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Notícias
Mamona no Vale do São
Francisco
Estimulados pelo biodiesel,
agricultores familiares e assentados já pensam em platar.
Familiares e assentados do Vale
do São Francisco estão se preparando para cultivar mamona, pensando no
mercado de produção de sementes para o biodiesel. Um passo foi dado na
semana passada, quando engenheiros agrônomos da região participaram de um
curso de cultivo da variedade BRS 188 Paraguaçu, com proposta de repassar
aos produtores informações sobre o projeto Sementes do Biodiesel, do
Ministério do Desenvolvimento Agrário, que pretende estimular o plantio da
mamona no semi-árido nordestino.
Inicialmente, o projeto prevê o plantio experimental de mamona em 75
hectares em Pernambuco e no Piauí, Estados com grande número de agricultores
familiares em perímetros irrigados. De acordo com o técnico Rodrigo César
Flores Ferreira, são 40 hectares em Lagoa Grande e cinco em São José de
Belmonte, em Pernambuco, e 35 em duas cidades do Piauí ainda não divulgadas.
“O projeto é uma forma de inserir o pequeno agricultor na cadeia do
biodiesel, que é 65% nordestino”, afirma o técnico.
De acordo com o técnico da Embrapa José Alves Freitas, a escolha da
variedade Paraguaçu se deu por critérios técnicos, devido ser uma cultivar
que combina precocidade e alta produtividade. Em 250 dias ela já está pronta
para ser colhida. “Em condições de altitude entre 300 metros e com 600 mm de
chuva, a variedade tem potencial para produzir de 1,5 mil a 2,5mil quilos
por hectare em área de sequeiro e em plantio irrigado, a quantidade
produzida pode alcançar entre 5 mil e 8 mil kg/ha”, garante o técnico.
Outra vantagem está na produção
de bagas com teor de óleo em torno de 48% – no segundo ciclo poderá
apresentar um aumento de 30% na produção em relação ao primeiro ciclo e
melhora os solos que se encontram degradados, pois deposita duas toneladas
de matéria orgânica por hectare. Com o apoio do Ministério de
Desenvolvimento Agrário e do Instituto Madeira da Terra, a Embrapa
Transferência de Tecnologia de Petrolina realizou exposições teóricas sobre
a mamona Paraguaçu e atividades de transferência de tecnologia no Campo
Experimental do Escritório de Negócios de Petrolina.
Segundo pesquisadores da Embrapa, a região do Vale do São Francisco é
propícia para o cultivo do produto e pode mudar a vida dos pequenos
produtores através de geração de emprego e renda. A viabilidade do cultivo
da mamona no semi-árido pode despertar a atenção do Japão e de países da
Europa, consumidores de petróleo, que buscam combustíveis menos poluentes.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, a estimativa atual da
produção brasileira de biodiesel deve ser de 176 milhões de litros por ano.
De origem africana, a mamona é de fácil cultivo, resistente a doenças e à
seca. O biodiesel da mamona tem validade de três anos, acima do biodiesel da
soja, com durabilidade de 15 dias. Além de ser combustível, o óleo da mamona
também é utilizado em lubrificações de naves espaciais, como componente em
produtos de limpeza, como vermífugo, na indústria cosmética e na medicina,
como importante elemento para a formação de próteses ósseas.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, a safra de 2004/2005
no Norte/Nordeste é de 209,8 mil hectares de mamona e no País são 215,1 mil.
Os números mostram crescimento de pelo menos 26% em relação à safra nacional
de 2002/203 que foi de 166,2 mil hectares. A Bahia é o maior produtor de
mamona do País, com 169,4 mil hectares plantados, concentrados
principalmente na região de Irecê.
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DA CEPLAC
CLIPPING - JORNAL ATARDE
05 de
Dezembro de 2005.
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