, dendê, girassol. A mamona é a que melhor
se adapta ao Nordeste.
“O Nordeste tem uma vocação
agrícola para as culturas xerófilas, aquelas que devem resistir às secas e a
mamona é uma espécie que tem essas características. Se presta também à lavoura
familiar porque precisamos usar a mamona para a inclusão social, ou seja, para
empregar essa gente no campo para eliminar a miséria”, conclui o engenheiro
Expedito.
O governo já autorizou a mistura de
2% de biodiesel nas bombas de todo o país. Isso representa uma demanda de 800
milhões de litros por ano. De olho nesse imenso mercado, o governo do Ceará
criou um programa de incentivo à cultura no Estado. Valdenor Feitosa,
agrônomo, é o coordenador.
“Estamos no ano de 2005 já com dois
mil hectares plantados e até o ano de 2007 queremos alcançar 100 mil hectares
no Estado do Ceará”, declara Feitosa.
O Ceará já produziu muita mamona ao
lado das lavouras de subsistência de milho e feijão ela servia para
complementar a renda das propriedades, mas na década de 80, o preço do óleo no
mercado internacional despencou e poucos agricultores permaneceram no negócio.
Seu Luiz Oliveira é um deles.
“Por enquanto, só plantei três
hectares, mas ainda falta quatro hectares para plantar. A mamona sempre dá um
lucro no fim do ano. Não quero vender nem o milho nem o feijão barato, então,
a mamona é que vai quebrando o galho. Dá para comprar o café”, diz o
agricultor Luiz.
Com a chegada do biodiesel, seu
Luiz acredita que a situação vai ficar melhor.
Para treinar agricultores
industriais, o governo do Ceará em parceria com a Embrapa e algumas empresas
do setor de energia montou uma pequena empresa de biodiesel em Quixeramobim.
Lá, a mamona é descascada, torrada, esmagada para liberar o óleo que depois é
prensado e filtrado.
Pronto, o óleo de mamona vem para
esse equipamento e vai sendo misturado com alguns produtos químicos como
metanol, soda cáustica e ácido sulfúrico e vai sofrendo reações até se
transformar em biodiesel.
O gerente da usina, Whertas Freire,
conta que 100 quilos de mamona rendem entre 40 e 42 quilos de biodiesel.
“Qualquer motor do ciclo diesel
pode ser utilizado o biodiesel. Qualquer motor que hoje trabalha com o diesel
de petróleo pode trabalhar com o biodiesel sem modificações”, afirma Freire.
Mesmo pequena, a usina está mudando
a vida de muitas pessoas, mais de 200 ou toda a população de Serrinha de Santa
Maria, uma comunidade rural de Quixeramobim. O biodiesel produzido na usina
trouxe para lá o que antes não havia e fazia muita falta: energia elétrica.
O biodiesel alimenta um gerador que
produz energia para todas as casas da comunidade. Das 17h30 às 21 horas todos
os dias. A energia aproximou os moradores do que acontece no resto do mundo. A
televisão trouxe isso.
“Morei aqui mais de 40 anos sem
energia elétrica. Não foi fácil. Agora, está mil vezes melhor”, diz Maria
Nascimento, agricultora.
ASSESSORIA DE
COMUNICAÇÃO DA CEPLAC
CLIPPING - GLOBO RURAL
09-05-05
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