HÁBITOS ALIMENTARES

 

  • As preguiças não bebem água; a água que necessitam para viver é absorvida do próprio alimento, através das paredes intestinais durante o processo de digestão.

  • São folívoros. O estômago é poligástrico, análogo ao dos ruminantes. Dividido em quatro compartimento e contém uma flora bacteriana, que permite a digestão inclusive de folhas com alto teor de compostos naturais tóxicos. 


  • As preguiças não são destituídas de dentes. Já nascem com a arcada dentária formada. São dentes com estruturas especializadas  para maceração de folhas e cujo crescimento difere muito dos outros mamíferos.  Não têm esmalte e nem raiz propriamente dita; não há substituição da dentição de leite.

  • Alimentam-se duas vezes ao dia, nos dias chuvosos. Nos dias de calor, possuem pouca movimentação, e o alimento precisa ser colocado três vezes por dia, próximo do local onde se encontra o animal, havendo substituição constante por folhas novas bastante suculentas para suprir as necessidade de água no organismo. Observamos no ambiente natural da Reserva as espécies de árvores de preferência no momento da sua alimentação. Coletamos galhos que são enviados ao Herbário, Centro de Pesquisa do Cacau, para que sejam classificados. 

As folhas das espécies usadas na alimentação das preguiças em semi-cativeiro estão sendo analisadas pela seção de fisiologia e biotecnologia através do laboratório de análise de tecidos vegetais, na identificação de macronutrientes (fosfóro, calcio, magnesio, potassio, nitrogenio, proteínas... ) e micronutrientes (ferro, zinco, cobre, manganes...) Das espécies de folhas que elas estão alimentando-se em semi-cativeiro.


A seletividade alimentar das preguiças é notavelmente alta, principalmente na preguiça-de-coleira. O local de onde o projeto recebe os animais é a sua área de maior ocorrência, onde se encontra a maior concentração florestal (ilhas de mata), que fica entre Camamu a Una, Sudeste da Bahia.

Os fatores climáticos dessa região possibilitam a existência de flora abundante e bastante diversificada. Na natureza, as preguiças alimentam-se de folhas novas de um número restrito de árvores, dentre as quais se conhece a embaúba, a ingazeira, a figueira, gameleira, samuma, inbiruçu e a tararanga. Através do olfato ela seleciona qual a folha ou parte da folha que ela prefere para se alimentar. É provável que elas precisem ingerir folhas de mais de uma espécie de árvore para satisfazer plenamente as suas necessidades nutricionais.

Observação importante: é muito difícil manter em semi-cativeiro uma alimentação balanceada que substitua a alimentação natural, pois ela é certamente constituída de folhas de diversas espécies ainda desconhecidas.

Vera Lúcia de Oliveira
Bióloga
Foto de Águido Ferreira

 

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